O Colégio Agrícola Estadual Ângelo Emílio Grando, de Erechim, se destaca por suas práticas educativas que integram teoria e prática no campo. Entre as atividades que ilustram essa metodologia, a compostagem e o uso das minhocas na produção de adubo orgânico são alguns dos maiores exemplos, especialmente implementados na área de pequenos animais, com a ajuda do minhocário. A responsável por desenvolver a disciplina é a professora Marilete Bianchi, licenciada em Ciências Agrícolas.
A importância da compostagem
A compostagem é uma alternativa sustentável para a reciclagem do lixo orgânico, transformando resíduos como restos de frutas e vegetais em adubo natural. Na escola, essa prática começa no primeiro ano do Ensino Médio, com os alunos sendo incentivados a reutilizar alimentos descartados, reduzindo o impacto ambiental do lixo e oferecendo um benefício direto à agricultura escolar.
O trabalho vai além do simples processo de compostagem, pois integra a teoria à prática, ensinando aos alunos não apenas sobre o processo, mas também sobre a importância do meio ambiente e da sustentabilidade. A escola utiliza os resíduos gerados no local para adubar hortas, jardins e até plantas frutíferas.
Composteiras caseiras
Para aqueles interessados em adotar a compostagem em casa, a escola também compartilha o passo a passo para a criação de composteiras caseiras. "Pode ser adquirida pela internet ou feita em baldes de 20 litros ou menores, dependendo da condição financeira e da quantidade que se deseja guardar", explica a professora Marilete. "A composteira caseira é montada com camadas de restos de vegetais, verdura, borra de café e casca de ovo, intercaladas com matéria seca como folhas."
Outros cuidados são evitar alimentos temperados e garantir a temperatura adequada para as minhocas, que desempenham um papel crucial na decomposição e na produção de húmus, um adubo de excelente qualidade. O processo também permite a coleta do chorume, um líquido gerado durante a decomposição, que é utilizado como fertilizante para as plantas.
Benefícios ambientais e econômicos
Além de contribuir para a redução do lixo, a compostagem tem diversos benefícios para o meio ambiente, como a melhoria do solo e a redução do uso de fertilizantes químicos. O uso de húmus produzido na escola ajuda a enriquecer o solo das hortas e lavouras, tornando-o mais fértil e saudável.
A prática de compostagem oferece também uma vantagem econômica, uma vez que, ao gerar grandes quantidades de húmus, é possível comercializar o adubo produzido, além de reduzir os custos com fertilizantes.
Ensino e prática na escola
O processo de compostagem é implementado na escola não apenas como uma atividade prática, mas também como um componente essencial no currículo, onde teoria e prática se complementam. Ao longo do ano, os alunos têm a oportunidade de vivenciar o processo completo de decomposição biológica, desde a separação dos materiais até a preparação do solo e o uso do húmus.
“A experiência aqui é muito boa e diferenciada. Acompanhamos todo o processo, desde a chegada dos materiais até o trabalho de organização e cuidado com os canteiros. Aplicamos muito do que aprendemos tanto na sala de aula quanto no campo”, conta Vítor Trindade Suszek, estudante do 1º ano do Ensino Médio.
“Mesmo sem estarmos no Minhocário, a gente utiliza a matéria orgânica na horta. Passamos por todos os processos, começando aqui, depois indo para a agricultura, utilizando o húmus, e assim por diante. Então, a gente vai evoluindo aos poucos e vai conectando os conteúdos de uma matéria com outra”, menciona Luan Carlos Mattana Vendruscolo, do 2º ano.
“A melhor parte é que, às vezes, trabalhamos e brincamos, mas quando chega a hora de colocar em prática o que aprendemos na sala de aula, fazemos com perfeição e vontade. Nem todo mundo aprende tudo na sala de aula, mas aqui conseguimos tirar dúvidas e entender tudo. Além disso, tiramos dúvidas e nos ajudamos, o que torna o aprendizado mais tranquilo”, relata a estudante do 2º ano, Isabeli Cichet.
Essa experiência educacional é fundamental para que os alunos compreendam a importância da sustentabilidade e da preservação ambiental. Além disso, a escola incentiva os estudantes a replicarem a prática em suas casas e comunidades, expandindo o impacto educacional.
“A composteira utilizada pela professora com os alunos é uma atividade educativa e criativa, essencial para a produção de hortaliças e adubação de plantas frutíferas. O trabalho detalhado envolve o cuidado com as minhocas, que transformam a matéria orgânica em adubo de alta qualidade. Além disso, os alunos podem levar as minhocas para suas propriedades e iniciar a criação delas, promovendo a prática na região”, complementa o diretor do Colégio Agrícola, Orlando Klimaczewski.
O trabalho de conscientização sobre a sustentabilidade é essencial para que os alunos assumam papéis ativos em projetos que visam reduzir o impacto ambiental e melhorar a qualidade de vida na comunidade. O Colégio Agrícola Estadual Ângelo Emílio Grando, ao promover práticas sustentáveis e ensinar a importância da preservação ambiental, está moldando cidadãos mais conscientes e responsáveis com o meio ambiente.