Na tarde de quarta-feira (26), o 15º Núcleo do CPERS em Erechim recebeu a visita da presidente estadual do sindicato, Rosane Zan, durante uma plenária com a categoria. O encontro teve como principal objetivo mobilizar os profissionais da educação para participarem da Assembleia Geral, que ocorrerá no dia 11 de abril, às 13h30, na Casa do Gaúcho, em Porto Alegre.
Durante a reunião, Rosane Zan apresentou as principais pautas defendidas pelo CPERS, tratou sobre a luta pela revisão geral dos salários, a necessidade de melhores condições de trabalho e a preocupação com a precarização da infraestrutura escolar. A dirigente também abordou o impacto da reforma previdenciária nos aposentados e a crescente sobrecarga dos profissionais da educação.
Em sua fala, a presidente relembrou a conquista do plano de carreira dos funcionários de escola em 2001, uma luta fundamental para a valorização da categoria. No entanto, ressaltou que, nos últimos anos, muitos direitos foram retirados, agravando a situação dos profissionais da educação. “Tudo o que conquistamos até 2003, como paridade e integralidade, foi sendo perdido historicamente, não por falta de luta, mas pela imposição de políticas que prejudicam o serviço público”, afirmou.
Condições das escolas e crise climática
Rosane Zan relembrou a enchente na Grande Porto Alegre no ano passado, que colocou o estado em evidência nacional e internacional. Ela também mencionou o impacto da ação judicial do CPERS no início do ano letivo, que trouxe à tona as más condições estruturais das escolas públicas. Além disso, ela defendeu que a crise climática deve fazer parte do currículo escolar, pois tem impacto direto no ambiente de ensino. “As escolas precisam estar preparadas para enfrentar essa nova realidade. Não podemos ignorar o que está acontecendo, como foi feito na pandemia”, alertou.
A vice-diretora do 15º Núcleo, Scheila Pegoraro, trouxe um panorama da realidade das escolas estaduais da região, apontando desafios estruturais e de gestão enfrentados no dia a dia. Já a diretora do CPERS, Sandra Santos, ressaltou a importância do posicionamento político da categoria na defesa dos direitos sociais e econômicos.
Aposentados e desvalorização dos profissionais da educação
A presidente também destacou a sobrecarga de trabalho dos profissionais da educação, ressaltando que 60% da categoria está em contratos emergenciais, o que prejudica a estabilidade e a qualidade do ensino. “Os professores e funcionários estão exaustos. E quando falamos nas ‘ditas planilhas’, que sobrecarregam ainda mais o trabalho, é aí que eles percebem que algo precisa mudar”, exemplificou.
A situação financeira dos servidores também foi pauta da plenária. A tesoureira do CPERS, Dulce Delan, debateu sobre as dificuldades enfrentadas pelos funcionários de escola e aposentados, especialmente diante da defasagem salarial e dos descontos previdenciários.
Privatização da educação e ameaça ao ensino público
Um dos temas mais preocupantes discutidos na plenária foi a mercantilização da educação. A presidente do CPERS alertou ainda sobre as Parcerias Público-Privadas (PPPs) na educação, comparando-as com os contratos de concessão de pedágios. “O que eles querem é conceder 99 escolas por 25 anos, num contrato de 5 bilhões de reais. Isso significa que cada escola receberia, em média, 2 milhões por ano para infraestrutura e administração. Mas será que não há algo a mais por trás disso?”, questionou.
Segundo Rosane, o discurso inicial dessas parcerias costuma focar apenas na gestão administrativa, sem interferência pedagógica. No entanto, na prática, diretores que não atingem metas são substituídos por gestores das empresas privadas, o que abre caminho para a terceirização da educação pública.
Mobilização para a Assembleia Geral
Diante desse cenário, Rosane reforçou a importância da participação da categoria na Assembleia Geral do dia 11 de abril, onde serão debatidos os próximos passos da luta pela valorização da educação pública. “Precisamos ir além da resistência e partir para a ação. Quem está no chão da escola sabe que não se trata apenas de salário, mas de condições dignas de trabalho e saúde no ambiente escolar”, enfatizou.
O CPERS segue mobilizado, denunciando as perdas da categoria e organizando ações para enfrentar a precarização e a privatização da educação. “Nossa luta é coletiva, e somente unidos conseguiremos garantir uma escola pública de qualidade para as próximas gerações”, concluiu Rosane Zan.
Além das falas das lideranças sindicais, os profissionais da educação presentes tiveram a oportunidade de tirar dúvidas e compartilhar suas preocupações com as dirigentes do CPERS. A ação em Erechim faz parte de uma série de visitas da direção estadual do sindicato aos núcleos regionais, com o objetivo de fortalecer a organização da categoria para os desafios do próximo período.
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