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Falha humana, comportamento, causas da maioria dos acidentes de trânsito

O Jornal Bom Dia traz uma reflexão sobre este assunto pelo ponto de vista psicológico. Tecnologia, redes sociais e individualismo, contribuem para um contexto mais caótico

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Trânsito
Especialista em Psicologia do Trânsito, Joseane Reidia
Coordenadora do Curso de Psicologia da URI Erechim, Fernanda Grendene
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

O trânsito faz parte do cotidiano diário das pessoas, da vida em sociedade, não tem como ignorá-lo ou simplesmente deixa-lo de lado. Ao sair à rua, tudo é trânsito, bom ou ruim, ou mobilidade urbana. O trânsito é o ambiente, talvez o mais imediato, no convívio social, em que as pessoas precisam compartilhar as regras para que ele funcione, enfim, para que dê tudo certo e se viva com um mínimo de bem-estar físico e mental. Contudo, o que se vê em Erechim é um desrespeito constante às regras de trânsito, sejam elas quais forem, como avançar o semáforo fechado ou preferencial, cruzar pela direita ou à frente de outro veículo, pressa excessiva em locais de velocidade controlada pedestres. Esses são alguns exemplos e a questão é saber o porquê isso está assim.  

Trânsito

Segundo a psicóloga especialista em Psicologia do Trânsito, Joseane Reidia, todos os anos, no mês de maio, ocorre a campanha “Maio Amarelo”, que conforme o Detran é um movimento internacional de conscientização que tem como objetivo diminuir o número de acidentes e de mortes no trânsito. “É um momento que nos convida a refletir sobre os comportamentos de risco no trânsito e como podemos melhorar”, comenta.

Falha humana

Joseane ressalta que a maioria dos acidentes de trânsito ocorrem por falha humana e apenas uma pequena parte se dá devido à problemas na via ou problemas mecânicos no veículo. “Desta forma, percebe-se o quanto o comportamento humano influência nos acidentes”, afirma.

“Nos últimos anos, houve um crescimento no número de pessoas com veículos, e isso gera um aumento no congestionamento e contribui para o estresse no trânsito e a falta de paciência dos motoristas, que muitas vezes tem pressa para chegar ao destino”, observa a psicóloga.

Segundo ela, outros problemas que se podem verificar no trânsito é a falta de atenção, o desrespeito às regras, o uso de celular enquanto dirige, excesso de velocidade, dirigir sob o efeito de álcool ou com sono. “Tais atitudes colocam em risco não somente o motorista, mas também os passageiros, os outros condutores e os pedestres”, destaca.

Propensão

Joseane enfatiza que algumas pessoas são mais propensas a se envolver em acidentes de trânsito e, normalmente, tendem a apresentar um comportamento mais agressivo, dificuldade em respeitar normas. “Pessoas que estão passando por um período estressante também apresentam uma maior probabilidade de ter comportamentos que coloque o trânsito em risco. Por outro lado, pessoas que apresentam uma boa conduta no trânsito tendem a apresentam um perfil com mais responsabilidade, são mais cautelosas e tem uma boa capacidade de atenção”, explica.

Como ter um trânsito seguro

Mas afinal, o que é necessário para ter um trânsito mais seguro? “Cabe a cada um fazer a sua parte, com pequenas atitudes, como por exemplo usar o cinto de segurança; respeitar as leis de trânsito; manter uma distância segura entre os veículos; não utilizar o celular enquanto dirige; respeitar os limites de velocidade; respeitar os pedestres, o semáforo e as placas de trânsito”, relaciona.

“Tendo em vista o elevado número de acidentes de trânsito, que muitas vezes resultam em mortes ou sequelas, é importante que a população se conscientize e reflita sobre quais comportamentos colocam em risco no trânsito e o que pode ser feito para melhorar”, observa Joseane.

Vários estímulos

Joseane ressalta que, no trânsito, o condutor recebe vários estímulos, a todo momento, de outros veículos, da via, do pedestre, desta forma, é necessário estar atento, com o foco no trânsito e ter uma boa capacidade de tomada de decisão para caso ocorra algum imprevisto e a pessoa saiba como reagir. “Um bom equilíbrio emocional é essencial, pois níveis elevados de ansiedade ou de agressividade podem prejudicar a conduta do motorista no trânsito. Também é importante que o condutor respeite as leis de trânsito, a sinalização, as placas e os pedestres, contribuindo, desta forma, para um trânsito mais seguro, evitando acidentes e preservando a vida”, destaca a psicóloga.

Ambiente interativo

A coordenadora do Curso de Psicologia da URI Erechim, Fernanda Grendene, observa que o trânsito deve ser compreendido como um ambiente interativo composto por diversos aspectos, os veículos, infraestrutura e as pessoas. “O fator humano é crucial, neste contexto, pois as atitudes, comportamentos e decisões dos indivíduos afetam diretamente a segurança e a eficiência das vias. As ações dos motoristas, pedestres e ciclistas são influenciadas por uma variedade de fatores psicológicos, como personalidade, estado emocional e habilidades cognitivas. Por exemplo, o estresse e a agressividade podem levar a comportamentos imprudentes, como excesso de velocidade ou ultrapassagens perigosas”, comenta Fernanda.

Conforme Fernanda, a percepção é outro aspecto fundamental para a condução segura. “Motoristas devem ser capazes de interpretar os sinais de trânsito, avaliar distâncias e reagir a mudanças no ambiente. A atenção é igualmente importante, pois distrações, como o uso de celulares, podem resultar em acidentes graves. A capacidade de avaliar riscos e escolher a melhor ação em situações de perigo também é um aspecto psicológico envolvido nas questões do trânsito. Fatores como fadiga e consumo de substâncias podem prejudicar a capacidade de tomar decisões seguras”, explica a psicóloga.

“Como se pode observar as pessoas são importantíssimas neste contexto. O advento da tecnologia, redes sociais e individualismo, contribuem para um contexto de trânsito mais caótico, uma vez que tais ferramentas estão relacionadas ao aumento da ansiedade e impulsividade e agressividade. O que se evidencia, atualmente, são pessoas mais apressadas e mais ansiosas se comparadas a décadas passadas”, observa Fernanda.

“Com menos tolerância à frustração, o indivíduo não consegue esperar e qualquer deslize do outro pode desencadear reações desproporcionais. De certa forma, as pessoas também estão menos tolerantes umas com as outras, o que afeta a sociedade, como um todo. É importante que as pessoas entendam que a sua pressa não é a pressa do outro. É preciso olhar para o coletivo, também, no contexto do trânsito”, enfatiza a psicóloga.

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