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Ensino

Duas escolas de Erechim participarão da SBPC Jovem 2025

Projetos sobre violência de gênero e sustentabilidade serão apresentados em evento nacional de ciência e educação em Recife (PE)

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Professora Roberta Manica e a estudante Júlia Trindade
Projeto sobre bioplásticos da Escola Helvética
Por Gabriela de Freitas
Foto Arquivo pessoal; Gabriela de Freitas

Dois projetos desenvolvidos por estudantes da rede estadual de Erechim foram selecionados para participar da SBPC Jovem 2025, mostra científica que integra a programação da 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a ser realizada entre os dias 13 e 19 de julho, em Recife (PE). A Escola Estadual de Ensino Médio Dr. João Caruso apresentará um álbum de figurinhas educativo sobre a Lei Maria da Penha, enquanto a Escola Estadual de Ensino Médio Professora Helvética Rotta Magnabosco levará uma pesquisa sobre a produção de bioplásticos a partir de amido de milho.

Voltada a professores e estudantes do ensino básico, técnico e superior, a SBPC Jovem é um dos principais espaços de divulgação científica do país, com atividades abertas ao público que incentivam a popularização da ciência e o intercâmbio de experiências entre diferentes regiões e realidades educacionais.

Violência de gênero como tema de educação cidadã

O álbum de figurinhas sobre a Lei Maria da Penha é resultado de um projeto interdisciplinar desenvolvido pela Escola João Caruso no contexto do Agosto Lilás, desde 2023. Idealizado em aulas de Publicidade e Marketing, o material propõe uma abordagem lúdica para um tema sensível, facilitando o entendimento das cinco formas de violência previstas na legislação. O projeto, parte das ações do “Projeto Elas”, tem contribuído para ampliar o diálogo sobre violência doméstica, inclusive fora do ambiente escolar.

A professora Roberta Manica, coordenadora da iniciativa, destacou que o impacto do trabalho extrapolou os objetivos pedagógicos: “Muitas famílias passaram a procurar ajuda após o contato com o álbum. Contamos com o apoio de profissionais da Psicologia e do Direito para adequar o conteúdo à linguagem infantil”, explicou. A estudante Júlia Trindade, integrante do projeto, ressaltou que a proposta gerou reflexões entre colegas e familiares: “Aprendemos muito e vimos que a conscientização pode começar cedo, de forma acessível.”

Sustentabilidade e ciência como ferramentas de transformação

Já a Escola Estadual de Ensino Médio Professora Helvética Rotta Magnabosco será representada por estudantes do Ensino Médio que desenvolveram bioplásticos utilizando amido de milho como matéria-prima. O projeto foi orientado pela professora de Química Jéssica Andressa da Rosa e nasceu da busca por alternativas sustentáveis aos plásticos convencionais, com foco nos impactos ambientais e na presença das mulheres nas ciências.

“A pesquisa foi construída com base em conteúdos curriculares e reflexões sobre sustentabilidade e equidade de gênero. Nosso objetivo foi mostrar que ciência também se faz na escola pública, de forma responsável e engajada com os desafios sociais”, afirmou a professora. Entre os principais aprendizados, os estudantes destacaram a simplicidade do processo de produção dos bioplásticos e a necessidade de maior incentivo a essas soluções no cotidiano.

"Transformar o que aprendemos em sala em um projeto científico foi desafiador, principalmente pela complexidade das pesquisas, é surreal pensar que um projeto escolar pode chegar tão longe. Pretendo continuar trabalhando nessa iniciativa enquanto houver oportunidades para desenvolvê-la", acrescentou a estudante, Rafaela Fernanda Manfroi, do 2º ano do E.M.da Escola Helvética.

Ciência que forma e transforma

A participação das duas escolas de Erechim na SBPC Jovem evidencia o potencial da educação pública na produção de conhecimento relevante e conectado com a realidade dos estudantes. Ao promoverem projetos que unem ciência e cidadania, as iniciativas contribuem para uma formação integral, em que o aprendizado vai além dos conteúdos curriculares e se articula com temas urgentes, como a violência de gênero e a preservação ambiental.

Mais do que resultados escolares, os trabalhos apresentados demonstram o poder transformador da educação quando há espaço para o protagonismo juvenil, o diálogo interdisciplinar e a articulação entre teoria e prática. Em um cenário de desafios para a ciência e a educação, as experiências das escolas João Caruso e Helvética Magnabosco mostram que pensar e fazer ciência também é construir caminhos para uma sociedade mais justa e consciente.

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