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Cigarros eletrônicos: a nova epidemia entre adolescentes

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), os "vapes" contêm nicotina e diversas outras substâncias químicas, inclusive agentes cancerígenos

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Por Assessoria
Foto Divulgação

Os cigarros eletrônicos são conhecidos no Brasil como Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs). Também são chamados de “vapes”, e-cigarros, e-cigs, e-cigarettes ou “pen drives”. Os DEFs representam uma ameaça à saúde pública, por associarem riscos conhecidos à crescente popularidade desses dispositivos no país. Esses produtos, em particular, despertam o interesse de pessoas que nunca fumaram, devido aos aromas agradáveis, à diversidade de sabores, ao apelo de inovação tecnológica e à falsa percepção de que seu uso é seguro.

Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE, 2019), que entrevistou estudantes do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio das redes pública e privada, os maiores índices de experimentação de cigarro eletrônico foram observados entre escolares de 13 a 17 anos da rede privada de ensino, em todas as grandes regiões do Brasil. Destaca-se a Região Centro-Oeste, com 23,6% de experimentação na rede pública e 24,3% na rede privada.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde  (OMS), os cigarros eletrônicos contêm nicotina e diversas outras substâncias químicas, inclusive agentes cancerígenos. Além disso, há riscos de explosões dos aparelhos e intoxicações.

A indústria do tabaco lançou esses produtos no mercado com uma estratégia dupla: por um lado, promoveu os DEFs como alternativa de redução de danos e como ferramenta para a cessação do tabagismo convencional; por outro, divulgou a ausência de monóxido de carbono nos dispositivos, como se isso os tornasse seguros. Essas alegações, amplamente utilizadas em campanhas de marketing, visam criar a falsa percepção de que os DEFs são significativamente mais seguros que os cigarros combustíveis. No entanto, estudos já indicam que essas afirmações não são verdadeiras e visam, principalmente, aumentar os lucros da própria indústria.

Sabe-se que o uso de DEFs pode provocar efeitos imediatos no sistema respiratório e cardiovascular e, a longo prazo, podem causar doenças crônicas.

A EVALI (sigla em inglês para e-cigarette or vaping product use-associated lung injury), ou lesão pulmonar associada ao uso de cigarro eletrônico, foi descrita pela primeira vez nos Estados Unidos, em 2019. A condição foi relacionada, inicialmente, a solventes e aditivos presentes nos líquidos dos dispositivos, provocando reações inflamatórias graves, como fibrose pulmonar, pneumonia e, em casos extremos, insuficiência respiratória. 

Desde 2009, a comercialização, importação e propaganda dos DEFs são proibidas no país, conforme a Resolução RDC 46/2009 da ANVISA. Contudo, a venda online desses produtos é comum e, mesmo com a proibição, grandes redes de varejo continuam a oferecê-los, inclusive a crianças e adolescentes.

Um estudo realizado nas capitais brasileiras, avaliou a prevalência de fumantes entre jovens de 18 a 24 anos e observou um aumento de 7,4% para 8,5% entre 2016 e 2017. Entre os fatores que contribuem para esse aumento, destacam-se a ausência de fiscalização sobre a venda de DEFs pela internet e a influência de personalidades digitais (influencers) que promovem o uso desses produtos. Dessa forma, a ampla disseminação dos DEFs pode comprometer rapidamente os avanços obtidos por décadas de políticas públicas, como o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT). Além da manutenção da proibição vigente, é urgente intensificar a fiscalização da comercialização dos DEFs, especialmente nas plataformas online e no comércio varejista. 

Segundo a professora Fernanda Dal’Maso Camera, coordenadora do Programa PREVDROGAS da Escola Básica da URI Erechim e do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Atenção Integral à Saúde da URI Erechim, diversas pesquisas estão sendo conduzidas na universidade para avaliar os danos causados pelo cigarro eletrônico em animais jovens. 

Um exemplo recente é a dissertação de mestrado da pesquisadora Neiva de Oliveira Prestes, sob orientação da professora Fernanda, cujo objetivo foi identificar compostos químicos presentes na essência dos dispositivos eletrônicos e avaliar os efeitos da exposição nos rins de ratos Wistar jovens.  Ainda, a professora relata que há poucos estudos na literatura sobre os impactos em animais jovens, o que reforça a importância das pesquisas desenvolvidas pelo grupo da URI.

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