O Ensino Médio marca uma etapa de grandes transformações na vida dos jovens. É um período em que as responsabilidades aumentam, as disciplinas tornam-se mais complexas e a rotina passa a incluir uma demanda maior de trabalhos, provas e projetos. Ao mesmo tempo, começa a surgir a necessidade de pensar no futuro — uma decisão importante que envolve reconhecer pontos fortes, interesses e vocações para definir se o próximo passo será uma graduação, um curso técnico ou a entrada no mercado de trabalho. Trata-se também de uma fase de transição, em que a adolescência dá lugar à vida adulta, exigindo maturidade, autoconhecimento e planejamento.
Neste 11 de agosto, Dia do Estudante, três jovens de Erechim compartilharam suas vivências e perspectivas sobre essa jornada. As histórias revelam dedicação, ansiedade, amadurecimento e sonhos para o futuro.
Rotina intensa e amor pelo campo
Para Fabiana Litwin Ternes, do Colégio Agrícola Estadual Ângelo Emílio Grando, o terceiro ano é desafiador não apenas pelo volume de conteúdos, mas pela diversidade de atividades do ensino técnico. São 24 disciplinas entre matérias do Ensino Médio e da área de Agropecuária, além de projetos de pesquisa, visitas técnicas, palestras e seminários.
“Os projetos de pesquisa, em especial, despertam a criatividade e a inovação, pois nos desafiam a pensar em soluções para problemas reais”, explica. Ela precisa conciliar o estudo integral com as tarefas domésticas. “À noite, depois de um dia inteiro de aula, ainda tenho que revisar conteúdos, fazer trabalhos e avançar nos projetos”, relata.
Após a formatura, fará estágio curricular obrigatório em uma cooperativa de leite e pretende seguir carreira no setor. “Sempre gostei da agricultura e pecuária porque cresci no meio rural. Quero fazer Agronomia ou Medicina Veterinária e contribuir para o setor agropecuário.”
Primeiros desafios e ansiedade pelo futuro
Ana Caroline Christmann, 15 anos, está no primeiro ano do Ensino Médio no Colégio Estadual Haidée Tedesco Reali, mas já sente o peso da mudança. “As matérias estão mais complexas, há mais cobrança, mais trabalhos, mais pressão e mais exigência de tempo”, descreve.
A adaptação é acompanhada de ansiedade, especialmente pela pressão do Enem, que fará como treineira. Além da escola, Ana trabalha, o que torna a rotina mais puxada. “Tenho pouco tempo para estudar e acabo sendo rendida pela ansiedade. Isso cansa emocional e fisicamente”, confessa.
Entre as possibilidades para o futuro, está a área das artes ou da política, ainda em processo de decisão. “Quero atuar em algo que me desenvolva pessoal e profissionalmente. Meu sonho é conquistar independência, viajar e ter orgulho do meu esforço.”
Despedida da escola e novos caminhos
No Colégio Estadual Professor Mantovani, Gabriel Magalhães Robusto vive a reta final do Ensino Médio com a sensação de que um ciclo está se encerrando. “No peito, chega a doer um pouco. Dá insegurança sobre o que vamos viver daqui para frente”, afirma.
Ele destaca que, ao deixar a escola, o estudante precisa assumir sozinho suas responsabilidades. “No ambiente acadêmico, já somos adultos. É você e você.”
Aprovado em Publicidade e Propaganda na Universidade de Passo Fundo (UPF), ele já atua como videomaker e fotógrafo e planeja se mudar futuramente para uma cidade maior. “Quero me estabilizar financeiramente e emocionalmente antes de sair de Erechim.”
A escolha profissional surgiu de forma inesperada, durante um período de repouso após fraturar o braço. “Comecei a pesquisar e vi que era exatamente o que eu queria. Antes achava que não tinha nada a ver comigo.” Além de seguir na carreira, Gabriel pretende retomar a patinação, hobby da infância, e manter um equilíbrio entre trabalho e bem estar emocional. “Não quero viver só para o trabalho. Preciso de tempo para respirar e cuidar da saúde mental”, afirma.
As experiências mostram que, embora cada trajetória tenha seu ritmo e desafios próprios, o Ensino Médio é também um período de descobertas e amadurecimento. Mais do que um ciclo de provas e trabalhos, é um preparo para a vida — e cada passo dado hoje é parte do futuro que esses jovens desejam construir.