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Expressão Plural

Começos (I)

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Gerson Egas Severo
Por Gerson Egas Severo
Foto Arquivo pessoal

O ano está em seus primeiros passos e eu quero fazer, aqui, com e para o caro/leitor, um exercício de leitura comparada envolvendo pelo menos três textos, de modo a esboçarmos uma reflexão sobre começo, sobre começos. Está bem? Neste primeiro, faço uso de um brevíssimo ensaio do escritor e filósofo sino-americano Deng Ming-Dao, chamado... “Começo”. Nas próximas semanas, irei ampliar a leitura e os sentidos desse texto em parelo com a primeira carta do Tarô, “O Louco”, e trarei também um tanto de mitologia grega através da figura de Jasão, o herói ligado às narrativas dos Argonautas e do Velocino de Ouro: Jasão é precisamente o “Louco”, no Tarô Mitológico.

​Deng Ming-Dao parte de um ponto de vista ligado ao Taoísmo:

“Começos. 

Este é o momento de embarcar/ Todos os sinais auspiciosos estão presentes.

No início, todas as coisas estão cheias de esperanças. Nós nos preparamos para começar de novo. Embora possamos estar concentrados na magnífica viagem à nossa frente, todas as coisas estão contidas neste primeiro momento: nosso otimismo, nossa fé, nossa resolução, nossa inocência.

Para começar, devemos tomar uma decisão. Essa decisão é um compromisso com o autoaperfeiçoamento diário. Devemos estabelecer uma forte ligação com o nosso eu interior. As questões exteriores são supérfluas. Sós e desnudos, temos de vencer todas as atribulações da vida. Portanto, só nós devemos fazer algo de nós mesmos, transformando-nos nos instrumentos para experimentar a mais profunda essência da vida.

Assim que tomarmos nossa decisão, todas as coisas virão até nós. Os sinais auspiciosos não são uma superstição, mas uma confirmação. São uma resposta. Dizem que, se escolhermos orar para uma rocha com devoção suficiente, mesmo essa rocha se tornará viva. Da mesma maneira, assim que decidirmos nos comprometer com a vida, mesmo as montanhas e os vales reverberarão o som de nosso propósito.”

​Repare o caro leitor/a que, ao contrário do que comumente encontra-se em textos de fim e de início de ano, o autor não fala de metas, mas de decisão: isso é crucial. Se “este é o momento de embarcar”, é preciso embarcar com o corpo e a mente inteiros. No “Tao Te King”, de Lao Tsé (e na contramão de nossas costumeiras “intenções de ano novo”), começos genuínos, se é que existem (são sempre recomeços, não são?), só ocorrem se e quando cessam os excessos de desejo, de intenção: “O sábio não força; por isso nada fica por fazer.”

​No próximo sábado, então, e constituindo um arco de quatro textos, começaremos o trabalho de análise e interpretação desse texto e dos demais, em todas as direções... Até lá!

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