A Copa do Mundo voltou ao Brasil em 2014. A escolha do país como sede ocorreu por aclamação em 2007. Único candidato no processo, o país assumiu o compromisso de organizar um Mundial com enorme expectativa, tanto pelo peso histórico do futebol brasileiro quanto pela lembrança de 1950.
No entanto, houve dificuldades na preparação. Diversas obras de infraestrutura e estádios sofreram atrasos, algumas sendo concluídas às pressas e outras sequer entregues como prometido. Os altos custos geraram críticas e uma onda de protestos, especialmente em 2013, que questionavam os investimentos em estádios diante de carências em áreas como saúde, educação e transporte. Ao todo, a Copa foi disputada em 12 cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Natal, Cuiabá e Manaus.
Ao lado do Brasil, o Mundial foi composto por Alemanha, Espanha, Inglaterra, Itália, França, Holanda, Bélgica, Portugal, Suíça, Grécia, Croácia, Bósnia, Rússia, Argentina, Chile, Colômbia, Uruguai, Equador, Nigéria, Camarões, Gana, Costa do Marfim, Argélia, Estados Unidos, México, Costa Rica, Honduras, Japão, Coreia do Sul, Irã e Austrália.
Entre os destaques, a Costa Rica surpreendeu. No grupo mais difícil do torneio, superou três campeãs: Uruguai, Itália e Inglaterra, eliminando os europeus ainda na primeira fase e avançando até as quartas de final, quando perdeu nos pênaltis para a Holanda. Já a Espanha, sofreu uma goleada de 5 a 1 para os holandeses na estreia e foi outra campeã eliminada ainda na fase de grupos, tal qual franceses em 2002 e italianos em 2010.
O Brasil, dono da casa, começou instável o ciclo da Copa. Com Mano Menezes de técnico e Neymar como o principal jogador, a seleção decepcionou ao cair cedo na Copa América de 2011 e ser medalha de prata nas Olimpíadas de 2012. Ainda em 2012, Luiz Felipe Scolari retornou ao comando, buscando resgatar a forma de pensar que levou ao penta em 2002. A “nova Família Scolari” conquistou a Copa das Confederações de 2013 com vitória por 3 a 0 sobre a Espanha na final, e o resultado levou a um ambiente de grande expectativa e otimismo por parte da torcida. Pura ilusão.
Na Copa, o Brasil avançou em primeiro no grupo após vencer a Croácia por 3 a 1, empatar com o México em 0 a 0 e derrotar Camarões por 4 a 1. Mas a realidade bateu na porta a partir das oitavas de final, quando a seleção sofreu para superar o Chile por 3 a 2 nos pênaltis, após empate em 1 a 1. Nas quartas, venceu a Colômbia por 2 a 1, mas sofreu duas perdas importantes: a suspensão do capitão Thiago Silva e a lesão na coluna de Neymar, que ficou fora do restante do torneio.
Do outro lado, a Alemanha surgia organizada e consistente, com um trabalho iniciado oito anos antes. Na fase de grupos, goleou Portugal, empatou com Gana e venceu os Estados Unidos. Nas oitavas, superou a Argélia na prorrogação e, nas quartas, venceu a França.
Brasil e Alemanha se encontraram na semifinal. A partida, no Mineirão, em Belo Horizonte, tornaria-se no maior trauma da história do futebol brasileiro. Completamente dominada, a seleção foi goleada por 7 a 1, em um colapso coletivo diante do mundo. Quatro gols foram marcados em apenas seis minutos, entre os 23 e os 29 do primeiro tempo. Nesse jogo, Miroslav Klose fez seu 16º gol em Copas do Mundo, tornando-se o maior artilheiro da história do torneio.
Abalado, o Brasil ainda perdeu a disputa do terceiro lugar para a Holanda por 3 a 0, encerrando sua participação de forma melancólica. Na final, no Maracanã, a Alemanha enfrentou a Argentina e venceu por 1 a 0, com gol de Mario Götze na prorrogação, conquistando seu quarto título mundial.