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Segurança

Audiência Pública busca soluções para perturbação do sossego em Erechim

Encontro abordou dificuldades para sanar o número crescente de casos e propôs medidas a serem adotadas

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Foi proposto um trabalho conjunto para atuar continuamente no problema
Professora doutora, Marcela Alvares Maciel
Por Alan Delfin Dias
Foto Alan Delfin Dias

Audiência Pública realizada na manhã de ontem (20), na Câmara de Vereadores de Erechim debateu um problema que está sendo considerado como em crescente no município: os casos envolvendo perturbação do sossego.

O debate, proposto pela vereadora Sandra Picoli, reuniu órgão municipais, entidades representativas, Brigada Militar, vereadores e comunidade em geral para tentar encontrar soluções visando buscar soluções para os casos que ocorrem tanto no centro da cidade quanto nos bairros.

Segundo Sandra, a ideia de realizar uma Audiência Pública surgiu a partir do aumento de reclamações que chegam ao gabinete da edil. “Recebo muitas, muitas reclamações e tivemos sim, um aumento das queixas. São várias situações, então, a ideia foi juntar todos os setores que tenham alguma responsabilidade sobre a questão, buscando unir todos para sanar ou, ao menos, amenizar essas questões. Eu vejo como muito possível, ações integradas, quem cabe fiscalizar internamente, quem cabe fiscalizar externamente e eu acho que ações orquestradas e recorrentes, inibiria um pouco essas situações. Não podemos um jogar a responsabilidade para o outro, precisamos trabalhar juntos para resolver”

As principais reclamações relatadas pelas autoridades e população durante a audiência envolveram festas com som alto, aglomeração de pessoas nas vias utilizando carros com som alto e veículos com o escapamento aberto. O encontro apresentou ainda as dificuldades encontradas pelos órgãos fiscalizadores e pela polícia na tentativa de sanar os problemas, e a maioria envolve a própria legislação, considerada branda em alguns casos ou com brechas.

Um exemplo citado pelo comandante do 13º BPM, tenente-coronel Maurício Detoni, e pelo coordenador de segurança da Diretoria de Trânsito, Lorival Ribeiro da Silva, foi em relação a veículos com escapamento aberto. Segundo eles, apesar de poder ser feita autuação, a lei concede prazo para que o proprietário regularize o veículo, mas na maioria dos casos, o condutor faz a correção, apresenta para as autoridades e na sequência volta a ‘abrir o escapamento’ e a medida segue valendo mesmo para reincidentes. Também foram citados alguns grupos existentes em redes sociais usados para informar sobre locais de fiscalização e outros envolvendo “usar até perder” o veículo. “Algumas motocicletas têm R$ 10 mil, R4 15 mil de multas”, contou Lorival.

Sobre a questão do som alto em residências ou estabelecimentos, o comandante do 13º BPM disse compreender a dificuldade da parte da população que acaba vítima da poluição sonora. “Me coloco no lugar das pessoas que estão esperando uma resposta efetiva nossa, enquanto agentes públicos, mas o que a gente verifica é, cada vez mais, uma aceitação por parte das legislações e parece que a gente está dando de ombros para esse problema e as pessoas ficam reféns dessas situações”.

“O entendimento da jurisprudência, a legislação não fala isso, mas a jurisprudência. A turma recursal aqui do Rio Grande do Sul e dos demais estados falam que para a atuação da polícia militar no tocante à questão da perturbação do sossego, há necessidade de não uma, mas no mínimo, três pessoas, que quando ligarem para a Brigada Militar, irão dizer, eu sou fulano de tal e quero representar. E, na hora da ocorrência, na hora do problema, ele tem que ir lá e se expor para quem está fazendo barulho. E aí a gente a gente se pergunta: quem que vai se colocar hoje em dia, na sociedade que a gente vive, onde as pessoas, muitas vezes não aceitam uma crítica, imagina lá, com um monte de bêbado fazendo bagunça. Então, é incoerente essa questão, mas é o que está posto. Temos algumas pessoas que aceitam se expor e a gente resolve. A Brigada faz o que precisar e recolhe o som, mas é preciso a assinatura da vítima, então é um problema que a gente vivência”, explicou o comandante.

 

Linhas congestionadas

O tenente-coronel relatou ainda que entre às sextas-feiras e os domingos, principalmente nos períodos das noites as linhas de emergência (190) ficam congestionadas de ligações envolvendo, principalmente perturbação do sossego e ocorrências Maria da Penha.

A Audiência Pública resultará em um relatório que será entregue ao Ministério Público e outros órgãos.

 

Trabalho conjunto

Dentro das ideias propostas, o comandante Detoni propôs incluir no documento as atribuições de cada setor e realizar um trabalho conjunto, semelhante ao que foi desenvolvido entre os anos de 2010 e 2012, quando uma força-tarefa atuou para reduzir o grande número de reclamações de perturbação do sossego durante os períodos de Carnaval.

 

Secretarias

Representantes das secretarias de Meio Ambiente, Obras e da Fazenda também participaram do encontro e falaram sobre as questões legais e documentais envolvendo abertura e finalidade dos estabelecimentos, além de possíveis punições por ilegalidades e descumprimento das normas.

 

Observatório do som

Quem também esteve presente na Audiência Pública foi a professora doutora, Marcela Alvares Maciel. Arquiteta urbanista, doutora em engenharia mecânica na área de acústica e vibrações e pós-doutora em arquitetura, com atuação nas áreas de paisagem sonora, cultura e memória, sugeriu a implantação de um Observatório do Som, em Erechim. Uma iniciativa estratégica para integrar universidades, poder público e a sociedade civil, na gestão da nossa saúde e do nosso ambiente sonoro urbano.

“O Observatório do Som é um instrumento para monitorar, educar e planejar. Ele opera sob três pilares: inteligência pública para gerar dados; responsabilidade técnica nas análises e compromisso social com a aplicação dessas melhorias no dia a dia da cidade”, explicou.

“Precisamos superar a visão reducionista de que o som é apenas um problema de polícia ou um incômodo isolado. Discutir o sossego, é debater qualidade de vida e justiça social. É entender que cada cidadão tem o direito coletivo a uma cidade equilibrada e habitável, onde o uso do solo respeite o bem-estar de todos”.

“A poluição sonora é um gatilho ambiental severo. Ela não gera apenas desconforto. Ela compromete o sono, eleva o estresse, reduz a produtividade e degrada a convivência social. Tratar esse tema com seriedade é assumir um compromisso com a saúde mental e física da nossa população”, disse.

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