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Expressão Plural

O preço do sucesso

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JF Martignoni
Por JF Martignoni
Foto Arquivo pessoal

Outro dia encontrei uma frase dessas que normalmente passam por nós na velocidade de um polegar deslizando pela tela, mas que por algum motivo se recusou a ir embora. A frase era simples: “É melhor falhar como um ser humano do que ter sucesso como um ser inferior”. O interessante não é a frase em si. O interessante é o desconforto que ela produz.

Porque vivemos cercados por uma definição de sucesso tão difundida que raramente paramos para examiná-la. Ela está nos livros de negócios, nas entrevistas de empreendedores, nas redes sociais, nas histórias que contamos às crianças e, talvez mais importante, nas histórias que contamos a nós mesmos. É uma definição baseada em crescimento, influência, patrimônio, visibilidade. Ela é tão dominante que quase parece uma lei da física. Mas existe uma pergunta estranha escondida dentro dela.

O que acontece quando alguém alcança tudo aquilo que a sociedade chama de sucesso e, no processo, se torna uma pessoa que ninguém gostaria de ter como amigo, colega, vizinho ou exemplo?

A questão não é nova. Filósofos, religiosos e escritores vêm tropeçando nela há séculos. O que muda são os cenários. Hoje, o palco pode ser uma empresa, um perfil nas redes sociais ou uma campanha política. Ontem era uma corte real, uma praça pública ou um campo de batalha. Os figurinos mudam; a tentação permanece surpreendentemente parecida.

E talvez a tentação mais comum seja acreditar que os fins possuem uma espécie de poder mágico capaz de purificar os meios. Que a riqueza justifica a exploração. Que a vitória justifica a mentira. Que o reconhecimento justifica a manipulação. Como se o resultado final pudesse apagar retroativamente tudo o que foi necessário para alcançá-lo. O problema é que seres humanos não funcionam assim.

Nossas ações não ficam para trás como cascas descartadas. Elas nos moldam. Cada pequena concessão feita em nome da eficiência, da ambição ou da vantagem pessoal deixa algum vestígio. Não apenas no mundo, mas em quem nos tornamos.

Talvez seja por isso que tantas pessoas aparentemente bem-sucedidas pareçam estranhamente insatisfeitas. Porque existe uma diferença entre possuir coisas e possuir uma razão para estar satisfeito com elas. Entre conquistar respeito e apenas acumular atenção. Entre vencer uma competição e construir um legado que pode se orgulhar.

Nada disso significa que dinheiro seja ruim, que ambição seja errada ou que o sucesso deva ser visto com suspeita. Significa apenas que existe uma pergunta anterior a todas essas questões. Não “quanto eu ganhei?”, mas “quem eu precisei me tornar para ganhar?”. E talvez a verdadeira medida de uma vida não esteja apenas naquilo que conquistamos, mas naquilo que nos recusamos a sacrificar durante o caminho.

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