Durante anúncio sobre as indicações de secretários que integrarão o governo estadual a partir de janeiro de 2027, o governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), manifestou a decisão de reduzir o número de secretarias. Neste comunicado, foi divulgada a fusão entre as áreas de Agricultura e Desenvolvimento Rural em uma única secretaria.
Assim, a medida desfaz a separação criada em 2010, no governo de Tarso Genro (PT). Tal decisão gerou questionamentos da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (FETRAF-RS). Em nota, a entidade aponta que a extinção da Secretaria de Desenvolvimento Rural como órgão independente levanta dúvidas sobre a continuidade e a execução das políticas públicas destinadas à agricultura familiar.
O documento, divulgado pela federação, alerta para a importância econômica e social do setor, além da diversidade que abrange. Conforme os dados apresentados, são mais de 294 mil famílias de agricultores familiares, 12 mil famílias assentadas, 18 mil quilombolas, 20 mil pescadores artesanais, 26 mil indígenas em terras indígenas, 4 mil agroindústrias familiares e centenas de cooperativas.
Considerando que os números em questão tratam de pessoas, e que estas atuam na produção de alimento, em atividades que envolvem diferentes realidades e complexidades, o coordenador-geral da FETRAF-RS, Douglas Cenci, expressou preocupação com relação ao desmonte da secretaria.
“A região do Alto Uruguai tem uma presença muito significativa da agricultura familiar, nos pequenos municípios é o pilar central da economia bem como um dos principais da região, neste sentido a existência de uma secretaria específica é de fundamental importância para potencializar as políticas públicas e programas para o setor na região”, destacou Cenci, em entrevista à reportagem do Jornal Bom Dia.
“Por mais que o futuro governo diga que pretende seguir tratando do tema por outras secretarias, a extinção demonstra que o governo não deve priorizar o setor, e por consequência deve vir a redução dos investimentos e programas em operação, para um segmento que tem enfrentado severas dificuldades por conta de um modelo produtivo que não é favorável ao setor, e agravado pelas mudanças climáticas, a falta de incentivos e proteção pode inviabilizar a permanência e continuidade de muitas famílias de agricultores”, explicou o coordenador-geral da entidade.
"Nós lamentamos a decisão"
Cenci contou ainda que, logo após o anúncio, muitos agricultores procuraram o sindicato na região manifestando preocupação e insegurança diante do tema.
“Nós lamentamos a decisão equivocada e estamos precisando para reverter tal medida. Há uma mobilização de diversos segmentos da categoria e de outros setores da sociedade, esperamos que o governador eleito volte atrás da medida e reconheça a importância da agricultura familiar para o estado em suas diversas contribuições, seja para a economia, na geração de empregos e na contribuição para a segurança e soberania alimentar e nutricional do estado”, completou Douglas Cenci.
"Medida não representará redução"
Após a repercussão, o governo de Luciano Zucco informou, em nota divulgada na sexta-feira, 30 de outubro, que a medida não representará redução nas políticas públicas ou no apoio destinado à agricultura familiar. Ainda conforme consta no documento, a integração das secretarias da Agricultura e do Desenvolvimento Rural busca tornar a administração pública mais eficiente, considerando também a situação financeira enfrentada pelo Estado.