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Saúde

A endometriose pode causar muita dor no período da menstruação, além de problemas com a fertilidade

Endometriose torna saúde mental mais vulnerável

Por Izabel Seehaber jornalismo@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose, entre 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva (13 a 45 anos) podem desenvolver a doença e 30% tem chances de ficarem estéreis. O problema pode ser ainda mais delicado, quando atrelado à endometriose estão as patologias da saúde mental.

Conforme com recente pesquisa feita pelo ginecologista Dr. Edvaldo Cavalcante, em parceria com o Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade (Gapendi), 50% das mais de 3 mil mulheres que responderam ao estudo foram diagnosticadas com o transtorno da ansiedade generalizada. Outras 34% receberam o diagnóstico de depressão e 50% de estresse. 

O médico ginecologista e obstetra de Erechim, Nelson Sabadin, explica que a endometriose pode causar muita dor no período da menstruação, além de problemas com a fertilidade. Diante de tais complicações, são possíveis algumas alterações no aspecto psicológico de muitas mulheres, as quais podem estar relacionadas a casos de depressão e ansiedade. "A endometriose é a maior causa associada à dor pélvica crônica. A incidência se mantém estável, mas acredito que, com base numa pesquisa de 2013, em torno de 10% da população feminina do Brasil pode ter endometriose", explica.

Conforme o médico, é uma doença relacionada à parte genética e há duas teorias sobre a endometriose: uma se refere à menstruação retrógrada e à parte imunológica, e outra está relacionada ao tecido de endométrio que reveste a cavidade uterina que se implanta fora do útero.

Tratamento

De acordo com o especialista, quanto antes a mulher procurar o tratamento, melhor será a eficiência. Uma das principais alternativas é a videolaparoscopia, por meio da qual é feita uma cirurgia para retirada dos implantes de endométrio. Para manter o tratamento, uma das opções, caso a paciente não queira engravidar, é o uso contínuo de anticoncepcionais, por exemplo, que ajuda muito no controle da dor e da endometriose. "Geralmente quando a mulher entra na menopausa a tendência é que os implantes diminuam", acrescenta.

Impacto na saúde mental

Para amenizar o impacto no dia a dia das pacientes, o médico orienta que haja uma abordagem multidisciplinar a partir do diagnóstico, para que "se a paciente possui dúvidas ou não se sente segura, possa procurar ajuda de um psicólogo, fazer uma psicoterapia que pode auxiliar na compreensão da doença", salienta.

Diagnóstico

Um momento que é de grande importância é o diagnóstico, pois pode aumentar o estresse e a ansiedade. "Ao receber a notícia, a mulher se dá conta que tem uma doença incurável, que pode afetar diversos aspectos da sua vida, como o trabalho, os estudos, a vida social, o relacionamento e, para algumas, o sonho de ser mãe, por exemplo", comenta a coordenadora do Gapendi, Marília Gabriela.

Lidando positivamente com a endometriose

Os estudos também mostram que não são todas as mulheres com endometriose que irão desenvolver transtornos psiquiátricos por conta da doença. Existem fatores protetores e fatores de risco envolvidos na ansiedade e na depressão.

"Há mulheres com histórico familiar destas doenças ou que já tinham o diagnóstico anteriormente ao da endometriose. Mulheres com histórico prévio de baixa autoestima e problemas com a imagem corporal também podem ter um risco maior quando o assunto é ansiedade", comenta Dr. Edvaldo. 

Por outro lado, mulheres sem histórico familiar ou pessoal de ansiedade ou de depressão e que têm uma boa autoestima, assim como aquelas com relacionamentos afetivos estáveis podem estar mais protegidas, segundo os estudos.

Veja agora algumas dicas que podem prevenir quadros de ansiedade e depressão, assim como podem ajudar a gerenciar o estresse e a lidar melhor com a endometriose:

•          Procure ajuda: O aconselhamento de um terapeuta/psicólogo é fundamental no momento do diagnóstico e depois também. 

•          Cuide da alimentação: Há estudos que mostram que a alimentação ajuda muito no tratamento e no controle da dor. Procure um nutricionista para ajudar neste quesito. 

•          Pratique atividade física: Além de ajudar a controlar o peso, que pode aumentar por conta do tratamento da endometriose, a atividade física libera substâncias que levam ao prazer e ao bem-estar, diminuem o estresse e ajudam a controlar a ansiedade.

•          Controle a dor: Converse com seu médico. O principal objetivo do tratamento é controlar a dor e isso é possível, seja por meio de cirurgia ou de medicamentos.

•          Gerencie o estresse: encontre uma atividade que você goste de fazer, tenha momentos de lazer, pratique meditação ou qualquer hobby que ajude você a controlar a ansiedade o estresse.

•          Compartilhe sua história: Compartilhar sentimentos, angústias, história pessoal ou dúvidas com outras mulheres que têm endometriose pode ser muito bom. Além do Gapendi, há vários outros grupos espalhados pelo Brasil.

 

A pesquisa corroborou dados de vários estudos internacionais feitos ao longo dos anos, que mostraram que a endometriose pode levar ao desenvolvimento de transtornos psiquiátricos. Segundo Dr. Edvaldo, a cronicidade da endometriose é o principal fator de risco para os transtornos mentais, juntamente com a dor pélvica crônica e a infertilidade.

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