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Saúde

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Uso de dispositivos eletrônicos exige cuidados extras durante a pandemia

Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Com a pandemia, além das preocupações, dúvidas e expectativas, o que também aumentou foi o tempo de contato com os dispositivos eletrônicos. São eles, os aparelhos de celular, tablets e outros formatos, que acabam por fazer “companhia” frequente no dia a dia de muitas pessoas.

Contudo, ao considerar a premissa de que todo excesso pode causar prejuízos, quando esse comportamento é por parte do público infantil, a atenção deve ser redobrada.

A médica oftalmologista, especialista em oftalmopediatria e estrabismo, que atua no Instituto de Olhos Santa Luzia, Daniele Freitas Bica Madalozzo, comenta que muitos pais estão preocupados e procuram o atendimento médico porque desconfiam de alguns sintomas.

Segundo ela, isso tudo é muito importante em função de algumas descobertas em relação a efeitos colaterais a partir do uso inadequado dos aparelhos, que podem ir além da visão. Entre os principais problemas está o sedentarismo, a obesidade e transtornos psiquiátricos. “Como muitos estudantes utilizam as plataformas digitais para estudo, geralmente não querem contabilizar esse tempo em que ficam em frente às telinhas e, sim, desejam um tempo extra para o lazer”, assinala.

Em relação especificamente à saúde dos olhos, a oftalmologista esclarece que entre as preocupações está a síndrome do olho seco e o aumento nos índices de miopia. “A previsão, conforme os estudos, é que em 2050, metade da população tenha a doença. Em alguns casos, com alta miopia, o que pode causar problemas mais graves como o glaucoma, descolamento de retina, catarata, degeneração macular miópica, entre outros”, explica.

No que se refere a síndrome do olho seco, uma questão é que quando a criança fixa o olho no celular, por exemplo, pisca de três a cinco vezes menos do que deveria para lubrificar o olho. “O normal seria piscar, em média, 20 vezes por minuto. Como muitas crianças estão piscando menos, podem ocorrer irritações oculares ou manifestações de olho seco. Esses sintomas estão entre os mais prevalentes”, pontua.

No caso da miopia, há algumas teorias e, uma delas é que quando uma faz muita força para enxergar perto por um tempo muito prolongado, consegue focar na imagem central, mas a parte periférica fica desfocada. “Isso pode se tornar um estímulo para aumentar o tamanho dos olhos. Mas isso não são situações isoladas, tem a ver com crianças que já tem uma predisposição, às vezes tem histórico na família. Isso também chama muito a atenção: muito mais pessoas estão sendo diagnosticadas com miopia, em comparação a antigamente. Isso merece uma atenção especial, afinal, as crianças estão usando celular cada vez mais cedo”, atenta a médica.

Além disso, há outras patologias importantes como a catarata congênita, o glaucoma congênito, o estrabismo, a anisometropia, que podem gerar sequelas para toda a vida. “Como a visão se desenvolve até os sete anos, é fundamental fazer um acompanhamento, pois há situações em que os danos são irreversíveis”, ressalta.

Sobre os equipamentos

No comparativo, entre o tablet e o celular, por exemplo, a médica comenta que quanto maior a necessidade de aproximar a visão do equipamento, mais riscos estão pressupostos.

Quando for possível é indicado transmitir os conteúdos pela televisão, inclusive de sala de aula, os quais estão disponíveis nessa fase de distanciamento social.

Diagnóstico precoce

Uma das principais orientações, afirma Daniele, é fazer a primeira consulta dos seis meses a um ano de idade, momento em que, por meio da avaliação, já é possível identificar uma miopia, por exemplo. “Essa procura pelo oftalmologista vem se tornando mais frequente e orientada por muitos pediatras, inclusive. Há casos em que crianças de um ano já precisam usar óculos e isso vai fazer toda a diferença no cuidado da visão”, cita.

Há testes que podem iniciar até mesmo em casa, pedindo para a criança fechar um olho e depois o outro para verificar se há diferenças na visão. “Sozinha ela não irá perceber as dificuldades. De qualquer forma, as visitas ao especialista são essenciais, tanto para acompanhamento, como para identificar se há algum tipo de pré-disposição e também para que seja possível orientar de forma mais precisa”, destaca.

Muito além da quarentena

De acordo com a oftalmopediatra, esse reforço no cuidado da visão deve prosseguir muito além da quarentena. “A principal questão é evitar que os hábitos excessivos persistam. Após criada uma rotina é mais difícil de retirar e voltar ao normal. Sendo assim, é importante fazer intervalos, proporcionar para as crianças outras práticas que não seja somente o celular, além de cuidar o conteúdo e esse tempo dedicado a mesma atividade”, acrescenta.

A exposição aos raios solares pode estimular a produção da dopamina na retina, substância que age também no controle do crescimento ocular.  Por isso a exposição é positiva e orientada, quando possível, de uma a duas horas por dia.

Orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria

Entre as orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria está a questão de que, em crianças menores de dois anos o ideal é evitar totalmente o uso do celular; De dois a cinco anos o indicado é limitar o uso em no máximo uma hora por dia, sempre com supervisão; De seis a 10 anos o tempo seria de uma a duas horas; De 11 a 18 anos, no máximo de duas a três horas por dia e evitar que passem a noite jogando vídeo game, por exemplo; nada de telas durante as refeições e desconectar uma ou duas horas antes de dormir.