Bons hábitos e acompanhamento médico ampliam a expectativa de vida
O Grupo Bom Dia promove uma série de entrevistas ao vivo. O objetivo é debater um pouco mais sobre o impacto que o novo coronavírus traz à comunidade de Erechim e região, nos diferentes setores. No campo da saúde, toda quarta-feira é dia de live com especialistas. O projeto tem a parceria da Unimed Erechim e do Instituto Unimed.
Na quarta-feira (12), o repórter Rodrigo Finardi conversou, de modo on-line, com os médicos cardiologistas, Célio Fahl e Claudio Hiroto Kitamura. O tema central do bate-papo foi: ‘Alerta sobre os cuidados do coração’.
A entrevista começou com uma explanação de Dr. Fahl sobre os avanços registrados na área da cardiologia ao longo da história, especialmente nos últimos 33 anos. Na sequência, Dr. Kitamura explicou o que são as doenças cardiovasculares ou cardiopatia. Segundo o especialista, elas podem surgir até mesmo antes de o bebê nascer, sendo diagnosticadas por meio de exames, (cardiopatia congênita). Do mesmo modo, existe a adquirida que está relacionada, geralmente, com o estilo de vida, considerando, ainda, o fator genético.
Dr. Fahl reforça que, em todo o mundo, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte na atualidade. No RS está sendo registrada uma pequena inversão nesse sentido, no entanto, a preocupação com os cuidados é expressiva. Em meio às doenças cardiovasculares que mais deixam sequelas, está o infarto agudo miocárdio e o Acidente Vascular Cerebral. Entre essas duas, há uma doença que está diretamente atrelada que é a hipertensão arterial. “Muitas pessoas não concedem muita atenção para isso, por ser algo que não dá sintoma. Algumas observam os níveis pressóricos mais altos e não apresentam dor ou mudança aparente no estado de saúde. Contudo, sabemos que tal situação pode trazer complicações à saúde cardiovascular”, salienta.
Conforme Dr. Kitamura, atualmente existem tratamentos tão eficientes e que muitas vezes podem ser obtidos de forma gratuita. “Assim é possível prevenir e melhorar a expectativa de vida dos pacientes. Muitos só se preocupam quando precisam ir ao Pronto Socorro e estão com alguma alteração, no entanto, o desafio é manter os níveis pressóricos adequados constantemente”, frisa.
De acordo com os especialistas, de 27 a 30% da população é hipertensa. Se considerarmos Erechim, com 100 mil habitantes, 30 mil pessoas sofrem com o problema. “Vale ressaltar que essas doenças não desapareceram com a pandemia. Obviamente que compartilhamos da ideia referente aos cuidados de higienização, evitar aglomerações, manter o uso de máscara, evitar o Pronto Socorro, enfim, todas as medidas relacionadas à prevenção a covid-19. Contudo, há situações em que é essencial buscar ajuda e no Pronto Socorro há uma estrutura organizada, com medidas protetivas, com EPI’s, isolamento, os pacientes são encaminhados para alas específicas, as UTIs são separadas”, comenta Dr. Fahl.
Sinais para procurar ajuda
Os médicos citam que, em caso de dor no peito irradiada para o pescoço, braços, sudorese, palidez, falta de ar quando caminha, a orientação é se dirigir a um Pronto Socorro. “Pode ser uma angina ou um infarto, sendo que esse último tem um tempo nobre entre o início dos sintomas e o tratamento, que é muito importante para salvar vidas”, assinalam, dizendo, ainda, que dor no peito pode ser ansiedade, dor muscular, refluxo do esôfago, mas também pode ser algo mais grave.
Sendo assim, é imprescindível que os pacientes continuem seus acompanhamentos com o especialista e mantenham os tratamentos durante a pandemia.
Sintomas em homens e mulheres
A dor no peito acontece praticamente em todos os casos, no entanto, as mulheres possuem as coronárias mais finas e estão mais suscetíveis a problemas, devido ao fator emocional.
Controle da pressão
A verificação da pressão deve ser feita sempre em um ambiente tranquilo, com o paciente sentado por no mínimo 10 minutos. “Existem níveis ótimos de pressão para diferentes faixas etárias e, também, patologias. Em pacientes com histórico de infarto ou AVC, deve haver mais rigor nesse controle”, comenta Dr. Kitamura.
As diretrizes da Cardiologia apontam como ideal: 12 por 8 até 13 por 9, mas há situações diferenciadas.
Inverno e os riscos ampliados
Segundo os especialistas, o frio e as emoções fortes, não são boas para o coração. No inverno pode ser registrado aumento de infarto por meio do espasmo – fechamento das coronárias, em razão do frio, bem como pode ser desencadeado por emoções expressivas. “No inverno isso acontece de maneira crônica, pois costumamos reduzir os exercícios, mudar a alimentação e a maior parte da rotina”, acrescenta Dr. Kitamura.
Ao mesmo tempo, outras atitudes como evitar o cigarro, excesso de álcool, obesidade, gorduras saturadas e, priorizar os exercícios (independentemente do tempo) e fazer o controle rigoroso da pressão, são fatores que conseguimos modificar. “O stress é o fator que mais instabiliza o sistema cardiovascular. Vamos tentar evitar situações de angústia, e buscar alternativas, principalmente no período de isolamento social, para minimizar sofrimentos e realizar coisas que sejam prazerosas”, reitera Dr. Fahl.
Doenças cardíacas e a covid-19
A covid-19, por ser uma doença muito nova, tem conhecimento restrito, até o momento. Dr. Kitamura diz que, na fase aguda da doença, há vários casos de pessoas com miocardite. “Algo relativamente raro, mas há relatos de que o vírus acometeria o músculo do coração (miocardite viral), o que causaria o enfraquecimento e a dilatação do músculo. No entanto, ainda não sabemos exatamente como lidar com essas situações, qual o tratamento específico para as alterações, se isso voltaria ao normal depois que o paciente melhorasse ou se o comprometimento irá persistir”, explica.
Atenção
Dr. Célio faz um alerta quanto ao uso da Hidroxicloroquina, que, em sua opinião pode causar arritmias graves e fatais. “Por isso, tomar o medicamento de forma preventiva para covid-19, não é recomendado. Por outro lado, no tratamento, também é extremamente questionável, com uma tendência muito forte a não ser aceito”, completa.
Estrutura de Cardiologia
Os médicos afirmam que Erechim tem uma estrutura organizada na área de Cardiologia.
Algo que prossegue, contudo, é a busca por mais opções de tratamentos invasivos, tais como angioplastia com implante de stent na fase aguda do infarto e o implante de marca-passo. “Esses tratamentos não gerariam custos extras ao Sistema Único de Saúde, facilitaria para o paciente e não precisaria fazer esse deslocamento para outras cidades”, reforça Dr. Fahl.