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Saúde

perda auditiva

Prevenção da perda auditiva por exposição a agrotóxicos no trabalhador rural

Por PróAudi
Foto Divulgação

Atualmente, sabe-se que o Brasil é um país que tem entre a sua principal base econômica, a agricultura. São milhares de indivíduos que todos os dias trabalham com diferentes culturas em todas as regiões do país, sendo influenciados diretamente pelas características climáticas e físicas de solo.

Na região norte do Rio Grande do Sul não é diferente. Encontramos boa parte da região do alto Uruguai, tendo como principal fonte de renda a agricultura. Hoje para que haja uma boa produção com baixos índices de prejuízos nas lavouras, o uso dos agrotóxicos tem se tornado quase que indispensáveis no combate a pragas, ervas daninhas e no manejo e tratamento de sementes, o que faz com que o trabalhador rural, esteja exposto a riscos ocupacionais para sua saúde diariamente, ao ter contato com produtos químicos e também máquinas e equipamentos que possam funcionar como fontes de ruído.

Do senso de 2006, para o senso de 2017, que foi o último realizado, vemos aumento de 6% no uso dos agrotóxicos, sendo comercializados mais de 500 mil toneladas de produtos. Um aumento significante, tornando o Brasil um dos países que mais utiliza insumos no cultivo das lavouras.  Quando falamos de casos de intoxicação, o número no aumento de notificações passa do dobro neste mesmo período, sendo de 2,2 mil para 5,1 mil casos.  Destes 42%, são ocasionados por exposição ocupacional e ainda, se tiramos os casos de intoxicação intencional (suicidas e homicidas), representam a maior parte das notificações.  

No Brasil há legislações vigentes, tanto para o manejo e descarte dos agrotóxicos, como para aqueles que são permitidos a serem utilizados. Temos uma norma trabalhista especifica para o trabalhador rural, na qual prevê ações tanto por parte do empregador, como do empregado, em relação a saúde e segurança no ambiente de trabalho, o que envolve a utilização de maquinas e equipamentos, assim como agentes químicos.

Dentre os principais aspectos a serem avaliados na saúde do trabalhador rural, lembramos da audição. Nas normas trabalhistas não há diretrizes especificas para o monitoramento auditivo desse trabalhador, apenas de modo geral para aqueles expostos ao risco ruído, acima dos níveis de tolerância.

Muitos estudos falam sobre a ação dos defensivos agrícolas na saúde auditiva, protocolos de exames mostram alterações a níveis cocleares e retrococleares, assim como no processamento auditivo central e também no sistema vestibular, afetando o equilibro e coordenação espacial.

Infelizmente, os protocolos mais avançados de avaliação auditiva, não são aplicados no dia a dia, por não serem citados nas normas trabalhistas. Isso resulta no tratamento tardio, onde a falta de detecção dos indícios e alterações de forma precoce, pode trazer consequências em tudo o que implica a perda auditiva no cotidiano.

Hoje em dia o avanço da tecnologia em relação aos maquinários agrícolas, tem ajudado muito na redução do ruído. Mas ainda vemos a utilização de ferramentas que ultrapassam os limites de tolerância, principalmente aos trabalhadores que não possuem o hábito de utilizar equipamentos de proteção individual. Sabemos o quanto a utilização de produtos químicos pode influenciar na perda auditiva, inclusive potencializando, caso tenha a exposição conjunta ao ruído. Para protegermos a audição, não basta somente a utilização do protetor auditivo, mas de todos os equipamentos necessários em exposição a agentes físicos e químicos.

As consequências, vão além da perda auditiva, há influencia em todo o organismo, trazendo sintomas auditivos e extra auditivos.

Dessa forma, precisamos ter atenção a diversas situações em que o trabalhador está exposto ao agrotóxico e ao ruído e sinalizar sintomas como: dores de cabeça frequentes, zumbido, problemas gástricos, tonturas, dificuldades para entender a fala em situações ruidosas, insônia, falta de atenção, sensação de ouvido trancado, elevação da pressão arterial, entre outros.

Por isso é de extrema importância a avaliação periódica desses trabalhadores através do exame de audiometria e outros que possam ser complementares, para o monitoramento da saúde auditiva.

Em casos onde já é detectada a perda, é necessário a avaliação em conjunto ao otorrinolaringologista, para encontrar a melhor maneira e manter a qualidade de vida deste indivíduo, inclusive buscando soluções auditivas que o façam seguir uma vida ativa e ouvindo os melhores sons da vida. 

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