O céu e o inferno ou a justiça divina segundo o espiritismo (Parte II)
Purgatório
E para aqueles que nem tinham praticado o mal por completo e nem o bem, por completo?
Que lugar estaria reservado a eles?
No século VI, foi admitida pela igreja a figura do Purgatório, e consolidada sua doutrina no Século XVI. Lugar onde ficariam esses indivíduos por um tempo, até se arrependerem de seus erros; e, em se arrependendo, iriam para o Céu; caso contrário, iriam para o Inferno.
Surge, nesse momento também, a ideia da SALVAÇÃO!
Mas a ideia do purgatório, como lugar reservado à purgação das imperfeições, não está de todo equivocada, como nos esclarece Kardec.
A Terra, mundo da segunda escala evolutiva espiritual, mundo de expiações e provas é tipicamente o purgatório, onde iremos resgatar nossas dívidas passadas ou presentes.
As aflições por que passamos, refletem os equívocos e os erros que cometemos em outras existências ou mesmo nessa.
Abreviar ou prolongar a estada nesse estágio depende exclusivamente do indivíduo.
“A cada um segundo suas obras”, já afirmava o Divino Mestre.
Cristo não mencionou o purgatório, pois que essa expressão não existia à época.
Ele, diz Kardec, “...serviu-se da palavra inferno, a única usada como termo genérico, para designar sem distinção as penas futuras.” (KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno, Cap. V, item 10)
“O inferno, em sua concepção genérica – diz Kardec - despertando a ideia de punição, encerrava, implicitamente, a do purgatório, que não passa de um modo de penalidade.”
Céu
A Ciência tem revelado muitas verdades que acabaram se contrapondo às crenças.
Por exemplo:
- A Terra não é o centro do Universo;
- Existem milhões de galáxias e bilhões de planetas em um Universo que é infinito;
- No espaço, não há nem alto, nem baixo;
- O céu não está acima das nuvens, nem limitado pelas estrelas.
Poucos entenderam quando Jesus disse: “Na casa de meu Pai há várias moradas”.
Onde está o céu?
Onde está o Céu a que se referem as religiões?
Está em toda parte.
Nada lhe cerca e nem lhe serve de limites.
Os mundos felizes são aqueles onde há focos de luz e de felicidade.
Algumas religiões admitem três, sete, nove Céus, todos conforme o grau de evolução do indivíduo.
E quanto a essa questão, o espiritismo esclarece que a evolução do indivíduo como Espírito, independe do número de Céus, mas depende da proporção de suas obras no bem, que o levará à sua paz de consciência, à sua verdadeira felicidade, pois como já afirmava Jesus, “Meu reino não é deste mundo”.
Céu como estado de consciência
Somos espíritos criados simples e ignorantes, mas dotados de capacidade para tudo adquirir e progredir.
Eis a manifestação de nosso livre-arbítrio, através do qual, nas palavras de Allan Kardec, adquirem-se “...conhecimentos, novas faculdades, novas percepções e, por conseguinte, novos gozos desconhecidos aos Espíritos inferiores; eles veem, ouvem, sentem e compreendem o que os Espíritos atrasados não podem nem ver, nem sentir, ou compreender”. (KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno, Cap. III, item 6).
(Próximo tema: O CÉU E O INFERNO – PARTE III)