Da missa, só sei o...
É bastante corriqueira a expressão usada por algumas pessoas quando ficam pasmas por saberem novidades escabrosas ou cabulosas: “Da missa, só sei o sinal da cruz”, até porque, nesta Nova Desordem Mundial nada do que é novo nos impressiona mais. Na conjuntura atual só sei o: Em nome...
Para início deste texto reitero, felizmente, que fui criado em uma família tradicional, não em uma dessas configurações modernas das quais tudo, ou quase tudo é permitido. Rezar antes das refeições, ir pelo menos uma vez por semana à missa - uma prática que infelizmente se perdeu com o tempo, sem mencionar a prática de outros bons costumes e virtudes que caíram em desuso. Até mesmo a verdade está em cheque, mormente depois que Pilatos replicou a afirmação de Jesus que disse: “falei apenas a verdade”, retrucou-lhe perguntando: “o que é a verdade”?
Por extensão, poderíamos ampliar no mesmo viés e questionarmos: o que são a justiça, a honestidade, os valores, as virtudes, a família, na atualidade? Se depender das asneiras vomitadas pelo chefe-mor da nação, que foi conduzido ao cargo, “uma mentira contada várias vezes, vira verdade”. “Na política é preciso sempre encontrar um culpado” e, assim, sucessivamente vai à lista de impropérios da sua autoria.
A missa desnecessário dizer é, quiçá a celebração ápice, o ágape de todo o cristão que preza e vive de acordo com a sua fé. E, da celebração, para mim, reitero, a homilia é uma das partes precípuas, pois é o momento quando o celebrante explica a palavra de Deus, (leituras e evangelho), passando da superficialidade, do entendimento leigo, à profundidade dos textos e, não apenas isso, mas fazendo uma ponte com a realidade vigente.
Certa vez, conversando com um sacerdote sobre a problemática na época das eleições, disse-me que não se mete em “política”. Ora, ora, talvez ele não estivesse bem situado a respeito do termo e nem recordasse das tantas ações políticas que Jesus desenvolveu na sua curta vida pública, quando viveu a condição humana e se entregou à morte para a nossa remissão. Particularmente, acho que a sua observação não foi adequada e, de certa forma, uma evasiva que se confunde com a “omissão” e, esta, nós sabemos é uma forma de pecar juntamente com “palavras, atos...” que rezamos no Ato de Contrição, em todas as missas.
Em se tratando das Celebrações Eucarísticas, já me referi em outras oportunidades, me parece faltarem momentos de silêncio, de meditação, mormente após a homilia, para que a palavra de Deus explicada seja absorvida; bem como, certos instrumentalistas e vocalistas exageram nos seus volumes. O canto e a música deveriam ser enlevo espiritual e não barulho aos nossos ouvidos. Do livro Sabor, Saber, Sabedoria lembro uma passagem que diz: “O Bem não faz Barulho, O Barulho Não Faz Bem”. Do outro livro, a Essência do Silêncio, “todo o ruído, tanto físico quanto mental, é impureza e profanidade – ao passo que o silêncio e a quietude são pureza e sacralidade. Todas as coisas da natureza operam silenciosamente – e Deus é o rei do silêncio. Deus é infinitamente silencioso e quanto mais o homem se aproxima de Deus, mais silencioso se torna”. Ainda, da mesma fonte: “o silêncio-presença é o silêncio vivo e autotransformador”.
Frequentemente nos envolvemos com ambientes ruidosos que, como vimos acima, só nos causam mal-estar, estresse e ansiedade. Assim é a sociedade moderna cujas pessoas são escravas do relógio; algumas achando que vinte e quatro horas de um dia já não lhes é suficiente para desempenharem todas as suas funções. Além de escravas do relógio, são vítimas de agendas cheias de compromisso. Esquecem os bons momentos da vida e de viver. Perseguem suas metas de maneira sôfrega e quando se dão conta gastaram boa parte da sua existência em coisas passageiras. Não é por falta de admoestação, pois o livro dos livros - a bíblia exorta-nos a nos apegarmos às coisas que não passam e a esquecermos das que passam. Portanto é preciso optar, até porque cada um de nós é o fruto das nossas escolhas e que colheremos o que semeamos. Parece tão simples assim, mas não é.