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Blog do Dennis Allan

Quem não se arrependeu?

Por Dennis Allan

Esaú é citado pelo autor de Hebreus como um exemplo que não deve ser imitado: “E cuidem para que não haja nenhum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um prato de comida, vendeu o seu direito de primogenitura. Vocês sabem também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado” (Hebreus 12:16-17).

Já citei esse texto muitas vezes para alertar sobre o perigo de um coração endurecido e incapaz de se arrepender. O alerta é válido, mas melhor defendido com textos como 1 Timóteo 4:2, que avisa sobre a consciência cauterizada. É possível se entregar ao pecado ao ponto de não conseguir se reanimar para voltar para Deus.

Mas eu não acredito mais que seja esse o ponto daquele texto de Hebreus. Esaú não foi descrito como alguém com coração duro e consciência insensível. Pelo contrário, ele buscou lugar de arrependimento com lágrimas, uma explicação correta da atitude dele quando percebeu que a bênção maior foi dada para seu irmão (Gênesis 27). Parece mais provável uma outra interpretação: quem não podia se arrepender (revogar a decisão) e voltar atrás na sua palavra foi Isaque, o pai que já havia dado a bênção maior para Jacó.

A culpa ainda era de Esaú, pois ele trocou algo de grande valor por um prato de comida. O ponto é que ele não tinha poder para se livrar da consequência da decisão.

Esse caso não nega a possibilidade do arrependimento, mas ensina sobre a irreversibilidade de certas consequências. Mesmo quando nos arrependemos de decisões erradas, muitas vezes pode ser impossível nos livrar das consequências. Significa que não devemos nos arrepender? Essa conclusão seria totalmente errada, pois o ensinamento bíblico é claro sobre a importância do arrependimento dos pecados. Foi parte fundamental da mensagem pregada por Jesus (Mateus 4:17).

Jesus nos oferece perdão quando demonstramos arrependimento e aceitamos a remissão dos pecados no batismo (Atos 2:38). Ele abre a porta da reconciliação com Deus (2 Coríntios 5:18-19) para nos salvar da consequência eterna do pecado, a separação de Deus na morte espiritual: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:23).

Podemos ainda sofrer consequências nesta vida das nossas decisões erradas, mas Jesus nos oferece livramento da morte merecida por causa da nossa desobediência.

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