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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Tudo muda

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Chegou o sábado. Um bom dia para escrever minha crônica de quarta-feira. Uma manhã quente de um dia com cara de frio. Feio, para ser sincero. Feio, mas bom, porque apesar dos 25 graus, não indica que vai mudar. Um alívio nos primeiros dias do verão europeu. Inspirado no tempo, surgiu-me uma ideia: será que tudo muda?

Revisão

Não há como falar em mudança sem olhar para trás. É preciso comparar. Um ponto entre o agora e o que já passou. E foi bem o que fiz. Fui ao arquivo pessoal e revisitei as colunas que escrevi neste período, entre os junhos de 2022 e 2025. Só isso já valeu a pena, pois melhor do que querer mudar os outros, é perceber que também mudamos. Será?

2022

Em junho de 2022, quando vivia meus últimos dias em Entre Rios do Sul, publiquei “O ciclo das águas”. A crônica, não o livro, do saudoso Moacyr Scliar. Foi apenas uma licença poética. Minha coluna, uma espécie de ensaio, cheia de perguntas, tinha como questão central  saber se, caso fôssemos água, seríamos água mole ou água dura? Concluí falando de envelhecimento, do amolecimento do corpo e também do endurecimento da alma. Pensando bem, nada disso mudou. E será que minha alma está mais dura, ou mais mole? O corpo sim, passados quatro anos, teve lá os seus amolecimentos, mas isso já pouco importa quando se está mais interessado na consciência superior.

2023

Naquele tempo eu ainda me importava com os assuntos da política. Não havia passado pela libertadora experiência que um bom jejum proporciona. Hoje me sinto quase curado dessa onda de ficar vendo notícias sobre a política. Me importo com ela, mas não preciso sofrer por isso. Naquele 2023 escrevi sobre os “cookies”, que de biscoitinho (do capeta) nada têm. Enfim, os tais cookies são essa espécie de pedágio que temos de pagar quando queremos acessar algo na internet. Pequenas “permissões” que cedemos para que o nosso comportamento digital possa ser monitorado. Sabemos bem aonde isso vai dar.

2024

Minha coluna deste período dizia que “tudo o que é bom dura pouco”. Entre vários pensamentos, concluía que passar a vida fazendo planos para o “quando” não é garantia de que as coisas vão acontecer conforme pretendemos. O dia, por exemplo, dura pouco, mas é nele – e só nele – que temos a oportunidade de conseguir alguma coisa. Viver um dia de cada vez é, sem dúvidas, uma necessidade. É como diz em Eclesiastes 3:1-8: “Há um momento certo para tudo, um tempo para cada atividade debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer, tempo de plantar, e tempo de colher”.

Ano passado

Já mais perto do presente, escrevi em 2025 sobre o “reset da vida”. Ainda estava muito tocado pelo suicídio de um amigo, tema que nos traz muitos questionamentos, principalmente de culpa. Numa talvez infeliz comparação, dizia que às vezes tratamos nossa vida como se fosse um computador ou um telefone celular. Enchemos nossa cabeça com besteiras, acessamos muitos conteúdos e depois não sabemos onde deixamos a chave de casa. Mas, diferente de uma máquina, a vida não tem “reset”.

2026

É, pensando bem, percebo que andei um pouco estagnado nesses últimos cinco anos. A grande mudança, foi quando troquei o inverno pelo verão. Mudar de hemisfério, de país, é um grande desafio e viver longe da família e dos amigos requer muita disciplina. E os próximos cinco anos, o que será que me reservam? Na verdade, isso já pouco me importa. Eu quero mesmo é o presente, como este sol que resolveu aparecer. Em poucos minutos o tempo mudou. O feio ficou belo. Mesmo que não queiramos, tudo muda.

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