Uma eleição binária
Desculpe-me! Se você viu este título e pensou que teria alguma análise ou opinião sobre a votação a ser feita no segundo turno das eleições deste ano, será decepcionado. Quero usar apenas o conceito da eleição binária para chegar a uma questão muito mais importante do que a escolha do presidente que vai governar por quatro anos sobre 2,7% das pessoas vivas neste planeta.
No ambiente das eleições, ouve-se com frequência a expressão “eleição binária”, que descreve a escolha entre dois partidos, duas ideias ou dois candidatos de posições contrárias. No contexto atual, tipicamente se reduz a uma escolha entre direita e esquerda, ou no nível mais pessoal, entre candidato A e B. Em termos práticos, a função do segundo turno nas eleições é justamente para tirar os candidatos com menos apoio popular e focar a atenção do cidadão na decisão entre dois candidatos.
A mesma estratégia funciona no dia a dia. Uma mãe pode oferecer para seu filho pequeno a escolha entre alface ou brócolis, pois se colocar um cardápio de 30 itens na frente da criança, nunca vai chegar a uma decisão. No posto de combustível, a maioria dos motoristas escolha entre gasolina e etanol, talvez fazendo um cálculo rápido para decidir qual traria mais custo-benefício.
No contexto espiritual, algumas pessoas preferem circular indecisas entre diversas filosofias e religiões, mas as Escrituras sempre apresentam a escolha como uma eleição binária.
No final da sua vida, Moisés apresentou a escolha simples (Deuteronômio 30:15-20). Por um lado, a vida e o bem. Por outro lado, a morte e o mal. Ele explicou as consequências de cada escolha, mas não acrescentou outras opções.
Josué fez a mesma coisa no seu discurso de despedida, oferecendo a escolha entre o Deus verdadeiro e os ídolos (Josué 24:14-15).
Elias convidou o povo de Israel para um confronto entre Deus e os falsos deuses no monte Carmelo: “Se o Senhor é Deus, sigam-no; se é Baal, sigam-no” (1 Reis 18:21).
E no famoso Sermão do Monte, Jesus apresentou a opção de um caminho difícil que leva à vida ou outro fácil que leva à morte. Ilustrou a escolha com a história de duas casas, uma com alicerce na rocha e outra construída sobre a areia (Mateus 7:13-14,24-27).
Nossa eleição mais importante não é a escolha de um governador ou presidente, e sim a escolha entre o caminho que leva à eterna destruição e aquele mais difícil que leva à vida eterna. Escolha bem!