Com pouco mais de um ano de atividades, o Erechim Coroados tem vários motivos para comemorar. Quem diria que o grupo de amigos que jogava - sem compromisso e sem muita técnica, segundo eles próprios - em campos improvisados se tornaria o primeiro time de futebol americano da "Capital da Amizade", com direito a iniciar 2017 realizando uma seletiva de atletas e com objetivos bem definidos e realistas para uma temporada que será de crescimento e consolidação não apenas da equipe, mas da própria modalidade.
Em um país em que o futebol é considerado patrimônio, nunca foi fácil tornar populares outros esportes ditos de menor apelo popular. Mas, aos poucos, esse cenário foi mudando, e o brasileiro descobriu novas paixões, como a Fórmula 1, o vôlei, o tênis e o MMA. Desde a última década, o Brasil tem visto o crescimento do esporte da bola oval, com a criação de equipes e a formação de ligas. Fazer com que a modalidade se firme em Erechim é um dos desafios do Coroados para que, consequentemente, ele próprio também se consolide. "Muita gente acredita que esse é um esporte que não dá retorno. Eu acredito que esse ano vai mudar por que teremos mais visibilidade" afirma o presidente e right guard da equipe, Telvi Echer Junior, confirmando a vontade do clube em realizar seus primeiros amistosos a partir do segundo semestre. "Não adianta treinar, treinar e treinar e não jogar. Estamos conversando com alguns times para jogar, e nossa ideia é tentar entrar no Gauchão a partir do ano que vem", revela o presidente/jogador.
Crescimento gratificante
Com 32 atletas no grupo, o Erechim Coroados realizou, no último domingo (22), um tryout (seletiva) para adicionar novos atletas. Por ser um esporte de intenso contato físico, as lesões são frequentes, e ter jogadores "sobrando" é sempre uma necessidade. O fato de já estar organizando tryouts orgulha Telvi, que comemora a profissionalização constante da equipe. "A gente treinava numa pracinha no [bairro] Koller, de chuteira e camiseta. Agora treinamos com equipamento em um campo cedido pelo [bairro] São Vicente de Paula. É outra coisa. É gratificante ver que em um ano nós crescemos tudo isso", conta.
Coach (treinador) do Corados, Tiago Vilodre começou no futebol americano no Sinop Coyotes, do Mato Grosso. Para ele, a velocidade com que as coisas estão acontecendo para o time erechinense é bastante animadora. "A minha experiência no Coyotes mostra que a gente demoraria bem mais para estar nesse nível em que estamos. Estamos bem confiantes para 2017", avalia o treinador.
Trabalhando a técnica e o psicológico
Por maior que seja a vontade do Coroados em disputar jogos e campeonatos, Vilodre afirma que é necessário desenvolver o trabalho por etapas, aperfeiçoando não somente a técnica, mas o psicológico dos atletas. "Não adianta querer atropelar. Temos muitas limitações. Provavelmente nos primeiros jogos não vai sair a vitória, mas vai servir como experiência. E a partir dessa experiência adquirida vamos criar um know-how para virar uma equipe competitiva", destaca o coach, que vê o grupo no caminho certo para alcançar as metas estabelecidas para os próximos anos. "Ainda falta maturidade técnica, mas esse ano vai ser para afiar isso. Temos muitos atletas jovens, e essa maturidade vem com o tempo, juntamente com a competitividade", afirma Vilodre.
Orgulho da camisa vermelha
Alguns dos meninos que brincavam de jogar futebol americano em pracinhas continuaram no time e sonham em fazer história no esporte. Caso do DL (deffensive line) Leonardo Marchioro, que se dedica - assim como todo o time - não só a jogar, mas também a estudar a modalidade a fundo. "Gostava do jogo, mas não entendia muito as regras. Aí comecei a pesquisar sobre a parte técnica. Todo mundo acha que é só paulada, mas tem muita técnica", diz o jogador, que não faz questão de esconder a honra de vestir a camisa vermelha do Erechim Coroados. "Eu me sinto orgulhoso de fazer parte da equipe e de levar o nome da cidade para fora. Estamos fazendo história", completa Marchioro.