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Senegaleses promovem celebração

Por Kaliandra Alves Dias
Foto Kaliandra Alves Dias

A quarta-feira (8) foi de celebração para o povo senegalês que comemorou o Grand Magal de Touba, ritual religioso que recorda a partida para o exílio do líder espiritual Cheikh Ahmadou Bamba, ocorrida no ano de 1895. Em Erechim, mais de 40 famílias se reuniram para um dia de oração, agradecimentos e confraternização. O encontro ocorreu no salão da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, localizada no Bairro Bela Vista.

Segundo a tradição, Ahmadou Bamba lutou contra o domínio francês e a proibição do islamismo no Senegal. De acordo com o costume senegalês, a comemoração acontece no 18° dia do segundo mês do calendário islâmico, correspondente ao mês de fevereiro.

A programação iniciou às 8h da manhã com a chegada das famílias no salão comunitário. Homens e mulheres se dividiram, sendo que até às 10h o público masculino se reuniu para a leitura do Alcorão, o livro sagrado do Islã, enquantos as mulheres se juntaram para o preparo dos alimentos. Além da utilização de roupas coloridas, os senegaleses também ouviram músicas cantadas em wolof (dialeto materno do país). Após a leitura, o grupo ouviu a declaração de Khassida, que são descritos como poemas.

Entre os homens estava Modou Sar (29), que chegou ao Brasil em abril de 2014. Ele foi um dos primeiros imigrantes na região e conta que a escolha pela terra dos "bota amarela" ocorreu de forma inesperada. "Quando cheguei não conhecia ninguém. Cheguei de avião em São Paulo, comprei uma passagem errada. O destino era para ser em Passo Fundo, mas chegamos em Erechim. Ao chegar na cidade, uma brasileira nos ajudou. Aos poucos fui aprendendo a língua e hoje estou aqui", relatou. Modou é um dos principais organizadores da celebração.

Orgulhoso ao falar da comemoração, o imigrante enfatiza a importância que a data possuí para o seu povo. "Bamba nos pediu que fizéssemos três coisas no dia de hoje: orar para agradecer, ler o Alcorão e preparar comida", enfatiza Sar. O cardápio do almoço comunitário foi o churrasco. Para Sar a escolha pelo prato típico gaúcho aconteceu por causa dos convidados. "No Senegal também comemos carne. Optamos pelo churrasco porque o brasileiro gosta". O alimento preparado para a refeição foi realizado após uma arrecadação de dinheiro feito entre os próprios senegaleses. "Há dois meses nos reunimos e conversamos. Cada um fez a doação de um valor, e com esse dinheiro, compramos os alimentos", finaliza Modou Sar. Durante a tarde, novas orações foram realizadas, além de uma animação Khassida Rajaz para os imigrantes.

O evento se encerrou com uma oração de agradecimento. Assim como Touba tem o significado de felicidade, o povo senegalês mantém a sua essência e a preservação da cultura, mantendo vivo os costumes do seu povo.

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