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Papai Noel: ele existe!

Por Rosa Liberman - jornalismo@jornalbomdia.com.br

 

“A criança precisa ter sonhos e, acima de tudo, acreditar em coisas boas. E o Papai Noel é um sonho. Quanto mais tempo ela perdurar essa realidade de magia, no meu entender, por mais tempo vai persistir dentro dela a simplicidade do olhar, do querer e o crescimento de uma coisa importante que é o amor”. Esse é o pensamento de Cesar José Malicheski, 63 anos, administrador aposentado, casado com Cleusa, pai de Isadora e Natasha. Mais conhecido, há 36 anos, como o Papai Noel.

Assim, Papai Noel defende que não seja retirada da criança essa fantasia, mas deixar ela acreditar na figura do ‘bom velhinho’ pelo tempo que ela quiser, precisar e crer. Não há idade para sonhar, nem mesmo em crer na bondade e solidariedade. Esses são adjetivos da figura lendária que usa botas pretas, calça e casaco vermelhos, cinto e cajado. São os lemas de Cesar José Malicheski, que se vestiu pela primeira vez com o propósito de alegrar a véspera de Natal de algumas famílias quando tinha 19 anos. Talvez fosse para suprir a ausência do ‘bom velhinho’ em sua casa na infância. “Eu acreditei em Papai Noel até por volta dos oito anos de idade. Minha família não tinha condições de dar grandes presentes, mas não deixava passar em branco. Por conta de recursos financeiros, o Papai Noel nunca foi na minha casa, só na de meus vizinhos”. E assim seguiu até os 31 anos, quando nasceu sua primeira filha e interrompeu por quatro anos os trabalhos, retomando novamente com algo muito mais espiritual e social.

 

Ser Papai Noel

“No retomar a atividade eu descobri que ser Papai Noel era algo muito mais importante do que qualquer outra coisa. Porque através desta figura eu poderia fazer aquilo que realmente fez o padre Nicolau quando surgiu a figura do Papai Noel, na Europa. Nos Estados Unidos recebeu o nome de Santa Claus e, no Brasil e em Portugal, de Papai Noel.

Através de São Nicolau, na véspera do Natal ele pegava o dinheiro da igreja e colocava em sacos e passava durante a noite na casa dos mais pobres, arremessando-os pela chaminé das lareiras. Ele fazia isso porque eram casas em que as lareiras não estavam acesas e era o único acesso que ele tinha. E com isso surgiu à lenda de que Papai Noel chegava nas casas pela lareira”, conta.

Malicheski não sai arremessando sacolas de dinheiro, mas seu trabalho é muito semelhante. Ele presta seus serviços de Papai Noel em empresas e órgãos públicos tendo como pagamento cestas básicas. Na véspera de Natal, quando visita famílias, o valor cobrado também é revertido em cestas básicas ou mantimentos que entidades locais necessitam. E tudo o que arrecada é distribuído aos menos favorecidos. São alimentos para famílias mais carentes, doces para alegrar o Natal de uma criança. Um exemplo foram os pacotes com doces entregues no dia 15, para todos assistidos, quando foi realizada a festa no Centro Ocupacional Albano Frey. Além das cartinhas atendidas, as crianças, jovens e adultos receberam das mãos do ‘bom velhinho’ esse presente.

Fatos curiosos também aconteceram e, segundo Papai Noel, quando voltou à atividade. Em questão de dias sua barba que até então era ruiva começou a ficar branca, enquanto seus cabelos ainda não estavam grisalhos.

Quando começou já tinha barba comprida, mas utilizava o cabelo artificial de boneca para encobri-la, já que a natural era de outra tonalidade. “Mas com o tempo, por incrível que pareça, quando tinha 37 anos minha barba ficou branca”, conta. E somente 30 anos depois seus cabelos ficaram da mesma cor. Cada vez que começa a colocar a vestimenta, é um sentimento diferente. “Você recebe uma energia muito forte das crianças e cada vez tem uma mistura de emoções distintas”.

 

A solidariedade na retomada da atividade

A retomada de sua atividade, depois daquela parada por quatro anos, veio com uma consciência diferente. “Eu poderia usar o trabalho do Papai Noel para ajudar as pessoas. Em escolas e entidades meu serviço é filantrópico. Nos demais locais é com o pagamento de cestas básicas”, comenta.

“Para muitas pessoas, se transformar em Papai Noel é uma forma de ganho de vida. Mas acima de tudo, o espírito do Papai Noel é a solidariedade. Em certas entidades, sinto que para algumas crianças o único presente que vão ganhar vai ser o do dia da festa. Por isso a importância do meu trabalho nesses locais”, acrescenta.

Todo ano ele institui uma palavra de ordem e, dessa vez foi o perdão. Malicheski diz que as pessoas têm que se perdoar primeiramente, admitindo seus erros e falhas para depois perdoar os outros.

 

Natal

Para ele, o Natal deveria ser aquela regra ‘de ouro’: Não faça para os outros o que não quer que te façam. Mas não é. “O Natal é a comemoração do nascimento de Cristo e não tínhamos que nos preocupar com presentes. Essa troca deveria ser realizada em 6 de janeiro, no dia dos Reis Magos, pois dia 25 é um aniversário especial”.

 

Papai Noel

“Lembro que até por volta dos oito anos de idade eu acreditava em Papai Noel e, de certa forma, creio até hoje. “Precisamos alimentar os sonhos, os sonhos do futuro, de busca, conquista, os sonhos do passado da infância, para termos sempre forças e manter nosso coração e espírito um pouco mais flexível. O sonho é que faz com que isso aconteça”.

 

César ou Papai Noel?

“Geralmente me chamam de Papai Noel”. Fora o período natalino, César é um aposentado que gosta de fazer churrasco, viajar, e estar com a família. Também é acadêmico de Filosofia. E já foi confundido com o ‘bom velhinho’ em outras épocas do ano. Ele conta que há alguns anos, quando estava de férias em Santana Livramento, na divisa com a Argentina, vestia um abrigo vermelho com listras verdes do Clube Atlântico. Estava caminhando pela rua quando um carro passou ao seu lado e uma garotinha gritou na janela: “mãe, mãe! O Papai Noel está de férias!”. E realmente estava.

 

Pedidos realizados X solidariedade

Papai Noel afirma que qualquer sonho ou pedido pode ser realizado, depende da força da mente, do seu espírito, que emana de Deus. “Tem uma passagem no Evangelho que Jesus disse a um Apóstolo quando pediu que ele curasse um doente: ‘se você tivesse a fé do tamanho de um grão de mostarda, tu diria para aquela montanha: mova-te, e ela se moveria’. Então, tudo depende de nós. Você pode não realizar agora, mas mentalize, busque, que vai acontecer”, explica.

Com relação àquelas crianças que tiveram um bom comportamento durante o ano, mas suas famílias não têm condições de prover um presente, Malicheski diz que é preciso de mais solidariedade. E que esta não ocorra apenas nesta época. “Tem cartinhas que recebo em que a criança não pede um brinquedo para ela, mas uma roupa mais quente para sua avó que passou frio no inverno. E essa criança não reside afastada do centro, mora bem perto de nós”, conclui.

 

 

 

 

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