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Região

Corpo de jornalista que morreu no Uruguai foi cremado em Passo Fundo

Por Antonio Grzybowski
Foto Antonio Grzybowski

No fim da manhã de ontem (10) o corpo do jornalista Robson Pandolfi (31), deixou a igreja matriz do município de Mariano para ser cremado em Passo Fundo. Amigos e familiares lotaram a sede da Paróquia São Francisco de Assis para cerimônia fúnebre que durou menos de duas horas. Iniciou por volta de 9h15 e encerrou às 10h50 com o embarque do corpo em direção ao Planalto Médio, onde apenas familiares próximos acompanharam o ato de cremação realizado na parte da tarde

”Robi”, assim como era chamado carinhosamente por todos que o conheciam, morreu no início da noite de sábado (6) na praia de Solanas, localizada na cidade de Piriápolis, situada na rota entre Montevidéu a Punta del Este. A demora na liberação do corpo em solo Uruguai ampliou a angústia da família que precisou esperar mais 86 horas para realizar o sepultamento. O trâmite burocrático foi acompanhado pelo pai, Décio Pandolfi e pelo cunhado , Felipe.

Na celebração religiosa presidida pelo padre Valtuir Bolzan, pároco do município de Severiano de Almeida, foram lembrados aspectos da vida do jornalista que nasceu e morou em Mariano Moro até os 17 anos, ao lado da mãe, a professora e empresária Clara Spengler. O pai Décio Pandolfi, sócio de uma emissora de rádio e de um jornal no município de Seara, em Santa Catarina, estava com o filho na viagem de férias.

“Robson viveu 100 anos em 31”, lembrou o padre ao enaltecer as virtudes do jornalista e professor universitário. O amigo Sharle Capeletti, que tinha uma banda com Robson na década passada, lembrou que o amigo baixista não gostava de despedidas e ao invés da palavra “tchau”, dizia “vamos na saideira”.  Capeletti e mais dois amigos cantaram na despedida uma música que leva o nome de "Amigo". Antes afirmou que Robson era um amigo 100% presente na vida das pessoas.

A mãe Clara disse que o filho era apaixonado pela profissão e “sempre voltava para casa”, assim como fez no último Natal, antes de viajar para o Uruguai.

A viúva Luisa Brasil Pandollfi, contou que o casal ficou em Mariano Moro até o dia 26. Depois seguiu para a casa os pais dela, em Bagé. Robson e Luisa passaram a virada de ano sozinhos em uma propriedade rural na região da Campanha. No dia 4 de janeiro se encontraram com outros familiares e amigos e seguiram com mais 15 pessoas para o Uruguai. O período de férias seria de dez dias e o retorno estava previsto no próximo domingo (14). O casal não tinha filhos.

Sobre o afogamento

Robson Pandolfi morreu ao participar do salvamento do sobrinho Artur (8) e na tentativa de resgatar o amigo Alexandre Blankl Batista (38), morador de Viamão. Os três integravam um grupo de brasileiros que estava no Uruguai para passar as férias. Por volta de 20h30, Robson, Alexandre e a criança decidiram entrar no mar. A praia estava deserta, mas ainda havia sol. Ninguém sabe ao certo os motivos do afogamento, pois os demais brasileiros haviam ficado em seus respectivos aposentos e a única testemunha é Artur.

De acordo com o relato do sogro de Robson, o jornalista aposentado Orlando Brasil, que acompanhou o velório do genro em Mariano Moro, os três estavam brincando na água lançando o menino no espaço entre ambos. Em determinando momento, ainda conforme a versão de Brasil, Artur percebeu que não "dava mais pé" e gritou por socorro. Aproveitando o movimento das ondas, Alexandre lançou o menino para a faixa de areia, mas acabou puxado para dentro do mar. Robson avançou para socorrê-lo, mas ambos desapareceram nas águas do Oceano Pacífico nas proximidades do ponto onde desembocam as águas do Rio da Prata. Artur contou para familiares que, mesmo assustado, correu em direção dos carros para pedir socorro. Os corpos das vítimas foram localizados apenas na manhã de domingo, distante três quilômetros do local onde ocorreu o acidente. A polícia uruguaia investiga o caso.

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