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Geral

Um novo pai que ultrapassa suas origens

A figura paterna exerce um papel importante e ao mesmo tempo desafiador no desenvolvimento infantil

Gustavo Giora e o filho Pedro
Por Izabel Seehaber jornalismo@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

Amigo, confidente, companheiro. Aquele herói que proporciona carinho, orgulho e o maior amor do mundo. Assim podemos caracterizar brevemente o conceito de pai. Aquele que, independente da circunstância, exerce um papel fundamental no desenvolvimento infantil. 

No domingo será celebrado mais um Dia dos Pais e por isso nada melhor que refletir sobre a evolução das relações, a importância que eles representam no cotidiano e mais, o valor de apreciar cada instante ao lado deles. 

O conceito
O professor da Universidade Federal da Fronteira Sul, Gustavo Giora e pai do Pedro, de quatro anos, explica que uma figura paterna possui um papel que, na sociedade moderna, pode ser desenvolvido por várias pessoas. Basta pensar naqueles indivíduos que são criados apenas pela mãe, pelos avós, por algum parente, ou qualquer outra pessoa ou grupo. "A inexistência do "pai típico" não impede a existência da figura paterna, seja ela desempenhada por quem quer que seja. Da mesma forma, o papel que exercem as diferentes instâncias da função - pai real, pai simbólico, pai imaginário - dão uma pequena amostra da complexidade desse papel fundamental, segundo a psicanálise", relata. 
Por isso, segundo o professor, na atualidade ser pai é, essencialmente, um papel social, que pode ser desempenhado por uma gama de indivíduos. Contudo, geralmente, atrelada ao homem genitor da prole. "Veja, poucos se atreveriam a negar que uma mãe que cria seus filhos sozinha, pela ausência do companheiro, não exerce muitas vezes o papel de pai. Ainda assim, é amplamente reconhecido o papel do pai no desenvolvimento da criança e a interação entre pai e filho é um dos fatores decisivos para o desenvolvimento cognitivo e social", salienta. 

As transformações 
Conforme Gustavo, muitos foram os fatos que marcaram a história e a vida das pessoas, sendo que até o fim do século passado, o pai desempenhava essencialmente uma função educadora e disciplinadora, seguindo códigos frequentemente rígidos e repressivos. 
"Tal comportamento acabava por gerar uma reduzida interação entre pais e filhos, particularmente nos primeiros anos de vida. Depois da II Guerra Mundial dadas as profundas alterações na sociedade ocidental, em especial com o trabalho feminino em larga escala, o pai foi se tornando cada vez mais participativo. O trabalho da mulher e a consequente independência econômica, trouxeram novos arranjos familiares, com significativa mudança nas relações entre homens e mulheres", explica. 
Contudo, a ruptura da hierarquia doméstica e o constante questionamento de sua autoridade são elementos que podem impor ao homem-pai moderno uma luta para impedir a ampliação do vazio das relações afetivas com os filhos, herança dos modelos mais antigos. O professor afirma que essas mudanças estruturais na família e na sociedade impuseram inevitáveis transformações e trouxeram "um novo pai", que se esforça para não abandonar os valores antigos que ele vê como "fundadores do caráter", mas que se chocam com o desejo de estreitar a proximidade e os laços afetivos com os filhos para além daqueles do modelo anterior. 

 

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