A Cooperativa Central de Comercialização da Agricultura Familiar de Economia Solidária (Cecafes) participou da 3ª Conferência Internacional Agricultura e Alimentação em uma Sociedade Urbanizada (AgUrb), entre os dias 17 e 21 de setembro na Ufrgs em Porto Alegre. O evento teve como tema Alimentos saudáveis, sociodiversidade e sistemas agroalimentares sustentáveis: inovações do consumo à produção. A conferência reuniu mais de mil participantes, 170 especialistas de 36 países com apresentação de painéis, simpósios, apresentação de trabalhos científicos, relatos de experiências, saídas a campo e atividades culturais. Na ocasião, a Cecafes por meio da iniciativa da mestranda Márcia Balen Matte inscreveu um relato de experiência sobre o Projeto Laranja do Futuro, com a participação de Clamir Balen, Fernando Fornazieri e Roberto Balen. Para ser apresentado na conferência, o Projeto Laranja do Futuro teve que ser aprovado por uma comissão organizadora, sendo um dos destaques do evento.
Laranja do Futuro: projeto sustentável
Para o presidente da Cecafes, Roberto Balen, representante do cooperativismo solidário, filiado a Unicafes, a participação na conferência é motivo de muita alegria e honra, mas também de grande responsabilidade. “Estamos trabalhando para o desenvolvimento da agricultura familiar, apresentar o projeto Laranja do Futuro na AgUrb foi importantíssimo, já que é uma das maiores conferências que trata de questões diretamente ligadas ao desenvolvimento da agricultura familiar com sustentabilidade e preservando o meio ambiente”, destaca.
Roberto ressalta que o Laranja do Futuro é de fato um projeto sustentável, que vem sendo implantado com êxito, especialmente para os agricultores familiares. O projeto tem uma sistemática que gera renda para a agricultura familiar, e com pouco investimento permite ao agricultor familiar se inserir num sistema de produção limpo, sem uso de agrotóxicos.
Ele destaca também a apresentação do projeto de produção e consumo de alimentos agroecológicos de Aratiba (RS). “A Cecafes desde o ano passado já vem trabalhando a comercialização de alimentos orgânicos, essa é outra oportunidade que estamos construindo aos poucos e que vai ter muito resultado no futuro, do ponto de vista da geração de renda para agricultura familiar e também da sustentabilidade”, enfatiza.
Conforme Roberto, a conferência, que está na sua terceira edição, tem cada vez mais um significado maior, por destacar a importância da agricultura familiar e, especialmente, do cooperativismo como ferramenta da agricultura familiar no desenvolvimento, organização de suas cadeias produtivas e no processo de comercialização.
Promover a saúde através da reeducação alimentar
Segundo Márcia Balen Matte, Aratiba já tem um trabalho relevante na área da saúde e da alimentação saudável e participar da conferência foi uma maneira de mostrar tudo que vem sendo feito no município. “Alimentação saudável é sinônimo de saúde”, afirma. E, acrescenta, “como profissional da área entendo que temos a responsabilidade de promover a saúde através da reeducação alimentar”. Marcia enfatiza que hoje há graves problemas de saúde pública, inclusive em crianças, causada justamente pela má alimentação. “Obesidade e o alto índice de câncer foram assuntos que apareceram muito na conferência”, observa.
Aratiba: “estamos no caminho certo”
Para o prefeito de Aratiba, Guilherme Granzotto, a conferência foi muito importante e um dos grandes debates teve como entendimento que é por meio das pequenas cooperativas que se vai conseguir produzir alimentos saudáveis. “Fazer com que o pequeno agricultor não tenha tantos atravessadores”, observa. Outro tema que chamou muita atenção do prefeito foi a relação do câncer com o veneno utilizado nas hortaliças. “Esse é um debate que a gente quer ampliar em Aratiba”, afirma. Granzotto ressalta que a única maneira de se produzir alimentos saudáveis é por meio da agricultura familiar e das cooperativas. “Aratiba foi parabenizada pela iniciativa por estar largando na frente nesse processo”, destaca. Granzotto destaca que esse é o futuro e a “conferência nos certificou que estamos no caminho certo”.
Fortalecimento da agricultura familiar e do cooperativismo
O presidente da Unicafes/RS Gervásio Plucinski, afirma que o projeto Laranja do Futuro é fundamental em vários aspectos, na medida em que organiza a cadeia, a partir das cooperativas, e estabelece uma relação de confiança com os produtores na atividade. “A entrada das cooperativas nesse processo qualificou e deu garantias ao agricultor. Assim o produtor encontra na citricultura uma grande alternativa de renda na propriedade. Esse é um projeto que entendemos muito importante, estratégico e fundamental para nossa região porque fortalece a agricultura familiar e o cooperativismo”, ressalta.
Alimento com responsabilidade social
Segundo Douglas Cenci, coordenador geral do Sindicato Unificado dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Alto Uruguai (Sutraf/Alto Uruguai), a conferência destacou a preocupação mundial em torno da alimentação e como ela pode melhorar a saúde das pessoas. “Existe hoje toda uma preocupação como os alimentos são produzidos e preparados, toda uma concepção mundial em torno disso. Preocupação com os alimentos saudáveis e sem agrotóxicos”, afirma.
Douglas enfatiza que o projeto Laranja do Futuro, dialoga com tudo isso, proporciona um alimento de qualidade com responsabilidade social. “Olhando para os agricultores que vivem no campo, a sua saúde e também dos consumidores”. O coordenador do Sutraf Alto Uruguai observa que essa conferência é o que tem de melhor no mundo nesse ramo de alimentação e produção de alimentos. Ele comenta que no Brasil se tem discutido pouco esse assunto. “Tem se tratado a alimentação como um problema a ser resolvido e não como algo a ser pensado para melhorar a condição de saúde das pessoas através da alimentação e hábitos”, conclui.
Laranja do Futuro
O projeto Laranja do Futuro é fruto de uma parceria entre citricultores do norte do Rio Grande do Sul, através da cooperativa Cecafes e a empresa suíça Firmenich e trouxe uma nova perspectiva para mercado da laranja da região. A parceria prevê contrato inicial de 10 anos com garantia de preço mínimo e compra da laranja dos agricultores cooperantes do projeto. A laranja é utilizada como óleo essencial da fruta que se transforma em fragrâncias e aromas de milhares de produtos em todo o mundo.