Há três anos a artesã de Erechim, Jane Schmidt, se dedica há uma cultura antiga, esquecida nos dias de hoje, mas que já fez parte de muitas famílias de imigrantes: a técnica de feltragem. “A partir da lã a gente faz o feltro, que se transforma em tecido, vestuário e arte decorativa”, afirma Jane.
Para fazer a feltragem, técnica de manipulação da lã, Jane conta que foi buscar conhecimento em muitas feiras, viagens e até no exterior. “Argentina, Alemanha e Estados Unidos da América têm uma tradição grande de feltragem”, comenta.
Jane explica que não entra no processo da preparação da lã, porque a região não tem essa tradição, mas a partir desse beneficiamento se consegue fazer todo e qualquer objeto decorativo e de vestuário. “Trabalho com a lã em seu estado natural, os usos são os mais distintos, inclusive a arte decorativa, que está sendo muito usada”, afirma.
A artesã trabalha em casa no seu ateliê e é pioneira na cidade no resgate dessa técnica, nessa área. Jane tem seis alunas, que aprendem a técnica uma vez por semana, faz oficinas para as crianças poderem fazer bolinhas, guirlandas e anjinhos para o Natal. “Ensino as pessoas a técnica, que é relativamente simples, mas requer bastante dedicação”, observa.
Quem domina a técnica de feltragem faz um par de chinelos numa tarde bem trabalhada. Já a técnica de agulhamento é um pouco mais demorada, porque usa agulhas específicas para fazer os desenhos. Com a técnica do feltro molhado se processa para fazer vestimentas, coletes, casacos e, também, arte decorativa, como base para implantar a técnica da agulha. Ela comenta que já tem retorno financeiro com o seu trabalho.
Jane conta que se apaixonou pelo trabalho da lã, porque não precisa abater o animal para usar a matéria-prima que ela fornece. A lã é recomendada ecologicamente, não polui, gera muito pouco resíduo e não faz danos ao meio ambiente. “Isso são coisas que os nossos antepassados faziam, principalmente quem tem origem europeia. Os avós faziam muito essas coisas, e de um momento para outro a coisa começou a ficar tão industrializada e acabou se perdendo”, lembra. Antigamente se fazia roupas, botas e, atualmente, se está fazendo um resgate dessas culturas “mais naturais”.
A artesã participou da mostra de ovinocultura da Frinape 2018. Para ela foi muito importante para mostrar ao público que não conhece o artesanato de lã e difundir que a ovelha não é só a carne, mas tem muitos subprodutos.