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Região

Machadinho: “o turismo é transformador”

Afirmação do prefeito Hamilton sobre esse setor que injeta por ano mais de R$20 milhões no município, valor superior ao orçamento; integra cadeias produtivas; e, ainda, valoriza e resgata a autoestima do cidadão local

Complexo termal chega receber nos finais de semana mais de 10 mil visitantes
Falta de acesso asfáltico prejudica o turismo de Machadinho, diz prefeito
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller e divulgação

O município de Machadinho vem passando, nos últimos anos, por uma efetiva transformação social, econômica e cultural em função do turismo. O setor injeta anualmente na economia local mais de R$20 milhões, valor superior ao orçamento municipal. Por ano, 60 mil turistas visitam a cidade, que tem uma população de 5,5 mil habitantes.    

Segundo o prefeito de Machadinho, Hamilton Centeleghe, em alguns finais de semana, na época de veraneio, o público que visita o complexo termal, o principal ponto turístico, passa de 10 mil visitantes, o dobro da população. “Nesse ano, os recursos que entraram são superiores à receita anual do município, que está em torno de R$22 milhões por ano”, destaca.

Hamilton afirma que direta e indiretamente todo mundo ganha, houve o surgimento de uma nova cultura em que os munícipes estão aprendendo a explorar o turismo, olhando para o setor como uma oportunidade de negócio.

Ele cita o exemplo de um rapaz que comprou um ônibus, cortou a parte de cima e faz passeios pela cidade e visita as propriedades agrícolas, que também criaram outros atrativos, como trilhas para andar dentro do mato. A produção de cachaça e uma tirolesa que está em construção e vai ser a maior do sul do Brasil, em termos de extensão. Além de pontos turísticos muito bonitos.

O PIB de Machadinho gira em torno de R$135 milhões e 78% desse total vem do setor agrícola, no entanto, o setor de serviços vem crescendo a cada ano e integrando diferentes setores à cadeia turística. 

O prefeito comenta que o hotel do complexo termal oferece shows, praticamente, todos os dias para turistas e munícipes. O hotel tem em torno de 160 funcionários e a grande maioria de Machadinho, quase todos agricultores ou filhos de produtores rurais.  

O hotel também é um grande consumidor dos alimentos produzidos pelos agricultores locais. “Não se consegue atender a demanda. Eles compram peixe filetado, frango, mel, bolachas, mas querem quantidade, qualidade e regularidade”, explica.

Em função disso, a Secretaria de Agricultura, Emater e Associação de Hortigranjeiros e Agroindústrias de Machadinho estão realizando um trabalho de fomento a agroecologia, afirma Hamilton.  

“O turismo é transformador. Machadinho não é mais só um município agrícola, agora é também turístico. A agricultura agregou valor com o turismo”, ressalta.  

O prefeito enfatiza que a venda de materiais de construção aumentou, os imóveis e as propriedades valorizaram, e os produtores agrícolas estão aderindo a produção de alimentos orgânicos, agroecológicos, em função do hotel garantir a compra e pagar um preço diferenciado.  

No entanto, esclarece o prefeito, para fazer parte desse processo, é importante que o cidadão valorize o que sabe, mas também se profissionalize na área. “Abra uma empresa regularizada para prestar serviços. Tem custo, mas tem retorno”, pontua.

Machadinho tem políticas públicas para os jovens que querem permanecer no campo, um incentivo de R$3,5mil para investimento e custeio. Hamilton conta o caso de um jovem que optou por produzir porongo e fazer cuia, ele pinta e oferece aos hospedes do hotel. “O hotel e a Sicredi compraram suas cuias. Teve um evento de juventude rural e o jovem vendeu R$800 e estava satisfeito”, lembra.

Identidade

Outro reflexo do turismo, que o prefeito considera fundamental, já que era uma situação muito preocupante, foi o resgate da identidade e a valorização das pessoas. O turismo fez com que o cidadão se sentisse integrado à comunidade, também oportunizando uma alternativa de renda. “Fez ele se sentir uma pessoa novamente”, afirma.

Além disso, o turismo também está gerando benefícios na saúde das pessoas. Hamilton destaca que muitos casos de doenças ocorrem pela falta de incentivo e crescimento pessoal. “Não valho para nada”, exemplifica. “Com o turismo as pessoas começaram a prestar serviços. O turismo resgatou a autoestima das pessoas. Isso é muito visível”, enfatiza.

Associação

Em função de tudo isso, o município criou a Associação de Desenvolvimento Turístico de Machadinho (Adtm). Segundo o prefeito, a associação é muito capacitada e está retomando um projeto antigo, a Rota das Araucárias, que vai envolver os 19 municípios da Amunor. Ele destaca também a participação efetiva da Câmara de Dirigentes Lojistas de Machadinho, que é muito ativa e promove o envolvimento do comércio com o turismo.

Logística

O crescimento e os benefícios do setor ao município seriam ainda maiores se a logística não fosse um entrave. Isso porque os três principais acessos ao município não são asfaltados. Ele enfatiza que a RS 126 que liga Pinhalzinho (RS) a Maximiliano de Almeida, se fosse asfaltada, uniria duas regiões. A rodovia já tem estudo de viabilidade técnica e ambiental. “São 24 quilômetros sem asfalto. Falta só a vontade de fazer”, afirma. A RS 442 de São José do Ouro a Machadinho tem 22 quilômetros sem asfalto. A rodovia RS 208 que é uma sequencia de Maximiliano de Almeida a Machadinho, também tem 28 quilômetros sem asfalto.

Hamilton observa que 30% a 35% dos turistas que visitam Machadinho se deslocam por Barracão em estrada sem asfalto, que a prefeitura em parceria com Barracão tenta manter em dia. “A grande maioria vem uma vez e não volta”. O município recebe muitas excursões, principalmente, da região de Caxias do Sul (RS). De Erechim indo por Pinhalzinho até Machadinho são 80 quilômetros, desses 24 quilômetros são sem asfalto.

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