Ninguém aguenta mais tantas promessas, abandono, descaso, indiferença. Essa é a realidade quando o assunto é infraestrutura, acessos asfálticos, nas regiões norte e nordeste do Rio Grande do Sul. Não importa o governo, os partidos e todo o esforço feito pelos gestores públicos regionais, os municípios da região da Amau e da Amunor sempre ficam por último na fila, não fazem parte das prioridades de sucessivos governos estaduais e federais. A não ser é claro na hora de pedir o voto. Aí tudo é festa e grandes projetos e realizações. A lógica é sempre a mesma: o dinheiro sai, mas nunca volta. E, assim é ano após ano. Um exemplo bem claro disso são os cerca de cinco quilômetros da RS 477 que faltam ser asfaltados entre Carlos Gomes e São João da Urtiga. No momento, o trecho está abandonado, e o que deveria ser o suporte para o desenvolvimento social e econômico, esperado pela população há muitos anos, agora é a base sólida para muitos prejuízos e frustrações.
O prefeito de Carlos Gomes, Egídio Moreto, não acredita que a obra possa ser terminada até o final do ano. Ele esteve na semana passada em Porto Alegre, e também visitando a empresa responsável pela obra de asfaltamento na RS 477 entre Carlos Gomes e São João da Urtiga.
“O governo até pagou a empresa, só que como o período é de troca de governo, final de ano, eles não deram alguma esperança de quando vão retornar e começar as obras”, afirma.
O prefeito solicitou a empresa que pelo menos realizasse melhorias nos trechos mais danificados, onde há muita pedra pontuda e buracos. “Porque está ruim mesmo. Me prometeram que fariam o tapa-buraco, que viriam, mas não acredito que eles venham”, ressalta. E, acrescenta, “não vou botar nenhuma fé, porque já vi que eles estão me enrolando”.
Egídio comenta que esse trecho entre Carlos Gomes e São João da Urtiga tem 14 quilômetros, e falta somente cinco quilômetros de asfalto. “A minha parte eu fiz, fui a Porto Alegre, na sede da empresa, além disso pressionei, mas até agora não obtive resultado”, destaca.
Conforme Egídio, a situação é lamentável e o município está sendo prejudicado, tendo seu desenvolvimento econômico e social interrompido. “Tem empresas que gostariam de se estabelecer aqui, mas não vem por causa do acesso asfáltico. Assim, não tem como atrair novas empresas”, comenta.
Para o engenheiro civil da prefeitura de Carlos Gomes, Jacson Luiz Zaparoli, que trafega diariamente pelo local, a situação da RS 477 está bem complicada. “Está soltando a base feita de pedras pontudas. Eu já cortei o pneu duas vezes no local. Como não tem drenagem, tem partes em que a chuva abriu valas no meio da estrada, que está cheia de buracos. Está muito complicado”, observa.
O engenheiro explica que essa situação prejudica todas as pessoas que precisam passar no local. Ele cita o exemplo dos caminhões que recolhem leite e não conseguem transitar ali, tendo que fazer rotas alternativas, que encarecem os custos, aumentando a logística. Além disso, outro problema é que a prefeitura fica de mãos atadas e não consegue fazer nada, porque a rodovia é de competência do governo do estado. Se fizer pode ser de alguma maneira responsabilizada pela situação.
A rodovia RS 477 se fosse toda asfaltada faria uma importante ligação entre a região norte dos municípios da Amau e nordeste da Amunor. Um corredor para fomentar o turismo, a indústria e o comércio. No entanto, de Carlos Gomes até Erechim são mais 18 quilômetros sem asfalto e sem qualquer previsão que um dia aconteça.