O município de Centenário tem hoje cerca de 3026 habitantes e 2450 eleitores. O orçamento municipal anual gira em torno de R$13 milhões. O município é um dos que não tem acesso asfáltico no Alto Uruguai, e com isso, vê prejudicado o seu desenvolvimento econômico e social. Nessa entrevista ao Jornal Bom Dia, o atual prefeito de Centenário, Hilário José Kolassa, que já foi vice-prefeito por dois mandatos, fala sobre a sua administração e que apesar da crise e da falta de recursos, o gestor é escolhido pela população para administrar bem o dinheiro público.
Fale sobre as dificuldades de Centenário?
Assumimos com problemas o município, mas a gente sabe que uma gestão quando passa para outra sempre fica um pouco de problemas, independente de partido. Centenário é um município do interior em que 95% da renda vem da agricultura e não tem indústrias. A maior dificuldade é a falta de acesso asfáltico, que impede as empresas de se instalar aqui. Só faltam oito quilômetros de asfalto. Quando o nosso município tiver esse acesso vai poder se desenvolver melhor.
Como está a área da saúde?
Temos problemas na área da saúde, já que o governo do Estado não está repassando os recursos para o município. Aí o município tem que bancar essa diferença. Se adere aos programas do governo federal e estadual, mas no meio do caminho param de vir os recursos, e o município tem que pagar para continuar os programas. Essa é outra grande dificuldade. Mas a gente está se virando, aproveitando bem os recursos que estão vindo, que também diminuíram bastante. Então, temos que administrar o que vem. Temos uma UBS para fazer o atendimento básico, os casos mais urgentes vão para o Hospital Santa Terezinha.
Cite um exemplo?
O município de Centenário está investindo apesar da crise, conseguimos dois ônibus para o transporte escolar, comprar máquinas, caminhões e carros para a saúde. Construímos uma creche com recursos próprios. Então, a questão é administrar bem os recursos que vêm para atender a população da melhor forma possível.
Quanto é o orçamento do município?
O orçamento do município gira em torno de R$13 milhões por ano. Estamos gastando 15% dele na saúde, que é o mínimo exigido; 25% na educação e 45% com a folha de pagamento, que está menor do que estava. Assim, sobram 15% para nós investir na agricultura, em obras, reformas, compra de combustível e Cras, entre outras coisas. E estamos conseguindo fechar as contas, pagando salário em dia e também o 13º salário dos funcionários.
Qual é a marca da sua gestão?
O prefeito não administra o município sozinho, tem que ter uma equipe de confiança para fazer andar todas as secretarias. Então, seguidamente a gente se reúne com os secretários para conversar, orientar para gastar o mínimo possível, e investir dinheiro aonde for mais necessário.
O trabalho de gestão é fundamental nos municípios pequenos para conseguir fazer que o pouco dinheiro seja bem aplicado?
Com certeza. Tudo que vai comprar tem que fazer pesquisa de preços. Infelizmente o menor preço nem sempre é o melhor, às vezes, a mercadoria não é boa. Mas as leis são assim mesmo, temos que licitar.
A emenda parlamentar é importante para o município?
É importante. Sem elas não conseguiríamos comprar equipamentos para obras, máquinas, caminhões e rolo compactador. Tudo isso foi emenda parlamentar. Entre esse ano e o passado já recebemos mais de R$1 milhão, e com esses recursos é que conseguimos fazer investimentos. Sem essa verba extra, tem que trabalhar com a folha, no limite. Com os recursos que vêm só dá para fechar as contas, não sobra para fazer investimentos.
Integração regional seria um caminho para resolver o problema dos acessos asfálticos no Alto Uruguai?
A gente vem lutando junto com a Amau, tivemos várias reuniões em Porto Alegre com o secretário de Transportes. Os municípios que estão sem acesso asfáltico se juntaram, foram lá e conversaram. Tem municípios com uma quilometragem pequena para concluir o asfalto como Ponte Preta e Severiano de Almeida a Mariano Moro. No total são 11 municípios do Alto Uruguai sem acesso asfáltico. O maior trecho sem acesso é Itatiba do Sul que deve dar uns 27 quilômetros. Já se reunimos, fomos lá no ano passado e esse ano também, mas o Estado não tem dinheiro para aplicar. Temos que ir atrás e lutar para uma hora dessas a gente conseguir.
Como o senhor vê daqui para frente o Alto Uruguai?
O Alto Uruguai é uma região produtiva, tem muita diversidade na produção agrícola, aves, suínos, citros, soja, milho. A região tem tudo para se desenvolver, mas precisa de logística, acessos asfálticos. A partir daí os municípios conseguem se desenvolver mais. Precisamos de investimentos em infraestrutura, depois as coisas andam.
O que não pode faltar num político na sua visão prefeito?
O político tem que ser honesto, é escolhido pela população para administrar o dinheiro público. As pessoas acreditam nessa pessoa que se elege, e ele tem que dar o melhor de si para bem administrar os recursos que vêm para o município e para a população. E é possível dar um retorno, cuidando e gastando somente o necessário, administrando bem e fazendo o que é certo.