O amor pelo incentivo à leitura mobilizou a servidora da 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Claire Bresolin, na criação do projeto "Biblioteca me leva a outros lugares". A iniciativa viabiliza estruturas para a leitura em locais para além dos muros de instituições voltadas à educação formal.
A servidora que possui formação incompleta em Gestão Pública foi convidada a trabalhar na coordenadoria para desenvolver atividades de informatização de bibliotecas nas escolas estaduais. "Eu sempre exerci a função de secretária escolar e quando fui convidada pela ex-coordenadora da 15ª CRE, Clarisse Maronesi, conheci a biblioteca da instituição e me assustei, pois havia muitos materiais mas precisei organizá-los. Montamos a biblioteca no corredor para a sala de reuniões, para que ela ficasse em um lugar visível", contou Claire à reportagem do Bom Dia.
O espaço na instituição se tornou referência para alguns estudantes e para as crianças que acompanham os pais na CRE, que recebe diariamente pessoas da comunidade escolar. A ação de revitalização das bibliotecas ganhou os municípios de abrangência do órgão que atende 104 escolas. A iniciativa já foi reconhecida pela Câmara Municipal de Vereadores de Erechim, por meio de votos de congratulações.
Essa distinção foi o "ponta pé" inicial no surgimento das bibliotecas fora dos espaços escolares. "A ideia apareceu em uma consulta médica no Hospital Santa Mônica, em que observei o fluxo de pessoas entrando e saindo do consultório. Quando chegou minha vez o médico me parabenizou pelos votos do Legislativo e sugeri que fizéssemos uma biblioteca ali no consultório, assim, poderíamos estimular o hábito da leitura enquanto os pacientes estão aguardando", pontuou.
Com recepção positiva à sua ideia, considerando que aproximadamente 500 pessoas circulam pelo hospital, Claire foi encaminhada para o setor que a auxiliaria para viabilizar a ação. "A primeira coisa que me solicitaram foi um projeto, que no primeiro momento eu não tinha e apresentando a sugestão à Clarisse da CRE, ela apoiou a iniciativa, mas também indicou que era necessário colocar no papel todas as ideias", destacou.
Em 2016, o projeto foi organizado e a elaboração do nome já indica seu objetivo: "Biblioteca me leva a outros lugares". Para Claire, a leitura é essencial para a imaginação, criatividade e ela deve ser incentivada em todos os lugares possíveis. "A leitura é muito importante, porque ela muda as pessoas, fazendo você "viajar" a lugares que nunca visitou", argumentou.
A iniciativa já conta com seis unidades além do Hospital Santa Mônica, que são: Hospital de Aratiba, Clínica geriátrica de Barão de Cotegipe, Lar da Criança e Cantinho da Luz de Erechim e o Lar Aflorar de Entre Rios do Sul. A ação possui a orientação da coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Escolares da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), Maria do Carmo Mizetti.
Ela reforça a importância na formação de leitores. "Acredito que o projeto auxilia muito os estudantes a criarem o costume de ler. Acho que a Claire e a 15ª coordenadoria merecem todo reconhecimento pela iniciativa", declarou ao Bom Dia.
Apoio e reconhecimento
O projeto também conquistou outras pessoas e empresas que ajudam na construção da estrutura das bibliotecas. "Os livros são transferidos do Banco do Livro de Porto Alegre, mas toda a estrutura é montada com parceiros da região, que ajudam com doação de móveis e no transporte das obras", explica Claire.
Para a servidora, o que mais encanta e motiva a continuação do trabalho é como as pessoas recebem o espaço. "Quando criamos o espaço e as pessoas se mostraram encantadas, entrando e comentando como está bonito, percebendo aquele lugar como sua biblioteca, me senti muito valorizada", concluiu.
Apoio na formação de leitores
Para Clarisse, o projeto faz parte de um sonho antigo que ganhou o apoio de muitas pessoas. "Uma ação como essa já tinha sido solicitada e como faz parte do sonho da Claire, ela abraçou a ideia e viabilizou as bibliotecas. Ela foi em busca de parceiros e nós como Coordenadoria fizemos nossa parte em autorizar a realização do projeto", pontuou a ex-coordenadora regional de Educação.
Mas o diferencial do projeto, para ela, é a formação de leitores. "Quando você olha as crianças com livros na mão, independente da fase de escolarização, eles estão "voando". Nos dias atuais, é o hábito da leitura que nos prepara para a idade adulta", argumentou Clarisse.