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Geral

‘Oferecer uma experiência ao indivíduo terá peso intenso na economia’

Afirmação é do coordenador do curso de Economia da PUC-RS, Gustavo de Moraes

Para economista, se faltam recursos, líderes devem procurar atores e meios que viabilizem projetos,
Por Salus Loch
Foto Divulgação

Escolhido economista do ano de 2018 pelo CORECON-RS, o professor, doutor e coordenador do curso de Economia da PUC-RS, Gustavo de Moraes, tem a convicção de que a indústria criativa deve pautar, cada vez mais, a geração de riquezas, no Brasil e no mundo. Em entrevista ao Bom Dia, Gustavo sustenta, ainda, que conhecimentos e habilidades já se sobrepõem a diplomas; avalia o fortalecimento das bitcoins e crava: no longo prazo, investir na Bolsa de Valores é um bom negócio. Confira:

O Sr sustenta que elementos como conhecimento e habilidade são o futuro; sobrepujando a formação. Isto já está 'valendo'?

Conhecimento e habilidades em vários sentidos já apareciam como mais importantes do que formações. Há inúmeros exemplos de profissionais excepcionais sem formação acadêmica ou mesmo exercendo atividades fora de sua área de formação. No entanto, no presente e no futuro as habilidades serão mais importantes do que no presente. Habilidades relacionais e habilidades técnicas serão mais valorizadas que a formação. Não será nenhum absurdo imaginar um músico atuando com projeções econômicas ou mesmo um formado em arquitetura ser seu gerente de investimentos. Ressalto, porém, a permanência da importância do estudo e de alguma formação visto que sempre será uma ampliação dos horizontes.

Como as economias de países em desenvolvimento, a exemplo do Brasil, devem se comportar diante deste cenário de mudanças? Qual deveria ser o enfoque dos governos?

Preparar os indivíduos para absorverem as mudanças será nosso grande desafio. No intervalo pessimista, se não entregarmos isso, condenaremos milhões a pobreza, impediremos de exercer suas vocações e teremos necessidades ainda maiores de assistência social. No espectro otimista, se formos capazes de reorientar a formação para esta nova abordagem e para lidar com tecnologias bem como criar a cultura da pró atividade na formação profissional, teremos enormes vantagens competitivas. Então os profissionais preparados e flexíveis encontrarão as suas vocações e oportunidades.

O Sr também diz que devemos ser 'menos economistas, engenheiros, jornalistas, políticos' e 'mais líderes'. De que modo podemos fazer esta transição? Que tipo de líder o mundo demanda hoje?

Essa é uma observação dirigida àqueles que atuam na esfera pública. Seja na área pública formalmente, seja na comunidade. Com a escassez de recursos não se pode admitir que gestores digam que nada podem fazer. Se faltam recursos, os líderes devem procurar os atores e os meios que viabilizem os projetos, estimulando o engajamento e a participação.

Como fazer com que o trabalhador brasileiro seja mais produtivo, considerando que nossa CLT se preocupa com tendências que, com o tempo, devem se tornar ultrapassadas?

Qualificando-o. Ao qualificarmos nossos trabalhadores poderemos impregná-los de uma autonomia e independência capazes de reorientá-los para uma concepção de trabalho onde o que conta são os projetos e não o emprego/ocupação. Considero, em outros meios já manifestei-me assim, que o desafio crucial da nossa geração é aumentar a produtividade da nossa população. Isto não é permanecer mais horas no trabalho, mas trazer um resultado mais efetivo nas horas de trabalho. Várias sociedades fizeram isso no espaço de uma geração. Nós poderíamos também, creio.

Qual o peso da indústria criativa na economia do futuro? Como estimular o desenvolvimento dela no Brasil - e em que áreas?

Será cada vez maior, não há dúvidas. Primeiro porque a tecnologia permite um acesso instantâneo ao lazer e à cultura. Segundo porque na medida em que nos tornamos mais produtivos, mais tempo para o lazer haverá em nossas vidas. Então lazer, cultura, turismo, esportes, religião... enfim tudo aquilo que oferecer uma experiência ao indivíduo terá peso intenso na economia. Hoje nas principais economias do mundo, inclusive Brasil, o setor de serviços responde por cerca de 2/3. Cada vez mais com economia criativa.

Qual é o futuro das bitcoins? Os bancos convencionais tendem a sumir do mapa?

Acredito que as instituições financeiras podem ser desafiadas, especialmente no Brasil, pelas fintechs e pelo sistema cooperado, algo já latente no nosso presente. Soluções de balcão são as vantagens dessas operações logo, no limite, produzindo uma desconcentração do sistema financeiro. Já as criptomoedas tendem a ser opções de investimento que ampliarão horizontes. Os eventos recentes são produto da imaturidade do mercado com fortes oscilações de mercado e mostram antes uma consolidação do que uma inviabilidade. As criptomoedas são, ainda, investimentos com que se deve ter cautela, mas bons investimentos dentro de uma carteira geral. Contudo, ainda não se mostram generalizados enquanto meios de troca (moeda) ou em precificação (os objetos ainda não são cotados em criptomoedas). É uma longa estrada até atingir essa maturidade. O sistema financeiro saberá adaptar-se, todavia.

Por fim, o Sr afirma que, no longo prazo, aplicar na Bolsa de Valores é um bom negócio. Por quê?

A bolsa de valores é considerado um investimento de risco. Isso é verdade para um curto prazo. Acidentes podem acontecer, personalidades falecerem, sentenças serem proferidas, etc. Porém, numa tendência de longo prazo o mercado financeiro seleciona os melhores investimentos e plano de negócios e algumas empresas saem e outras entram perpetuando os melhores negócios; logo, criando uma tendência inequívoca no longo prazo: valorização. Então se seu foco é para alguns anos, financiando um projeto futuro como a faculdade das crianças, sua aposentadoria ou um imóvel... sossego!

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