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Geral

Dia das mães: data para refletir e buscar avanços

Doutoras Isabel Gritti e Sinara München avaliam jornada de múltiplas atividades e sinalizam para possibilidades a um contexto ideal

Liberdade para atuar no mercado de trabalho é uma das demandas atuais
Historiadora e professora da UFFS, Isabel Gritti
Doutora em Educação e professora da UFFS, Sinara München
Por Amanda Mendes
Foto Divulgação

Analisar o papel das mães é impossível sem considerar o contexto atual das mulheres. Essa afirmação é da historiadora e professora da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Isabel Gritti. Para ela, as reflexões não podem estar dissociadas. "Principalmente, considerando a estrutura de sociedade que estamos vivenciando, da qual oprime por meio do machismo, as mulheres e as mães, precisam ter um olhar mais privilegiado com relação ao homem, considerando a histórica exclusão", destacou Isabel. 
Neste sentido, a docente aponta que a luta das mulheres por mais espaços na estrutura social e econômica é histórica e já apresenta avanços. Contudo, ainda há o que aprimorar. "Esta luta é permanente e tivemos conquistas significativas, mas ainda estamos longe de uma condição ideal para as mulheres e para as mães, bem como, para as trabalhadoras, porque a condição de gênero interfere na relação com a sociedade", argumentou Isabel. 
Portanto, em função da estrutura social que as mulheres estão condicionadas, a historiadora destaca que algumas responsabilidades são atribuídas às mães simplesmente pelo argumento de gênero. "Os cuidados com os filhos recaem sob elas e, com isso, a jornada delas são expressivamente maiores que a dos homens. Essa situação interfere ainda, em seu acesso no mercado de trabalho, pois seus esforços serão redobrados", pontuou.
 
"Em Erechim, é preciso ampliar as vagas em creches" 
Para retornar o mundo do trabalho, outras desigualdades entre pais e mães são percebidas. De acordo com a doutora em Educação e professora da UFFS, Sinara München, esse fator pode ser observado na licença maternidade. "A questão das licenças maternidade e paternidade é um ponto importante a ser discutido, considerando que são períodos distintos e temos, atualmente, licenças em geral, de 180 dias para as mães e 20 dias para os pais, o que reflete na desigualdade de responsabilidade no cuidado com o filho", reforçou. 
Neste cenário, a busca por escolas de educação infantil tem sido intensa e aliada ao retorno das mulheres ao mercado de trabalho. No entanto, em Erechim, as famílias encontram diversas dificuldades. "Este ano houve uma defasagem de vagas na educação infantil do município, o que não é apenas uma problemática local, mas que reflete diretamente na possibilidade de atuação das mães no mercado de trabalho, pois em geral a responsabilidade do cuidado com a criança é destinada exclusivamente a elas", destacou Sinara. 
E é essa liberdade para atuar no mercado de trabalho que as professoras apontam como uma das demandas atuais das mães. "Precisa-se aprimorar a quantidade de vagas com qualidade na educação infantil, associada a defesa das licenças maternidade e paternidade ampliadas, pois se queremos uma vida de qualidade para todos isso passa pelo cuidado e apoio às mães, pais e crianças", pontuou Sinara. 
Da mesma maneira, Isabel apresenta que a demanda para ter um local apropriado ao desenvolvimento das crianças é essencial para as mães. "Elas precisam de um espaço de aprendizagem para seus filhos, de modo que ela consiga seguir acessando o mercado de trabalho, bem como, a universidade e uma qualificação profissional. Em Erechim, observo uma luta permanente dessas mães em busca de creches e como as matrículas estão restritas, ainda há dificuldades com relação a presença delas no mercado de trabalho. Entretanto, mesmo nesse cenário, as mães buscam alternativas, levando os filhos ao ambiente de trabalho e de formação, porque não temos creches públicas disponíveis à demanda e a maioria dos trabalhadores não têm condições de destinar uma porcentagem do orçamento à rede privada", complementou.

O papel do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos
Com relação ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Isabel relembra o objetivo de sua criação. "Este órgão surgiu para auxiliar e fortalecer as pautas das mulheres e das mães. É isso que esperamos desse Ministério, que ele tenha uma atenção significativa, auxiliando na construção de políticas públicas e, assim, melhorar e tornar digna a condição de vida das mulheres. Esse compromisso não pressupõe a responsabilidade de tomar as iniciativas, mas de fortalecer, pois a construção tem que ser coletiva", concluiu a historiadora. 

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