13°C
Erechim,RS
Previsão completa
Euro R$ 4,23 Dólar R$ 3,76
0°C
Erechim,RS
Previsão completa
Euro R$ 4,23 Dólar R$ 3,76

Publicidade

Região

Região se manifesta contra a proposta de reforma da Previdência

Manifestantes solicitam reforma mais justa
Atos mobilizaram centenas pessoas às ruas de Erechim
Por Amanda Mendes
Foto Amanda Mendes

"É estudante, professor e agricultor". Esse foi o "grito" que unificou essas e outras categorias que estiveram presentes nos atos realizados na sexta-feira (14), em Erechim. Vereadores, trabalhadores da iniciativa privada e até mesmo crianças do município e região manifestaram contra a proposta de reforma da Previdência. 
A vereadora Sandra Picoli (PCdoB), ressaltou que é preciso reformar o sistema de aposentadoria, contudo, de maneira justa. "Não somos contra a reforma, desde que ela seja justa e não afete ainda mais a classe trabalhadora e as pessoas mais pobres, que já estão extremamente atingidas com as últimas pautas aprovadas no Congresso". 
Para ela, o ato representa a indignação dos brasileiros. "A grandiosidade dessa ação mostra que o povo não está satisfeito com a proposta do governo. Já tivemos avanços, alguns pontos serão retirados do texto, porém ainda temos algumas categorias que serão prejudicadas pela reforma, por exemplo os trabalhadores do setor privado, comércio, indústria e empregadas domésticas. Acho que no País todo nós tivemos uma boa manifestação, com isso, espero que a gente consiga sensibilizar os parlamentares, para que possamos ter uma reforma justa", concluiu Sandra. 
A paralisação iniciou bem cedo na Capital da Amizade, com um grupo de 15 manifestantes que bloqueou o portão principal da empresa Gaurama, concessionária do transporte público de passageiros, impedindo a circulação dos ônibus. Conforme a empresa, cerca de 50 linhas não realizaram o trajeto até aproximadamente às 11h. 
A circulação de veículos ultrapassou as ruas da área urbana e cerca de 50 indígenas bloquearam o Km 35 da RSC 480, acesso para Benjamin Constant do Sul. Na BR 153 também houve manifesto. 

"Proposta atinge os mais pobres"
Em entrevista ao Jornal Bom Dia, o sociólogo Luís Fernando da Silva explicou que a proposta retira direitos, repassa a administração da aposentaria do poder público para o privado e, sobretudo, impacta de forma expressiva a vida dos trabalhadores mais pobres. "A reforma retira direitos significativos de trabalhadores rurais, principalmente dos pequenos produtores, porque eles vão ter que pagar mensalmente a Previdência, mesmo em períodos que eles não tiverem lucratividade. Além disso, os mais pobres terão que exercer a profissão por mais tempo que aqueles de classe média ou da elite, porque entram no mercado de trabalho mais jovens. Sobretudo, ela beneficia os bancos, que prevê o sistema de capitalização, deixando de ser solidário que é administrado pelo poder público, passando a ser em moldes de capitalização, com planos de previdência privada". 
Para a agricultora Iracema Kozaq, se a proposta que está tramitando for aprovada, o índice de extrema pobreza irá aumentar. "Com essa reforma terá falta de comida e possibilidades de comprar as coisas, considerando que, se não recebemos aposentadoria, não compramos remédios, alimentos, nada. Eu sou aposentada há seis anos, mas antes disso faltava até comida na minha mesa, minhas crianças passavam fome porque eu não tinha condições de trabalhar. E agora com a minha aposentadoria, eles conseguem se alimentar. Eu peço a Deus que essa reforma não seja aprovada, porque será muito triste para o País, vai ter muita miséria na população pequena, na área urbana e rural", relatou. 
A preocupação com o tempo de trabalho também é algo que motivou a mobilização. Como é o caso da professora Valquiria Scota. "Os professores estão muito prejudicados nessa proposta, nós que trabalhamos em sala de aula passaremos de 50 para 57 anos para conseguir se aposentar e para nós que começamos muito cedo, como eu que com 17 anos já estava em escolas, temos um cansaço mental e esgotamento emocional. Não é fácil trabalhar na educação, você precisa lidar, ser um "pouco psicóloga" e "assistente social", com isso, nosso poder de trabalho vai diminuindo". 
Para a diretora do 15ª núcleo do sindicato dos professores da educação básica estadual, Marisa Betiatto, o encontro representa a união dos trabalhadores. "O ato de hoje foi fundamental contra a reforma e os ataques à educação pública que estão acontecendo em todo o País. Esse encontro é o início de uma nova reestruturação de luta com a presença de professores, estudantes, operários, agricultores e trabalhadores da iniciativa privada do Alto Uruguai". 
A luta em defesa da Educação motivou o acadêmico da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Felipe Dutra. "Estou aqui porque os cortes na educação podem acabar desestruturando todas as universidades brasileiras e todo o ensino público do País, que já é ruim, mas pode piorar ainda mais". 

Opinião do prefeito 
Por meio de nota encaminha à imprensa, o prefeito de Erechim, Luiz Francisco Schmidt, se posicionou. "O País não pode parar por conta dessas reivindicações. Deve-se respeitar o direito de ir e vir das pessoas que é garantido constitucionalmente e todo o movimento perde o sentido quando desrespeita Princípios Constitucionais", afirmou.

Leia também

Publicidade

Publicidade

Blog dos Colunistas