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Deficientes com mais acesso à Carteira de motorista

Projeto de Lei obriga as autoescolas a ter veículo adaptado. Em Erechim o acesso já acontece, apenas com uma exigência: a pessoa com deficiência deve cursar as aulas e prestar as provas com seu próprio carro, desde que já esteja adaptado com suas necessidades específicas

Após sofrer um acidente, a erechinense Adriane Tessmann passou pelo processo para obter novamente a
Euzébio Santin
Por Amanda Mendes
Foto Divulgação

O sonho de conquistar a primeira habilitação perpassa o imaginário de muitas pessoas, inclusive daquelas que possuem alguma deficiência física. Mas é, sobretudo, um sonho possível. Ele pode ainda, ser mais facilitado com o projeto que está tramitando no Senado que obriga as autoescolas a terem veículo adaptado. Contudo, em Erechim o acesso já acontece, apenas com uma exigência: a pessoa com deficiência deve cursar as aulas e prestar as provas com seu próprio carro, desde que já esteja adaptado com suas necessidades específicas. 
De acordo com o diretor de ensino do Centro de Formação de Condutores (CFC) Salgado Filho, Euzébio Santin, o processo é semelhante para todas as pessoas. "O candidato vem até o CFC e encaminha o cadastro. A partir disso, faz as fotos e com as digitais será submetido ao primeiro exame médico. Nesse momento o médico vai analisar e indicar se o candidato tem a necessidade de um veículo adaptado ou não. Caso tenha, ele será encaminhado para uma junta médica que irá definir o tipo de adaptação que o veículo precisará", contou em entrevista ao Jornal Bom Dia. 
Após essa primeira etapa, o candidato realiza o exame psicológico e inicia o curso teórico para posteriormente realizar as aulas práticas. "Atualmente, o candidato faz com seu veículo. Nós ficamos responsáveis pela vinculação desse automóvel junto ao Departamento de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran) e ele fará as aulas e as provas em seu carro", complementou. 
Com relação ao projeto de lei que está em discussão no Senado, o clima ainda é de expectativa. "Enquanto está no campo da tramitação, ficamos apreensivos e aguardando, mas até não se ter uma normativa do Detran, ainda é uma expectativa. No entanto, a gente percebe com certo receio, claro que os CFC's terão que se adaptar, mas primeiro temos que observar bem certo como estará na nova lei", relatou Santin. 
A apreensão se justifica, principalmente, pela diversidade que há no universo dos deficientes físicos. "A maior dificuldade dos CFC's, hoje, é com relação aos tipos de veículos. Daqui a pouco nós teríamos que ter todos os itens de adaptação, tais como direção hidráulica, câmbio automático e caso o candidato tenha limitação nos membros superiores (braços), que os controles possam estar no lado que ele consiga manuseá-los. Esse tipo de adaptação é que dificulta muito para os CFCs, considerando que não conhecemos as realidades dos alunos que iremos receber", argumentou o diretor de ensino. 
Santin ressalta ainda, que o CFC Salgado Filho já recebeu pessoas com deficiências. "Mesmo que sejam poucas, as necessidades mais comuns são adaptação ao câmbio automático e direção hidráulica, mas esses candidatos trouxeram seus carros", concluiu. 

"A liberdade de ir e vir"
Para a cadeirante Adriane Tessmann, o acesso à habilitação é sinônimo de liberdade. "A sensação é maravilhosa, sofri um acidente de carro em 1999, estava como carona, mas antes desse episódio já dirigia há aproximadamente 15 anos, então ficar sem poder me deslocar era limitador. Após dois anos, o desejo de ampliar minha autonomia se intensificou e fui retirar a segunda carteira de motorista", pontuou à reportagem do Bom Dia. 
Segundo ela, passar pelo processo para obter novamente a habilitação, não foi complicado. "Só tive que passar por uma junta médica e com o laudo puderam identificar a adaptação que era necessária em meu caso, que era o freio e o acelerador manual. A única dificuldade é que não tem carro para aprendermos. Eu dirigi a vida inteira usando meus pés, tive que reaprender, pois agora seria só com as mãos e isso foi bem complicado. Afinal, era preciso um carro e alguém que pudesse me ensinar", complementou Adriane. 
O sentimento de liberdade da cadeirante veio acompanhado da solidariedade das pessoas. "Eu sempre recebo ajuda para retirar a cadeira de rodas, até mesmo de desconhecidos que estão passando na rua e me auxiliam", concluiu. 
Conforme publicado pelo Senado, os centros de formação de condutores deverão ter veículos adaptados para a aprendizagem das pessoas com deficiência, na medida de 1 para cada 20 da sua frota. A proposta já foi aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), mas está aguardando relatório do Fabiano Contarato (Rede/ES).  

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