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O legado de Riopardense de Macedo em Erechim – Parte III

O desenho original
E o desenho feito na Praça da Bandeira
Por Sergio Martins de Macedo
Foto Arquivo pessoal

A xilogravura e o mosaico

No artigo anterior concluí que a essência do projeto urbanístico e paisagístico de Riopardense de Macedo residia na abertura de espaços para a convivência da população, onde pudessem conversar, discutir e crescer humanamente.

Também destaquei que, apesar do fato do urbanista ter se afastado de Erechim, por motivos profissionais e familiares, antes do final da implantação do projeto, este teria sido bem implantado pela municipalidade.

Para resgatar a verdade, entretanto, há de se conhecer o comovente diálogo no encontro da pesquisadora Neusa Cidade Garcez com o urbanista, na única vez que ele retornou a Erechim, já idoso e doente, quando teve a oportunidade de ver sua obra[i]:

“O visitante ilustre era Riopardense de Macedo, historiador, paisagista, poeta, urbanista, artista plástico, arquiteto e engenheiro. Foi autor do painel original que cobre o solo da Praça da Bandeira.

O idoso e cavalheiresco senhor nos contou que o painel que projetara para a praça foi alterado no momento da confecção. O seu não era o que ali está. Para comprovar o que dizia nos apresentou cópia do original.

No momento que ele nos contou que aquele não era o seu desenho notei, no simpático senhor, um ar de tristeza a encobrir-lhe o semblante, o que me fez sentir ira por quem havia alterado seu desenho. (...)

Com didática apurada e muita paciência, Riopardense, sentado num banquinho trazido desde Porto Alegre pela esposa Leda, foi explicando e dando detalhes que nunca esqueci. Contou-nos ele que a Arte Musiva (Mosaico) como é chamada existe há séculos. Os mesopotâmios a usaram 3500 anos AC, os maias e astecas também. (...)

Abordando o Mosaico da Praça da Bandeira (...) concluiu dizendo que o desenho por ele idealizado objetivava homenagear o colono, em especial a mulher que fazia o mesmo trabalho do homem na zona rural”.

Desconhecia este texto quando recebi a imagem da xilogravura de Riopardense da mestranda Vânia Barbosa, que me enviou a imagem antes da publicação do Livro citado, encontrada no Arquivo Histórico de Erechim. O fato de estar depositada nesse Arquivo legitima obra como modelo do mosaico deixado na Cidade por seu autor para ser reproduzida no mosaico.

Realmente, como se pode ver no mosaico implantado, a figura da colona mulher foi subtraída injustificadamente. Tal fato representa um desrespeito a arte e a verdade, que era o trabalho produtivo solidário entre os homens e mulheres que colonizaram essa terra.

A diferença é que a ofensa à obra do artista foi individual, enquanto a discriminação feminina atinge coletivamente gerações de trabalhadoras que contribuíram para o desenvolvimento da cidade até hoje.

Segue no próximo artigo a análise deste fato.

 


[i] Garcez, Neusa Cidade, “O Sonho de Riopardense Concretizado no ‘Mosaico-Homenagem’ da Praça da Bandeira”. Um Mosaico sobre Erechim. 2018. Pág. 19/24

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