A Igreja Católica do Brasil com seus 123 milhões de fiéis é a maior do mundo, mas dados do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris), aponta uma queda no número de padres nos últimos anos. Segundo a CNBB para suprir toda a demanda, principalmente nas regiões norte e nordeste seriam necessários mais 20 mil sacerdotes.
De acordo com o estudo em 2018 o país tinha, 27,3 mil padres, um clérigo para 7.802 habitantes. Na Itália, por exemplo, existem um padre para mil habitantes. A proporção do Brasil fica atrás mesmo quando comparada com a de países que não são oficialmente católicos como os Estados Unidos (um padre para 6,35 mil habitantes) e a Alemanha (um padre para cada 4,5 mil). Conforme aponta o perfil traçado pelo Ceris, a maioria dos padres brasileiros vem do Sudeste (45%) e do Sul (25%) e 56% nasceram na zona rural.
Seminário de Erechim
Em Erechim, há três anos o Seminário de Nossa Senhora de Fátima, criado em 1953 e que já teve mais de 150 seminaristas na década de 1960, deixou de formar diretamente os sacerdotes pela baixa procura.
Segundo o reitor da instituição, padre Walter Girelli, aqueles que manifestam o interesse na profissão, precisam passar por oito anos de estudos, inclusive duas faculdades de ensino superior nas áreas de filosofia e teologia. “Hoje em dia nós não temos mais o Seminário Menor, onde os jovens faziam o ensino médio. Portanto os interessados vêm até aqui onde passam o período de um ano, que chamamos de propedêutico, convivem diretamente com os padres, estudam, iniciam seu projeto pastoral e no fim deste período escolhem se desejam ou não seguir este caminho”, destaca.
Lincoln Poltronieri, de 18 anos, está entre os dois meninos que estão passando pelo período do propedêutico em Erechim. Ele explica que está surpreso com a experiencia. “Para mim estar aqui foi um chamado divido, quando o jovem começa a participar da igreja, ele percebe que o sacerdócio não é de outro mundo e sim algo espetacular”, explica.
Formação
Conforme Girelli, na Diocese de Erexim a falta de padres não prejudica momentaneamente as comunidades. Neste ano foram duas ordenações de párocos da região e a previsão é que as próximas aconteçam apenas em 2021, quando se formam mais dois jovens. “Em nosso caso os meninos passam a morar no Seminário São José e fazem na UPF o curso de Filosofia, por três anos, logo após eles seguem para o estudo da Teologia, por quatro anos, no Instituto de Teologia e Pastoral (Itepa), tudo na cidade de Passo Fundo”, comenta o reitor.
Antes da ordenação o candidato ainda precisará ser Diácono, por pelo menos seis meses, onde já pode realizar casamentos, batismos, menos ouvir confissões e realizar a comunhão. “Após este período eles fazem uma solicitação para diocese de ordenação, que avalia se eles podem fazer parte do presbitério ou seja os padres da diocese”, destaca.
Idade Mínima
De acordo com o Código de Direito Canônico, existe uma idade mínima para a ordenação de padres, 25 anos. Mas não há algo que impeça homens de mais idade a também serem ordenados. “Não existe uma idade máxima, a pessoa tendo mais que 25 pode em qualquer parte da vida escolher seguir este caminho. Já tivemos caso de padres em nossa diocese que após uma idade madura decidiram seguir para o sacerdócio. Inclusive a igreja tem buscado deixar o jovem amadurecer junto a sua família e na fase adulta já fazer uma escolha segura, madura e clara”, explica Girelli.
Dever sendo cumprido
Padre Girelli, lembra que acima de tudo quem optar por ser padre precisa sentir que esta é uma vocação. “Ele tem que sentir chamado por Deus, ter gosto por este trabalho, de estar com as pessoas, fazer celebrações, acompanhamentos, aconselhamentos. Fazer todo um processo e no fim sentir-se com o dever cumprido e feliz pelo que faz”, finalizou.