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Dia Internacional da Alfabetização: avanços e desafios que ultrapassam o período de distanciamento

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Doutora em Educação e especialista em Alfabetização, Zoraia Aguiar Bittencourt
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Uma das datas que marca as reflexões e debates sobre a alfabetização é 8 de setembro.

Para a doutora em Educação e especialista em Alfabetização, Zoraia Aguiar Bittencourt, o principal avanço no campo foi a democratização do ensino para todos. Com o tempo, parcelas historicamente excluídas da sociedade puderam frequentar os bancos escolares. Ao mesmo tempo, foi quando a escola percebeu que muitas crianças não conseguiam aprender com os métodos até então utilizados, pois, para tal, precisariam ter maior contato com materiais de leitura fora da escola. “De lá para cá, esse segue sendo um dos maiores desafios da escola, mais ainda em turmas de alfabetização: mediar a construção do conhecimento da leitura e da escrita dos sujeitos que a ela recorrem, oportunizando que eles aprendam a ler, a escrever e a contar. Sendo assim, avançamos no acesso à educação, mas ainda precisamos evoluir na permanência dessas crianças na escola e na aprendizagem efetiva de todas elas”, destaca.

Impactos da pandemia

A especialista reitera que a pandemia impactou a educação de uma maneira nunca vista, até então. Crianças tiveram que ficar em casa, professores tiveram que se reinventar, escolas precisaram pensar em estratégias para estar mais próximas dos estudantes e de suas famílias. “Nesse cenário, a divisão das responsabilidades e os papéis de familiares e de educadores tiveram que ser repensados. A inauguração da inusitada realidade do ensino remoto também dividiu, com a comunidade escolar, desafios, tensões, expectativas e sentimentos. Especificamente em relação às turmas de alfabetização, estamos lidando com uma significativa ruptura da vida escolar no 1º ano do Ensino Fundamental para crianças recém-vindas da Educação Infantil que estavam em pleno processo de conhecimento de uma nova rotina escolar”, relata. Além disso, Dra. Zoraia cita que, fatores como uma inovadora transferência do ensino presencial para o ensino remoto, a desafiadora condição de trabalho dos educadores, a necessidade de um papel mediador das famílias nas tarefas escolares, a reorganização do fazer pedagógico na interface entre o novo e o velho e, especialmente, o fato das crianças terem que aprender em meio a esse difícil momento de distanciamento social, também impactam profundamente nesse momento.

Segundo a professora, tal distanciamento, apesar de oportunizar novas formas de aprender e interagir entre professores e estudantes, impede duas das mais importantes características das salas de aulas de alfabetização: o contato presencial e estabelecimento de vínculo afetivo com o professor, e a interação social com os colegas de turma. “No entanto, é preciso lembrar que a criança não aprende só na escola e que serão muitas as aprendizagens advindas desse momento em que estamos distantes, pois terão acesso a outros modos de aprender, com outras pessoas, em outros ambientes nas mais variadas situações cotidianas. Os pais estão sendo convocados a acompanhar bem mais de perto as tarefas escolares. Por outro lado, é importante que seja estabelecido um diálogo entre escolas e famílias para que essas sejam orientadas com roteiros práticos e estruturados”, explica.

Do mesmo modo, é preciso levar em consideração o grande abismo que há entre escolas privadas e escolas públicas. “Enquanto nos estabelecimentos particulares o ensino seguiu com apoio da estrutura material e tecnológica mais sofisticada, nas redes municipais e estaduais, ficaram escancaradas dificuldades que marcam diferenças socioeconômicas, impondo consequências pedagógicas que não podem ser ignoradas”, salienta Dra. Zoraia.

Mudanças que visem o avanço das práticas educacionais

Conforme a especialista, a principal mudança capaz de impactar significativamente na aprendizagem e, por consequência, na alfabetização, passa pelo investimento na formação continuada dos professores alfabetizadores. “Me refiro a uma formação contínua dos professores que estão há muito ou há pouco tempo na escola. Proponho uma formação em serviço com os colegas da escola e também em parceria com as universidades, com a participação em grupos de estudo e em cursos de extensão. Momentos que possibilitem aos professores rever algumas concepções, compartilhar práticas, conhecer diversificadas metodologias para alfabetizar as crianças e entender as novas propostas trazidas pelas mais recentes políticas de alfabetização”, ressalta.

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