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História: abril mês de rememorar Gladstone Osório Mársico

Gláucia Elisa Zinani Rodrigues, doutorada bolsista FUFP em História pela Universidade de Passo Fundo, tendo como fonte o Arquivo Histórico Municipal Dr. Juarez Miguel Illa Font, assina esse artigo de um dos maiores escritores de Erechim

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Gladstone Osório Mársico na década de 60
Por Gláucia Elisa Zinani Rodrigues
Foto Arquivo Histórico Juarez Miguel Illa Font

Erechim sempre relembra no mês de abril a memória de Gladstone Osório Mársico. A escrita de EreXim com X ou CH, ou até mesmo como diria Mársico com SS, em Gatos à paisana seria uma solução para contentar a todos quanto a grafia correta de Erechim. Gladstone desempenhou atividades como: advogado, escritor, e vereador erechinense. Nasceu em 5 de abril de 1927, no município de Erechim, na localidade hoje pertencente ao município de Viadutos.

A família

Os pais de Gladstone se chamavam Maria Carolina Osório Mársico, Fábio Sebastião Mársico. Após o casamento, o casal transferiu residência para Viadutos, onde nasceram os filhos; o primogênito Gladstone (1927), a musicista Leda Osório Mársico (1928), Lígia Mársico (1930) e Gilberto Mársico (1933), advogado. Já, residindo no centro de Erechim seu pai, Fábio Mársico trabalhou como contador e posteriormente proprietário da farmácia Erechim e da fábrica de Café Rio Azul.

Mundo das letras

O envolvimento de Gladstone Mársico com o mundo das letras foi precoce. Aos 11 anos, fundou um jornal feito a carimbo e distribuiu aos seus colegas do Colégio Catarinense, em Erechim.  A família propiciou uma formação musical aos filhos: Leda e Lígia estudavam piano e canto, e Gladstone tocava violino e apresentaram-se no auditório da Rádio Erechim, e numa outra ocasião, no Teatro São Pedro em Porto Alegre com outros corais, acompanhados pelo pianista Oswaldo Elemar Engel. Ainda na capital, cursou Ciências Jurídicas na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, iniciando o curso em 1946.

O casamento e três filhos

Em 1950 concluiu o curso de Ciências Jurídicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, na área jurídica, publicou na Revista Jurídica, de Porto Alegre, um trabalho de natureza processo civil, sob o título: Da citação nos interditos possessórios. Em 1952 casou-se com Yvone Salomoni e o casal teve três filhos: Rosângela nascida em 1953, Fabíola em 1954 e Gladstone Mársico Filho em 1955.

Um pouco da história profissional

Erechim era uma pequena cidade, e Gladstone participava e frequentava o Café Grazziotin, cinema e bares, seu último endereço situava-se na Rua Portugal, nº 119, no centro de Erechim. Na década de 50, em parceria com seu sócio, o advogado João Caruso, e posteriormente, seu irmão Gilberto Mársico, mantiveram juntos um escritório de advocacia situado na Rua Torres Gonçalves, 155, desempenhou cargo de advogado da ICA. Ainda nos anos 50, Mársico comprou o escritório de advocacia de Dr. João Caruso.

Campanhas sociais

Mársico foi sócio fundador da Associação Internacional de Lions Clube de Erechim, e atuou na gestão de 1964-1965quando foram realizadas várias campanhas sociais e em benefício ao município. Mársico possuía uma vasta clientela e mantinha atendimento prestativo aos clientes, mesmo quando estes não tinham recursos para pagar seus serviços.

 

Biblioteca com 10mil volumes

Além de ser um homem extremamente culto, investia na compra de livros, porque sua biblioteca continha mais de 10 mil volumes. Fundou um jornal de cunho trabalhista intitulado, Jornal 24 de agosto, em parceria com Paulo Emílio Nunes Garcia e seu tio Francisco Rosa Osório. Em 24/08/1954, data de falecimento do presidente da República Getúlio Vargas, que foi emitido pela rádio ZYF-7, o texto de Mársico, intitulado Último Adeus. No artigo O voto emitido pela rádio ZYF-7, revelou sua performance política, quanto ao repúdio a corrupção na compra de votos em campanhas eleitorais. Além de profissional liberal, o literato atuou na vida pública do município de Erechim como vereador, no período de (1956-1959), elaborou mais de 30 projetos de lei aprovados na câmara, e fez parte das de comissões emancipatórias dos municípios de Jacutinga e Campinas do Sul.

Gatos à Paisana

Em 1958 publicou sua primeira obra, um livro de contos intitulado Minha morte e outras vidas, prefaciado e elogiado pelo escritor Darcy Azambuja. Em 1962 publicou o romance Gatos à Paisana. No mesmo ano, em abril, no 56º aniversário de Erechim, foi homenageado na Feira do Livro, no Biênio da Colonização e Imigração. Mársico recebeu prêmios e cartas de admiradores.

Cogumelos de Outono

Sua obra de maior destaque, foi o romance Cogumelos de Outono, em 1972, o crítico literário Temístocles Linhares, em sua obra História Crítica do Romance Brasileiro (1987, s/p), considerou Cogumelos de Outono “o maior romance satírico jamais escrito entre nós”. Em outra crítica, publicada na revista Veja, sessão de Literatura, sob o título À espera do Führer (edição nº 187, de 5 de abril de 1972, p. 88), considerou Gladstone Mársico o “melhor talento satírico da nova literatura brasileira”.

Cágada

Recebeu um convite de trabalho para escrever na revista Veja, mas o recusou em função da vontade de empenhar-se na escrita da obra Furúnculo. Logo na sequência, em 1974, publicou Cágada, sua última obra em vida, tratando da imigração judaica no norte do Estado, especificamente na colônia de Quatro Irmãos. O jornal A Voz da Serra, do domingo de 30 de março de 1975, na reportagem Da mulher para a mulher, listou Gladstone Osório Mársico como um dos dez homens mais elegantes do ano de 1974. Em 1975, em Erechim recebeu o prêmio de Cidadão Benemérito.

Homenagens pós morte

Faleceu em 23/04/1976, logo após a morte surgiram homenagens de colegas vereadores e do meio jurídico, dentre os quais destaca-se: Um erechinense de exceção de autoria do amigo e confidente, Danton Hartmann, publicado em 1976.

Furúnculo

Em 1994, foi publicado o romance Furúnculo, que faz uma sátira ao poder judiciário e a justiça, sendo uma obra póstuma publicada pela doutora Vera Beatriz Sass, que foi a primeira estudiosa das obras de Mársico pelo viés científico: O satírico e o picaresco em Gladstone Osório Mársico, trata-se de análise de como Mársico faz o uso da sátira em suas obras. Vera Sass ao longo de sua vida incentivou a leitura das obras de Mársico na URI e preocupou-se em resgatar documentos de Mársico para o acervo na Biblioteca Pública Dr. Gladstone Osório Mársico.

X Feira do Livro

O jornal Boa Vista, em 27 de agosto de 2004, publicou a reportagem Erechinense-baiano, sugere construção de Vila Cágada. O colunista José Adelar Ody entrevista Sr. Feliciano Tavares Monteiro, sobre a relevância da obra Cágada e de sua importância em agregá-la ao turismo da região. Feliciano sugere a construção de um parque temático em Erechim, usando as características do livro Cágada, ou seja, uma miniatura da Vila Cágada. Em 24/10/07, foi realizada em Erechim a X Feira do Livro, no qual a patrona foi Vera Beatriz Sass e Mársico o escritor homenageado post mortem.

Riso, humor e representação

Em 2009, o Professor Mestre em Letras Adilson Barbosa produziu a dissertação Cágada: riso, humor e representação, que analisou o romance "Cágada", sob a perspectiva do humor e dos ativadores de comicidade. Em 2017, Daniele Rosa Monteiro, produziu Patrimônio documental: um estudo sobre a preservação do arquivo pessoal do Dr. Gladstone Osório Mársico, recuperou os documentos da trajetória de vida do escritor representada por seu acervo pessoal. Em 2019, a mestre em História, Gláucia Elisa Zinani Rodrigues, tratou a obra Cágada como fonte histórica produzindo a dissertação, A representação do imigrante judeu na literatura do RS: Cágada e O exército de um homem só.

Acervo das obras

Hoje, a Biblioteca Pública Municipal Dr. Gladstone Osório Mársico contém acervo de obras disponíveis para uso local e empréstimos para a população da região do Alto Uruguai, além disso, conta com uma parte documental do escritor. A memória de Gladstone Osório Mársico está viva em EreXim sua terra amada!

 

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