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Propriedade sustentável é modelo em Erechim com captação de água da chuva e energia limpa

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O chafariz que tem na propriedade também é alimentado com energia solar e água da chuva
A propriedade possui três pontos de captação de água da chuva
Em cada ponto, foi feito filtros, para eliminar 100% das partículas sólidas
A água da chuva armazenada é utilizada para regar plantas, hortas e lavar calçadas
A propriedade de mais de 3 mil metros quadrados possui mais de 80 espécies de árvores nativas e exót
Em vários lugares possuem caixas d’água, como essa de mil litros.
O maior reservatório de água da chuva, tem 16 mil litros e o bombeamento é feito através de energia
A importância da água, pode ser vista em toda a propriedade, que é muito bem cuidada de forma susten
Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

A questão ambiental tem sido cada vez mais abordada na sociedade contemporânea. Tanto que as práticas sustentáveis são essenciais para reverter os prejuízos causados à natureza. Um exemplo a ser seguido é o da família de Jandir e Marli Chiaparini, que plantam seus próprios alimentos, não usam agrotóxicos e mostram que ser sustentável é possível, coletam água da chuva e tem placas solares na propriedade.

Sistema de coleta de água com filtros

Jandir tem um sistema de coleta de água da chuva, com três pontos. Desta forma, consegue reter praticamente toda a água. Criou um filtro para eliminar as impurezas. Num primeiro momento, retém às folhas que vem do telhado. No segundo filtro, mais espeço, retira outras partículas sólidas.

20 mil litros armazenados

Desta forma, mantém 20 mil litros de água armazenada, que é utilizada para encher a piscina, regar a hora e outras dezenas de espécies que tem numa área de 3 mil metros quadrados: “desde que instalamos as cisternas, nunca mais tivemos problemas com falta de água, nem nos períodos mais quentes do verão, e nem naqueles anos que Erechim teve racionamento”, pontua Chiaparini.   

Colaborando com o meio ambiente

Os 20 mil litros estão distribuídos em quatro lugares na propriedade. Um caixa d´água com 16 mil litros, onde a energia necessária para bombear é produzida por placas solares, instaladas no telhado: “buscamos a sustentabilidade da nossa propriedade, colaborando com o meio ambiente. Todos deveriam, de maneira que possível, buscar uma maneira de se inserir nesse modelo, para garantir no futuro uma segurança para todos, tanto nos recursos hídricos, como de energia limpa”, relata.  

O cuidado da família

Em outros três lugares da propriedade, tem duas caixas com mil litros e uma com dois mil litros: “usamos a estrutura do terreno, para facilitar o serviço, e não ter desperdício”. Ele aproveitou o local onde colocou a caixa com 16 mil litros, e fez um local, onde ele e sua esposa, podem sentar para tomar um chimarrão e vislumbrar o local. Para qualquer direção que o olhar apontar, uma surpresa positiva do cuidado que a família tem com o meio ambiente.

75% de redução de consumo

Chiaparini conta que antes de instalar a captação de água da chuva, consumia em média mil litros por dia (30 mil por mês de água tratada). E hoje consome em torno de 6 a 7 mil por mês, uma redução em torno de 75%. 

O chafariz ‘sustentável’

Numa das partes da propriedade, tem um chafariz com pergolado no entorno. Chiaparini fez questão de ligar para colocá-lo e funcionamento: “a água é da chuva e a energia das placas solares. E ainda tem uns peixinhos, que não deixam se forma larvas”, relata.

40 anos

A família mora há 40 anos no local, no Bairro São Caetano em Erechim, Além de frutas de várias espécies, verduras, tem oitenta espécies de árvores nativas e exóticas de vários lugares do mundo, e uma delas centenária.  

Horta orgânica

No local tem uma horta sustentável onde são produzidos alface, radicci, couve, repolho, beterraba, cenoura, chicória, salsa, cebolinha, manjericão, manjerona, alecrim, osmarim, poejo, hortelã, entre outras plantas, além de árvores frutíferas, como a laranjeira. Parte dos canteiros estão abrigados em uma semiestufa e parte estão ao ar livre, de acordo com o tipo da planta.

Sem uso de agrotóxicos

“A nossa horta é um local de aproveitamento de espaço. Acredito que outras pessoas também tenham locais assim em seus terrenos e poderiam aproveitar para plantar umas hortaliças, uns temperos. Não existe nada melhor do que colher uma alface, um chá, direto do seu quintal. Além disso, tem o sabor das plantas. Não tem comparação. Com adubos orgânicos, sem o uso de agrotóxicos, temos uma horta saudável e sustentável”, disse Chiaparini, que utiliza a água da chuva para regá-las, não precisando utilizar água tratada.

Adubo produzido no local

Toda a produção de adubo utilizada no local é realizada na propriedade. “Utilizamos adubo de origem animal, feito com dejetos e esterco e de origem vegetal, com o terriço, que é a famosa ‘terra do mato’, onde se utiliza terra virgem, composta com a decomposição de galhos, ramos e folhas, e tudo que se acumula na superfície do solo. Ainda, fazemos a compostagem, com restos de alimentos, cascas e folhas. Tudo é reaproveitado. Nada é colocado fora. E não utilizamos nada de origem química. Até as pragas são controladas com repelentes naturais”, relatou.

Livro sobre o meio ambiente

Chiaparini, 77 anos, é aposentado, e está cursando Direito, e irá se formar no ano que vem. E divide o tempo dos estudos, e da propriedade, escrevendo seu segundo livro, onde tem relatos de profissionais de várias áreas, falando sobre o meio ambiente.  

Ajuda física e mental

O tempo dedicado à horta é considerado como uma forma de recarregar as energias pelo casal. “Nos fins de expediente, fim de semana, feriados, em tempo livre, sempre que podemos, estamos aqui trabalhando com as plantas. Procuramos conciliar esse tempo com todas as atividades. Também consideramos uma terapia poder estar em contato direto com a terra. Ainda, a atividade é considerada uma terapia. Eu diria para qualquer pessoa, que mexer com a terra, realizar o plantio é algo que ajuda na saúde física e mental. E essa energia que recebemos é uma retribuição que a planta nos dá. Realmente, é muito salutar e compensador”, relatou.

Produção 100% natural

Além do consumo próprio, os alimentos são distribuídos para os amigos e vizinhos. “Os amigos que vem nos visitar nunca saem de mãos vazia. Quando temos uma amizade procuramos cultivar como se cultiva uma planta. Também, gosto de retribuir o carinho das pessoas. E nada como um alimento produzido naturalmente para presentear os amigos”, relatou, se referindo mais uma vez a questão da sustentabilidade, desde a captação da água da chuva, produção de energia limpa (placas solares) e adubo orgânico.

A busca do equilíbrio

Além da horta, o quintal da propriedade conta com árvores centenárias, exóticas e uma diversidade de flores, como a matéria já relatou. Sobre a relação do homem com a natureza, Chiaparini afirmou que tudo na vida é como uma horta. “Tudo que se planta, se colhe. Quando não há a interferência nociva do homem na natureza, o planeta se mantém em equilíbrio. O desiquilíbrio só ocorre, tanto no reino vegetal quanto no animal, quando o homem por ganância ou até por falta de conhecimento das leis que regem a natureza, interfere no meio ambiente de uma forma indevida”, salienta Chiaparini.

Uma aula de civilidade

A visita à propriedade foi no último sábado (18). Foi um daqueles dias que fazem bem para a alma, purifica a mente e nos faz acreditar que tudo tem jeito, basta estarmos abertos para o que nos cerca. Uma aula de civilidade e como pensas no próximo  

Um local especial

O foco era a questão sustentável, e os bons exemplos mostrado por Jandir Chiaparini, mas foi inevitável não se sentir num local especial, há poucos minutos do centro da cidade, entre exemplares de carvalho, macadâmia, várias espécies de suculentas, flores, verduras, e muito mais.  Chama atenção um pé de umbu, que dá para entrar nele, onde tem vários bancos de madeira. 

O percurso

Ao longo do percurso do arboreto, Chiaparini descrevia com precisão as características de cada espécie. Conforme caminhava, olhava para os lados e sempre uma surpresa positiva. No meio do arboreto, casinha de boneca, aparelhos de ginástica, chafariz e pergolados circundando a casa. No entorno da piscina, balaústres, embelezam o terreno.

Biblioteca e pequeno museu

Além de tudo que já foi descrito, o local abriga uma biblioteca, presente em vários cômodos da casa. Numa época que não tinha internet, os livros e enciclopédias eram a única fonte de informação, além do conhecimento repassado pelos professores. Centenas de títulos, como a coleção da Barsa, Conhecer, e toda a coleção encadernada da revista Seleções Reader's Digest, para citar apenas alguns. E ainda possui um pequeno museu com peças raras. 

Aberto para estudantes

Para encerrar, Chiaparini, convida alunos das escolas de Erechim e região para conhecerem o local, e fazerem essa imersão no cuidado com o meio ambiente e os cuidados que cada u pode ter, para vivermos num mundo mais sustentável: “com a pandemia, restringimos totalmente as visitas, mas agora estamos abrindo novamente, para passar adiante o nosso conhecimento e as práticas exitosas que adotamos aqui”.

 

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