Após 50 anos, o ex-jogador Alexandre Linkiewicz rememora grandes histórias de dentro e fora dos gramados do Grêmio Esportivo Pratense
Em meio a fotografias e boas histórias, as rugas do tempo cederam espaço para dobras de um largo sorriso que tomou conta do rosto do ex-jogador Alexandre Linkiewicz na última sexta-feira (19). Em um almoço mais do que especial, além de reencontrar os amigos de campo que não via há 50 anos, ele recebeu como homenagem do município gaúcho de Nova Prata, localizado na região nordeste do estado, uma placa de agradecimento por sua atuação na história esportiva da cidade.
Para quem não o conhece, Alexandre nasceu em Gaurama em 1931. Na juventude, em Passo Fundo, enquanto estudava para se tornar técnico em contabilidade, integrou a equipe do Esporte Clube Gaúcho de Passo Fundo, no qual conquistou o título de campeão regional em 1948.
Nos anos 50, enquanto servia no Exército em Santa Maria, jogou no Esporte Clube Rio Grandense. De volta á região, em Erechim, atuou no Atlântico nas horas em que não trabalhava no antigo Banco Nacional do Comércio, experiência que não durou muito tempo, pois em 1954 foi transferido para a agência de Nova Prata.
Foi assim que Alexandre, também conhecido na época por Polaco, se aproximou do Grêmio Esportivo Pratense, fundado em 11 de fevereiro do 1955. Por sua atuação prévia no futebol, Alexandre foi convidado para integrar a primeira equipe do clube, em uma época em que se jogava por amor à camiseta e não pelo dinheiro ou pela fama. No tempo que os colegas de equipe eram mais que amigos, eram família, e que a maior vitória era a lembrança das tardes de domingo pelos campos de futebol.

Um dos maiores créditos na história do Grêmio Esportivo Pratense é de Alexandre, o primeiro gol do time, em 27 de fevereiro de 1955, em uma partida de estreia contra o Esporte Clube Brasil de Farroupilha. No jogo, o Pratense perdeu de goleada por 5 a 1, mas o feito de Polaco ficou registrado.
Alexandre esteve no time na primeira derrota e na primeira vitória, na primeira conquista e em outros tantos momentos, que ele carrega até hoje na memória e no coração. Além disso, uma das maiores conquistas que Nova Prata proporcionou para Alexandre foi um gol de placa ao conhecer Irene, vitória no amor que concedeu três grandes pontos na tabela da vida, os filhos: Fernando, Alexandre Filho e Adriana. Família, que em 1966, se despediu de Nova Prata e fez de Erechim seu novo lar.
Em 2016, 50 anos depois, as histórias de Alexandre e seus companheiros do Grêmio Esportivo Pratense serão eternizadas pelas palavras do escritor de Nova Prata, Geraldo Agustini, em um livro sobre as memórias do futebol local desde o ano de 1923. Alexandre, com um olhar agradecido e tomado por uma alegria que parecia mal caber no peito, reviveu a sensação de ter feito novamente o primeiro gol, desta vez em uma vitória de goleada contra a saudade.