O dia 25 de julho é o momento para se comemorar o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Essa data relembra o marco internacional de luta e resistência da mulher negra para reafirmar a necessidade de enfrentar o racismo e o sexismo vivido até hoje por mulheres que sofrem com a discriminação racial, social e de gênero.
Para tanto, é necessário lembrar a figura de Tereza de Benguela é, assim como outras heroínas negras, um dos nomes esquecidos pela historiografia nacional, que, nos últimos anos, devido ao engajamento do movimento de mulheres negras e à pesquisa ou ao resgate de documentos até então não devidamente estudados, na busca de recontar a história nacional e multiplicar as narrativas que revelam a formação sociopolítica brasileira.
Conheça a história
O local de nascimento de Tereza de Benguela é desconhecido. Ela pode ter nascido em algum país do continente africano ou no Brasil, mas sua vida faz parte da história pouco contada do Brasil.
Tereza viveu no século XVIII e foi casada com José Piolho, que chefiava o Quilombo do Piolho até ser assassinado por soldados do Estado. O Quilombo do Piolho também era conhecido como Quilombo do Quariterê (a atual fronteira entre Mato Grosso e Bolívia). Esse quilombo foi o maior do Mato Grosso.
Com a morte de José Piolho, Tereza se tornou a líder do quilombo, e, sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas.
O Quilombo do Quariterê abrigava mais de 100 pessoas, com destacada presença de negros e indígenas. Tereza navegava com barcos imponentes pelos rios do pantanal. E todos a chamavam de “Rainha Tereza”.
O Quilombo, território de difícil acesso, foi o ambiente perfeito para Tereza coordenar um forte aparato de defesa e articular um parlamento para decidir em grupo as ações da comunidade, que vivia do cultivo de algodão, milho, feijão, mandioca, banana, e da venda dos excedentes produzidos.
Tereza comandou a estrutura política, econômica e administrativa do quilombo, mantendo um sistema de defesa com armas trocadas com os brancos ou roubadas das vilas próximas. Os objetos de ferro utilizados contra a comunidade negra que lá se refugiava eram transformados em instrumentos de trabalho, visto que dominavam o uso da forja.
Além da data comemorativa, a rainha Tereza foi homenageada nos versos da escola de samba Unidos do Viradouro, com o enredo da agremiação de 1994, cujo título é ‘Tereza de Benguela – Uma Rainha Negra no Pantanal’.
Monique Rosset
De acordo com a psicóloga Monique Rosset, Tereza de Benguela tem grande importância histórica por ser um símbolo da liderança negra feminina e da resistência dos povos escravizados no Brasil, também uma referência de luta para todas as mulheres negras contra o racismo e questões de gênero.
“É através dessa figura que hoje homenageamos todas as Mulheres Negras, que continuam sendo guerreiras e protagonistas, na vida, nos seus lares, no seu trabalho, na educação, na ciência, na política, na comunidade como um todo. Ser mulher em nossa sociedade é difícil, ser mulher e negra é uma dupla batalha, mas temos muitas “Terezas” por aí que precisam ser olhadas e valorizadas no papel fundamental que realizam nas engrenagens sociais”, garante.
“Enquanto houver discriminação, desigualdade em função de gênero, violência e racismo, como diz o samba enredo da Viradouro de 1994, em nós Mulheres Negras: “A Luz de Tereza não se apagará”
Programação em Erechim dia 28
Exposição, Intervenções poéticas, Brechó, Roda de conversa sobre saúde mental de mulheres negras, Pocket show: kety Mc, Flash tatoo com Blue Leidi, DJ: Cordelia. Local molotov bar, Rua Sergipe número 31, Horário: 13:00