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Ensino

30 anos do Arboreto do Alto Uruguai reforçam história de preservação e educação ambiental

Evento em Barão de Cotegipe reuniu autoridades, professores e estudantes do Colégio Agrícola Estadual Ângelo Emílio Grando para marcar três décadas de pesquisa e ensino técnico voltados ao meio ambiente

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30 anos do Arboreto do Alto Uruguai reforçam história de preservação e educação ambiental.jpeg
30 anos de história, cerimônia no povoado Sérvia reuniu autoridades, professores e comunidade.jpeg
Estudantes apresentam espécies nativas e exóticas durante o Dia de Campo Arboreto.jpeg
Por Gabriela de Freitas
Foto Gabriela de Freitas

A comunidade do povoado Sérvia, em Barão de Cotegipe, recebeu a cerimônia que marcou os 30 anos do Arboreto e da Floresta Demonstrativa do Alto Uruguai. A atividade foi promovida pelo Colégio Agrícola Estadual Ângelo Emílio Grando e reuniu autoridades, professores, alunos e parceiros institucionais em uma manhã dedicada ao meio ambiente e à educação rural.

O evento teve o apoio da Emater, Embrapa, URI Erechim, Prefeituras de Barão de Cotegipe e de Erechim, Rotary Club, Uniprime, Ervateira Barão e da comunidade local.

Origens e importância

Criado em 5 de junho de 1996 — Dia Mundial do Meio Ambiente — o Arboreto foi implantado em uma área de quatro hectares, com o objetivo de servir como espaço de ensino, pesquisa e manejo sustentável. É reconhecido como o primeiro do gênero no estado e um dos pioneiros do país. Idealizado pelo professor Valdecir Balestrin e pelo engenheiro florestal Roberto Magnus Ferron, contou com a participação voluntária de docentes, estudantes e moradores da comunidade. Hoje, abriga mais de 200 espécies de árvores, entre nativas, exóticas e exemplares em risco de extinção.

A Floresta Demonstrativa foi implantada em 6 de outubro de 1995, com três objetivos principais: educativo, ecológico e econômico.

Palavras que marcam

Durante a abertura, o diretor do colégio, professor Orlando Klimaczewski, mencionou o simbolismo da data e o trabalho coletivo que mantém o projeto ativo. “Enquanto muitos pensam em derrubar árvores, nós as plantamos. Celebrar o Arboreto é celebrar a vida e a continuidade de um trabalho que ultrapassa gerações”, afirmou.

O vice-diretor Valdecir Balestrin, um dos idealizadores, recordou o início do projeto, construído de forma comunitária e sem recursos públicos. “Cada família ajudou com o que podia, e foi assim que conseguimos formar esse espaço de aprendizado e convivência. O arboreto é um exemplo de como a união pode transformar uma ideia em um patrimônio”, disse.

Programação especial

A solenidade contou com a presença de autoridades municipais, regionais e de instituições parceiras. A programação teve início com a abertura oficial, seguida pela saudação das autoridades. Na sequência, foram realizadas homenagens aos pioneiros e parceiros, apresentação musical dos estudantes do Colégio Agrícola e a palestra “Fitoterapia e saúde natural”, conduzida pelo padre Ivacir João Franco. O engenheiro Roberto Ferron também compartilhou a história de criação do primeiro Arboreto do Alto Uruguai, relembrando os primeiros passos do projeto.

Dia de Campo e aprendizado prático

À tarde, as atividades continuaram com o Dia de Campo, que apresentou 30 projetos de alunos sobre cultivo, fenologia e nomenclatura científica de diferentes espécies. Participaram estudantes do primeiro e do segundo ano, especialmente da disciplina de Silvicultura, responsáveis por expor espécies escolhidas entre mais de 200 existentes no local. Entre as ações desenvolvidas estão o incentivo ao plantio de árvores e a propagação de sementes, com estudo dos períodos adequados de colheita. As sementes passam por processos como a estratificação — abertura e lixamento do tegumento, no caso da paineira — e são cultivadas na horta da instituição. As mudas resultantes são replantadas no arboreto ou doadas à comunidade, como ocorre com as de jabuticaba.

Espécies em destaque

No Dia de Campo Arboreto, os estudantes do segundo ano se dividiram em grupos para apresentar espécies como pinheiro brasileiro, angico, jabuticaba, araçá, ipê prata, ipê roxo, aleluia, caroba, espinheira-santa, corticeira, goiaba, pinheiro-bravo, cereja, pitanga, uvaia, canafístula, timbaúva, grapia, erva-mate, pinus patula, cinamomo gigante argentino, cabriúva, guaviju, grevílhea, paineira, eucalipto dunni, guapuruvu, cangerana, eucalipto camaldulensis e eucalipto grandis.

Patrimônio vivo

O Arboreto do Alto Uruguai abriga espécies como araçá, plátano, quaredeira, caneira e espinheira-santa, todas identificadas com placas individuais. O espaço foi planejado com árvores plantadas em linhas, respeitando o porte de cada espécie. O eucalipto mais antigo, plantado há 30 anos e dois dias, marca o início do projeto. Algumas espécies, como o carvalho europeu, necessitam de replantio periódico.

Um espaço de convivência e estudo

No centro da área há um quiosque utilizado para encontros e eventos. A diversidade de flores e frutos favorece a presença de abelhas e de animais silvestres, contribuindo para o equilíbrio ambiental. O manejo inclui o controle de formigas, realizado semanalmente, e o monitoramento de fungos e parasitas que afetam o desenvolvimento das árvores. Pesquisas desenvolvidas no local também observam fungos e líquens como indicadores da qualidade do ar.

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