Na manhã de sexta-feira, 10 de outubro, a Secretária de Estado da Educação, Raquel Teixeira, esteve em Erechim, participando de um encontro com diretores das escolas estaduais da região. O evento ocorreu na Villa Trentin e teve como objetivo fortalecer o diálogo e o alinhamento das diretrizes educacionais entre a Secretaria e as escolas da 15ª CRE.
Cenário educacional e desafios do Rio Grande do Sul
Durante o encontro, a secretária destacou que, embora o Rio Grande do Sul tenha apresentado avanços em todos os índices educacionais nos últimos dez anos, o progresso ainda é considerado lento. Segundo ela, o desafio é aumentar a intensidade da aprendizagem e garantir que “ninguém fique para trás”.
“Os resultados foram muito ruins, mas não temos medo da verdade. Só é possível melhorar aquilo que se enxerga”, afirmou, ao comentar o desempenho da rede estadual na avaliação diagnóstica aplicada após a pandemia e os eventos climáticos de 2024.
Entre os principais problemas apontados estão a desigualdade entre escolas, a reprovação e o abandono escolar. O estado registra as maiores taxas de evasão e o maior número de reprovações do país, além de manter a maior lacuna de aprendizagem entre crianças brancas e negras no Brasil.
Raquel ressaltou ainda que o custo social da evasão escolar é elevado. Cada jovem que não conclui o Ensino Médio representa um prejuízo de cerca de R$ 395 mil, somando perdas de renda e gastos públicos em áreas como saúde, segurança e assistência social.
“Hoje o estado gasta R$ 12,6 bilhões por conta dos jovens que não terminam o Ensino Médio. E 86% da população que cursa essa etapa está na rede estadual. Isso mostra o tamanho da nossa responsabilidade”, pontuou.
Impacto das mudanças climáticas na aprendizagem
As crises climáticas também foram apontadas como fator de impacto direto na aprendizagem. A secretária lembrou que, em 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou a maior queda de alfabetização do país — 18 pontos em relação ao ano anterior —, resultado atribuído à suspensão das aulas durante enchentes que atingiram o estado por até dois meses.
“Não podemos usar o clima como justificativa para negligência escolar. Eventos climáticos continuarão a ocorrer. O desafio é aprender a conviver com eles e manter a qualidade e a regularidade do processo educativo”, disse.
Além das questões ambientais, Raquel Teixeira destacou o envelhecimento acelerado da população gaúcha, com 115 idosos para cada 100 crianças de 0 a 14 anos, número bem acima da média nacional.
A 15ª CRE de Erechim como referência estadual
A secretária elogiou o desempenho da 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), com sede em Erechim, que foi a melhor entre as 30 regionais do estado no SAEB 2023. A regional figurou entre as três primeiras posições em todas as etapas avaliadas — anos iniciais, anos finais e Ensino Médio —, sendo reconhecida também pela redução das desigualdades entre escolas.
“A 15ª é a mais homogênea e a única que apresentou menos desigualdade. Isso mostra que é possível garantir equidade e bons resultados”, afirmou Raquel.
A coordenadora regional, Juliane Bonez, explicou que o desempenho é resultado da aplicação rigorosa do Ciclo de Governança, ferramenta que integra gestão pedagógica e administrativa.
“Nenhuma escola fica para trás. O ciclo envolve todas as instituições, inclusive as do campo e as indígenas. Trabalhamos com metas registradas em atas e acompanhamos o desenvolvimento mês a mês”, destacou Bonez.
Gestão e experiências das escolas
A diretora Maria Angélica Bonesa Broz, da Escola Estadual de Ensino Fundamental Ângelo Granzoto, de Sananduva, relatou que o Ciclo de Governança tem contribuído para melhorar o acompanhamento escolar.
“Através da plataforma RS Gestor conseguimos ver se o professor registrou aula, acompanhar a frequência dos alunos e avaliar os investimentos. O ciclo nos ajuda a definir metas e ajustar o que não está certo”, afirmou.
Já o diretor Lor Antônio Rodriguier, da Escola Estadual Souza, de Getúlio Vargas, destacou a necessidade de reforçar habilidades específicas entre os alunos.
“Uma preocupação observada foi a dificuldade em distinguir fato de opinião, habilidade trabalhada no 5º ano. Temos o compromisso de preparar bem nossos estudantes do Ensino Fundamental para o Ensino Médio”, disse.
Educação e compromisso coletivo
A secretária Raquel Teixeira encerrou sua fala agradecendo o acolhimento recebido em Erechim, reforçando a importância da colaboração entre estado, coordenadorias e escolas.
“O carinho começou ontem, quando cheguei e encontrei retratos, cartinhas e doces de boas-vindas. Isso mostra o envolvimento e o amor pela educação que encontramos aqui”, concluiu.