Uma reclamação de um leitor encaminhada ao Jornal Bom Dia apontou problemas estruturais na Escola Estadual Normal José Bonifácio (JB), incluindo telhas quebradas, ausência de lonas e alagamentos em partes do prédio. Para esclarecer a situação, a redação entrou em contato com a 15ª Coordenadoria Regional de Obras Públicas (15ª CROP), que detalhou as ações em andamento na unidade.
Paralelamente, por meio de suas redes sociais, a Escola JB informou que ainda não reúne condições estruturais para o retorno das aulas presenciais. Em razão disso, as atividades seguem temporariamente suspensas no formato presencial. A orientação é para que estudantes e familiares acompanhem os canais oficiais da escola, onde serão divulgadas novas informações conforme o avanço das obras.
Enquanto o retorno presencial não ocorre, as atividades pedagógicas continuam sendo disponibilizadas diariamente de forma remota, por meio da plataforma Google Sala de Aula.
Os coordenadores da 15ª CROP, Leandro Marangoni e Gustavo Brustolin, concederam entrevista para explicar a situação da escola e o andamento dos trabalhos. Segundo Gustavo Brustolin, o objetivo do contato com a comunidade é esclarecer quais unidades estão sendo atendidas, bem como os materiais, a mão de obra e os cronogramas definidos. “A ideia é evitar dúvidas ou interpretações equivocadas sobre as ações que estão sendo executadas”, afirmou.
Sobre a Escola JB, Brustolin explicou que foi registrada uma ocorrência pontual na parte elétrica, atingindo um dos blocos independentes da estrutura principal, onde está localizado o refeitório. “Em função das chuvas intensas registradas na segunda, terça e quarta-feira da semana passada, houve infiltração de água na tubulação elétrica, o que acabou danificando o quadro de disjuntores”, relatou.
De acordo com o coordenador, a situação foi verificada imediatamente, com vistoria técnica e acionamento do Corpo de Bombeiros, que realizou o desligamento da rede elétrica e determinou a interdição específica do quadro, conforme descrito em auto oficial. “O quadro foi substituído por um novo, com padrão superior e dentro das normas técnicas, já preparado para integrar a futura reforma da escola”, informou.
Ainda conforme Brustolin, toda a rede elétrica passou por avaliação técnica. “Não foram identificados outros riscos. Um engenheiro eletricista emitiu laudo liberando o local, indicando que se tratou de uma situação pontual”, explicou. A previsão é de que os Bombeiros realizem nova vistoria na área específica ainda nesta terça-feira (16).
Em relação à cobertura do prédio, o coordenador destacou que a escola possui características arquitetônicas históricas. “Embora não seja um prédio tombado, ele integra o contexto histórico do município. Por isso, a substituição será feita com telhas metálicas térmicas e acústicas, que reproduzem visualmente o modelo cerâmico original”, disse.
Leandro Marangoni, coordenador adjunto, explicou que foram realizadas três tentativas de acesso ao telhado para a instalação de lona provisória, mas os trabalhos precisaram ser suspensos. “A forte inclinação do telhado e o risco de quebra das telhas cerâmicas durante a circulação dos trabalhadores representavam um risco à segurança”, afirmou. Segundo ele, a definição da data mais segura para a execução do serviço segue alinhada com o Corpo de Bombeiros, inclusive com equipes de Passo Fundo.
Marangoni também comentou a suspensão temporária das aulas presenciais. “A medida foi adotada para preservar a segurança de estudantes e profissionais”, explicou. As atividades seguem de forma remota, utilizando a mesma plataforma adotada durante o período da pandemia. Conforme a coordenação, o impacto pedagógico é considerado reduzido, por se tratar do período final do ano letivo.
No panorama regional, Marangoni informou que, das 13 escolas consideradas mais urgentes, cinco já estão com obras em andamento nos telhados, sob responsabilidade da empresa Potenza, de Getúlio Vargas, vencedora do lote referente às escolas. “A previsão é de que uma das unidades tenha a obra concluída até o final da semana, com equipes atuando inclusive nos finais de semana e durante o recesso”, relatou.
Outras escolas também apresentam avanço nas obras. Segundo a 15ª CROP, as escolas Érico Veríssimo e Sidney Guerra já têm entre 25% e 30% da cobertura substituída. No Colégio Estadual Haidée Tedesco Reali, a cobertura principal está concluída, restando ajustes pontuais, como calhas. Na Escola Roque González, os trabalhos de troca do telhado já foram iniciados. As unidades atendidas com recursos do programa Agiliza e com doações da Defesa Civil, utilizando telhas de fibrocimento, tiveram as demandas resolvidas.
A chegada das telhas metálicas térmicas e acústicas para a Escola JB está prevista para o dia 12 de janeiro. Conforme a coordenação, o prazo se deve ao processo específico de fabricação desse modelo, que apresenta desempenho térmico e acústico superior, contribuindo para o conforto das salas de aula.
Os coordenadores também informaram que os materiais e serviços executados incluem reforços estruturais nas madeiras dos telhados, substituição de peças comprometidas e tratamentos preventivos, especialmente em prédios com mais de 50 anos de construção.
Por fim, a 15ª CROP informou que os danos registrados nas escolas são compatíveis com a intensidade da tempestade de granizo que atingiu Erechim recentemente, considerada de grande magnitude. Também foi mencionada a atuação do Governo do Estado, com apoio do governador Eduardo Leite e do vice-governador Gabriel Souza, na liberação de recursos financeiros, humanos e materiais para a recuperação das estruturas educacionais e de outros prédios públicos do município.