Pivô Clayton Szabo comenta experiência no clube de Erechim e relembra trajetória no futsal
Quando dava seus primeiros passos em uma quadra de futsal, Clayton Szabo, mais conhecido como Keké, não imaginava que um dia se tornaria um dos maiores ídolos da história do Atlântico Futsal.
Nascido em 24 de novembro de 1982 na grande São Paulo, Keké veio de uma família humilde, mas com fortes laços com o esporte. O pai do pivô, João Szabo, era adepto ao futebol de campo, somente como amador, mas ainda assim instigou nos filhos o prazer pela atividade física. Dona Hilda, a mãe de Keké, também apoiava o filho pelas quadras de futsal.
“Meus pais foram grandes incentivadores. Logo no começo, na primeira categoria de base, minha mãe sempre acompanhava, torcia junto. E meu pai não perdia um jogo. Ele ia sempre aos ginásios. Nos jogos da categoria de base, os pais podiam viajar com a gente, e meu pai sempre se escalava, ele ia tanto comigo quanto com meu irmão. Eu só tenho a agradecer por todo o apoio e o incentivo. Eles fizeram o que estava ao alcance deles para fazer com que a gente seguisse fazendo o que a gente ama” relembra o jogador.
Coisa de irmão
Wesley Szabo, irmão do pivô, foi o estreante da família no futsal. Cinco anos mais velho que Keké, Wesley iniciou na categoria de base da equipe do Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (Ceret), antigo time de São Paulo. Os pais levavam Keké aos treinos do irmão, e foi assim que o pivô teve seu primeiro contato com o futsal.
“Eu assistia com meus pais os treinos do meu irmão no Ceret. E teve uma vez que eu estava no lado de fora da quadra brincando com outras crianças e o treinador do Wesley me viu e achou que eu poderia estar jogando, devido minha coordenação motora e por conhecer o potencial do meu irmão, e assim o técnico me convidou para fazer um teste na categoria que na época se chamava fraldinha. Eu passei no teste e desde então não parei de jogar futsal” comenta Keké.
Os irmãos inclusive jogaram lado a lado no Corinthians, clube que em 2006 eles conquistaram o título de campeão do Campeonato Metropolitano. Atualmente Wesley, apelidado de Alemão, é treinador do time de futsal Yoka de Guaratinguetá, equipe na qual encerrou a carreira de atleta.
Trajetória
Após iniciar no Ceret, Keké passou pela categoria de base do São Caetano. Já na categoria juvenil o pivô atuou pelo Corinthians e o São Paulo. Em 2002, antes de completar 20ra anos, Keké foi chamado para ingressar na equipe profissional do São José dos Campos, time que permaneceu por quatro anos.
“Foi no São José que eu passei a atuar no profissional. Hoje em dia existe o sub-20, mas antigamente não tinha, do juvenil você passava direto para o profissional, e foi essa experiência que tive lá. Além disso, foi em São José dos Campos que conheci minha esposa, Aline, e comecei minha família” relembra o jogador.
Em 2006 o atleta retornou para o Corinthians, para jogar na equipe principal. A oportunidade de atuar no futsal internacional surgiu em 2010 quando Keké se mudou para a Espanha, país que foi sua casa por duas temporadas. De volta ao Brasil, em 2012 Keké entrou no Joinville de Santa Catarina, e no ano seguinte ele foi contratado para integrar a equipe do Atlântico em Erechim.
Capitão do Galo
Hoje, com 33 anos, Keké é um dos ídolos da história do Galo em Erechim. Completando o quarto ano no Clube, o pivô comemora as conquistas que alcançou ao lado da equipe. “É um casamento que deu certo e não vai separar nunca mais, se Deus quiser. Clube me acolheu de uma forma que nenhum outro fez. Aqui é diferente, em 2013 me tornei capitão do time, e aprendi muito com a comissão técnica, diretores e os torcedores. Fico muito feliz em participar da história do Clube e de ter ganhado importantes títulos com a camisa do Galo” afirma Keké.

O jogador destaca também a importância dos torcedores do Galo em sua carreira. “Agradeço a todos os torcedores. Eu passei por uma fase difícil entre o final de 2014 e 2015, com uma lesão crônica. Passei por minha primeira cirurgia, um momento muito difícil. Eu andava nas ruas de muleta, no supermercado, e foi nesses momentos que senti o carinho das pessoas e vi como os torcedores confiam e acreditam na gente. Isso não tem preço” comenta o pivô.
Seguindo os mesmo caminho
A família do jogador vive com ele em Erechim. Keké não contem o emoção ao falar da esposa Aline e dos três filhos, Beatriz (15), Henrique (9) e Manuela (5) - “São tudo para mim”. Assim como aprendeu a amar o esporte com seu pai, o pivô conta que seu filho Henrique já está dando os primeiros passos no futsal. “Meu filho pratica futsal desde os três anos. Quando fui para Joinville, de tanto ele jogar, brincar comigo e com meu irmão, ele tinha a coordenação bem desenvolvida e os treinadores da categoria de base perceberam isso nele. E ele pratica até hoje, agora na escolinha do Atlântico” afirma orgulhoso.
Uma história engraçada
Uma dúvida que muita gente tem é como Clayton passou a se chamar Keké. O jogador explica que a história começou com o irmão, Wesley. “Minha mãe tinha uma avícola, em que ela criava galos e galinhas. E meu irmão dizia que ia brincar com as “cocó” e aí o apelido dele pegou lá em São Paulo como Kokó. No Ceret, onde a gente jogava quando criança, todo mundo conhecia ele por Kokó e o treinador dele disse que se ele era o Kokó eu deveria ser o Keke. E já em outro clube, outro treinador brincou ‘Clayton o que tanto você qué qué’ e aí o pessoal começou a me chamar de Keké” relembra o jogador.
“Sendo Keké, Clayton, ou o irmão do Wesley, o filho da dona Hilda e do Seu João, o que eu fico feliz é que lembrem de mim como profissional e como ser humano, como uma pessoa que dá seu máximo, eu tento passar isso para os filhos. Tento sempre dar o melhor de mim” finaliza Keké.