O silêncio habitual do Seminário Nossa Senhora de Fátima, em Erechim, ganhou novos sons na segunda-feira (2). Onde por décadas ecoaram passos de formação religiosa, agora os passos são de dança, há pinceladas de cor, aprendizado e também se ouvem acordes, ensaios e vozes de alunos do Centro de Belas Artes Osvaldo Engel, que iniciou parte de suas aulas no local.
A mudança ocorre após o granizo de novembro de 2025 atingir a sede da escola, na Rua Nelson Ehlers, e que atualmente passa por reformas. Na manhã da segunda-feira um ato marcou oficialmente a aula inaugural no espaço, reunindo direção do Belas Artes, o vice-prefeito Flávio Tirello, o secretário municipal de Cultura, Wallace Soares, além de alunos e professores. A recepção foi conduzida pelo Reitor do Santuário e do Seminário Nossa Senhora de Fátima, padre José Carlos Sala, que realizou uma bênção para marcar o novo período.
Referência cultural em Erechim e região, o “Belas” reúne mais de 600 estudantes distribuídos em 22 cursos nas áreas de música, dança, teatro e artes visuais. Para o Santuário de Fátima, a acolhida aos professores e alunos dialoga com a própria origem do espaço. “A vocação originária deste lugar é a educação e a formação. Ao acolher o Belas Artes, mantemos viva essa identidade”, afirmou Pe. Sala, ao recordar que, ao longo de mais de sete décadas, o seminário formou gerações de jovens, sendo 118 deles ordenados sacerdotes, além de muitos outros que seguiram diferentes profissões na cidade e em outras regiões do país. Ele também relembrou a relevância histórica do prédio, inaugurado em 1956 com a presença do então presidente Juscelino Kubitschek.
Segundo o reitor, a decisão de abrir as portas teve dois fundamentos: o primeiro, a solidariedade diante do momento enfrentado pela escola, com a disponibilização do espaço por valor de locação abaixo do mercado; o segundo, o reconhecimento da importância da arte e da cultura. Ele destaca que o ambiente tem favorecido o trabalho artístico. “Os professores e alunos estão encantados. O silêncio, a acústica das salas, o clima de recolhimento criam um ambiente muito propício para a produção artística. A arte também carrega mistério, e este lugar dialoga com isso”, observa, ao projetar que o espaço externo, amplo e arborizado, poderá, inclusive, receber apresentações ao ar livre no futuro.
O contrato firmado entre o Belas Artes e o Seminário é emergencial, com duração de seis meses. Ainda assim, a possibilidade de continuidade não é descartada. Pelo contrário, é uma perspectiva: “Nosso desejo é que o Belas Artes possa permanecer. Quem sabe o novo Belas seja o antigo seminário?!”, brinca o Reitor, ao destacar que trata-se de um espaço sagrado, feito para formar pessoas: “E a arte também forma”, conclui Pe. Sala.