21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Geral

De Maria para Pâmela: quando o amor de mãe se transforma em legado

No Dia Internacional da Mulher, uma homenagem à mulher que ensinou que trabalho, dignidade e afeto caminham juntos

teste
MARIA CHIC nova .jpg
Por Carlos Silveira
Foto Arquivo pessoal

“O Dia Internacional da Mulher é uma data que carrega luta, conquistas e resistência. Mas, para mim, ele carrega um nome: Maria”.

 “Sou Pâmela de Oliveira Prigol, tenho 29 anos. Filha de Carlos e Maria de Oliveira, sou irmã da Julianegfg, esposa do Fábio, mãe da Mariáh Júlia, minha bebê e da nossa companheira inseparável pet da família Keity. Sou formada em Estética e Cosmética pela Universidade de Passo Fundo, pós-graduada pela PUC de Porto Alegre, e há 12 anos atuo na área da beleza, à frente do salão Maria Chic, espaço que é muito mais do que um local de trabalho. É onde histórias se encontram. Onde mulheres se redescobrem”.

 Mas antes de existir o Maria Chic, existia uma mulher chamada Maria de Lurdes Tomazelli de Oliveira. Filha de agricultores, criada no interior de Barão de Cotegipe, ela aprendeu desde cedo o valor do trabalho duro. Ficou na roça até os 22 anos, ajudando os pais na lida diária. Para continuar os estudos, veio para Erechim e trabalhou como empregada doméstica por três anos. Ali começou a moldar sua independência.

 “Conheceu meu pai, Carlos, casou, construiu família e passou a trabalhar na Indústria de Balas Boavistense, onde permaneceu por oito anos. Quando engravidou de mim, foi desligada da empresa. Poderia ter desanimado. Mas minha mãe nunca foi mulher de parar”.

 Decidiu abrir seu próprio negócio. Uma pequena loja, onde vendia de tudo um pouco. A falta de experiência trouxe dificuldades, a inadimplência pesou e a loja não resistiu. “Mas a desistência de um negócio nunca significou a desistência de um sonho”.

 Inquieta, determinada, adaptou a própria casa para cuidar de crianças enquanto suas mães trabalhavam. Começou com três. Quando percebeu, eram 13 sob seus cuidados. Levava e buscava na escola, ajudava nas tarefas, preparava refeições. “Somos uma grande família”, ela dizia ao ver a mesa cheia. E era mesmo.

 “Enquanto cuidava das crianças, ainda encontrava tempo para me ajudar no salão que começava a nascer dentro de casa. O movimento crescia. As clientes aumentavam. O sonho se expandia. E eu insistia: “Mãe, vem trabalhar comigo”, clamava Pâmela.

 “Dividida entre continuar cuidando das crianças, que amava como filhos, ou mergulhar comigo naquele novo desafio, ela fez mais uma escolha corajosa. Abriu mão do que havia construído com tanto carinho para fortalecer o meu caminho. O que era para ser apenas uma ajuda virou vocação”.

 Especializou-se em cortes, penteados, alisamentos, tinturas. Descobriu um talento que estava adormecido. Descobriu paixão. Hoje, quando fala do salão, os olhos se enchem de lágrimas. Não por cansaço. Mas por amor. “O Maria Chic não é apenas meu. É nosso”.

 “Ali atendemos mulheres que chegam buscando um corte, uma cor, um cuidado. Mas saem com mais do que isso. Costumo dizer que somos um pouco psicólogas e terapeutas. Entre uma escova e uma conversa, entre uma tintura e um desabafo, ajudamos a aliviar o peso do dia. Porque entendemos que a beleza da alma também reflete na pele, nos cabelos e nas unhas”. E tudo isso aprendeu com ela.

 “Aprendi que trabalho dignifica. Que independência é construída com coragem. Que recomeçar não é fraqueza,  é força. Aprendi que ser mulher é acumular funções, mas também multiplicar amor. Que empreender exige ousadia. Que família é base”.

 “Hoje, como mãe da Maria Júlia, entendo ainda mais o que significa ser exemplo. Vejo na minha mãe o modelo de mulher que quero ser: forte, resiliente, sensível e determinada. Uma mulher que nunca teve medo do trabalho. Que enfrentou perdas, mudanças, desafios. E que sempre escolheu seguir”.

 “Neste 8 de março, minha homenagem é para ela. Para minha maior incentivadora. Para a colega de trabalho que compartilha comigo sonhos e responsabilidades. Para a mulher que tornou possível cada conquista. Mãe e filha unidas por respeito, companheirismo e amor”.

 “E às mulheres que leem essa história, deixo um recado: vocês podem ser aquilo que desejarem. A força existe dentro de cada uma. Muitas vezes ela só desperta diante dos desafios, mas ela está lá. Nunca deixem de lado a autoestima. Nunca duvidem da própria capacidade. Não somos frágeis. Somos potência”.

 “E eu tenho a honra de ter aprendido isso todos os dias, dentro de casa, olhando para Maria. Neste Dia Internacional da Mulher, celebro todas. Mas abraço, com o coração cheio de gratidão, aquela que me ensinou que o verdadeiro sucesso não está apenas no que construímos, mas no amor que deixamos pelo caminho”, finaliza.

 

Leia também

Publicidade

Publicidade

Blog dos Colunistas

;