21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Expressão Plural

Esquerda ou direita, até quando se rotulará indivíduos

teste
Carlos
Por Carlos Silveira – jornalista e historiador
Foto Arquivo pessoal

​O homem, lá na sua origem, não tinha nome nem sobrenome, pois era mais um indivíduo que habitava a terra. Filmes antigos sobre os povos neandertais classificavam conforme suas tribos de origem e a emissão sonora que cada um se comunicava, ou pelo menos tentava. 

Pinturas nas cavernas comprovam seu habitat ou modo de vida e caça, mas não sobre linguagem, esta que veio a se desenvolver milhares de anos após em territórios diferentes que, com o passar dos anos, culminou na língua de cada país, algo extremamente curioso quando pensamos no contexto geral mundial.

Afinal, somos brancos, negros e amarelos numa imensidão de bilhões que habitam atualmente o globo terrestre, ou seja, hoje temos cada um a sua identidade, seu CPF, sua identificação para diferenciar uns dos outros. Cada um é um ser único, não importa o tamanho de seu território ou habitat. 

Mas, mesmo com esta identidade única, vivemos hoje, e no Brasil com grande força, a separação não por nome ou CPF, mas sim por direita ou esquerda. Nunca foi tão forte um momento como este, a não ser na caça às bruxas ou, comunistas, na época da ditadura do Brasil onde pensar diferente já classificava como um estranho no ninho, a exemplo do filme que leva o mesmo nome. 

​Hoje, quando falamos, pensamos ou agimos, sempre tem aquele de plantão que rotula as pessoas, ou seja, ou você é de esquerda ou de direita, e isso faz uma grande diferença no convívio com os demais. Um pensamento que interfere na família, no trabalho, no lazer e, infelizmente, até no convívio do lar. Ou você pensa igual ou está fora do quadrado. Quando os extremos apontam para um ou outro lado é impossível se chegar ao mesmo ponto com o contento de todos, seja pai, filho, esposa, patrão, enfim, a sociedade como um todo. 

​Mas, até onde vai esta classificação? Até onde vai esta divisão corroída na mágoa, na furiosidade, na incoerência, na finalização de amizades de décadas e de casamentos perfeitos. Até quando se colocará um QR na cabeça do indivíduo posicionando-o como A ou B. Se ficar sem um lado, aí é centrão, ou seja, é como uma pesca com rede onde se busca apanhar peixes para uma ideologia, ou rebanhos de gado para outra.

​A política deve ser levada a sério, com retidão, ética, lealdade, sem jogos de interesses, sem puxar brasas para o seu assado. A política deveria transformar o país em um mundo melhor para se viver, com mais segurança, mais saúde, mais moradia, mais dignidade, voltada aos interesses da população como um todo, e não como um jogo de interesses de blocos distintos. Quando a doença dos extremos acabar, quem sabe poderemos ter uma luz no final do túnel para uma população que chora por melhores condições de viver, de ter momentos de lazer, de não ter que morrer em filas de hospitais, de não ter que ficar de joelhos para este ou aquele, e que sua visão não seja somente amarela ou vermelha, mas que seja o azul do horizonte, de dias melhores a exemplo de tantos outros países do mundo. Não sejamos A ou B, mas sim cidadãos que querem e tem direito de uma vida melhor, principalmente no final da jornada com uma velhice digna.

Publicidade

Publicidade

Blog dos Colunistas

;