O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin autorizou a abertura de investigação contra oito ministros do governo federal, três governadores, 24 senadores e 42 deputados federais. Todos foram citados nos depoimentos de delação premiada de ex-diretores da empreiteira Odebrecht, no âmbito da Operação Lava Jato. O ministro Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho também será investigado por falsidade ideológica eleitoral, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Com a abertura da investigação, os processos devem seguir para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e para a Polícia Federal (PF) para que sejam cumpridas as primeiras diligências contra os citados. Ao longo da investigação, podem ser solicitadas quebras de sigilo telefônico e fiscal, além da oitiva dos próprios acusados.
Dos 108 nomes listados, sete são do Rio Grande do Sul. Um ministro, dois deputados federais, duas deputadas, também federais, e dois ex-diretores da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A (Trensurb). Entre eles estão o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), os deputados Marco Maia (PT) e Ônix Lorenzoni (DEM), as deputadas Maria do Rosário (PT) e Yeda Crusius (PSDB), Humberto Kasper e Marco Arildo Prates da Cunha, que integraram a direção da Trensurb.
Alvos gaúchos de inquérito
Ministro Eliseu Padilha (PMDB)
Acusação de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro em dois inquéritos.
Deputado Federal Marco Maia (PT)
Acusação de falsidade ideológica eleitoral (caixa 2), corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro.
Deputada Federal Maria do Rosário (PT)
Acusação de falsidade ideológica eleitoral (caixa 2).
Deputado Federal Ônix Lorenzoni (DEM)
Acusação de falsidade ideológica eleitoral (caixa 2).
Deputada Federal Yeda Crusius (PSDB)
Acusação de corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro.
Ex-diretor da Trensurb Humberto Kasper
Acusação de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
Ex-diretor da Trensurb Marco Arildo Prates da Cunha
Acusação de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
Manifestações dos gaúchos na lista
Eliseu Padilha
Por meio de sua assessoria, o ministro afirmou que não vai se pronunciar sobre o caso no momento.
Marco Maia
Através de sua assessoria afirmou: "São completamente mentirosas essas informações. Não há absolutamente relação minha de pedido de qualquer ilegalidade para ter qualquer benefício desta ou de qualquer outra empresa que tenha atuado no Rio Grande do Sul ou no país."
Maria do Rosário
Por vídeo afirmou: "Minha vida é pública, minha vida pessoal é totalmente transparente, sigilo bancário e telefônico estão à disposição. Eu não devo nada em padrões éticos à política nacional e não admitirei ser citada em nada que diga respeito a isso. Vou seguir lutando e não vou me afastar das coisas que acredito, não vou permitir que detratores utilizem meu nome negativamente e espero que tudo isso seja muito rapidamente resolvido, porque meu nome e minha vida não estão à disposição para serem enxovalhados por quem quer que seja em nenhum lugar".
Onyx Lorenzoni
Em rede social disse: "Sobre a lista. Não devo, não temo, não faço parte de lambança. Nem a este, nem a qualquer governo. Minha lealdade é a quem me elegeu e aos meus princípios. Estou surpreso, indignado, revoltado com essa citação que tem origem nas delações da Odebrecht. Tenho 24 anos de vida pública limpa e vai continuar limpa. Sempre me separei, através da abertura do meu sigilo fiscal, bancário, telefônico nas últimas quatro eleições. Sempre me separei dessa lambança que lamentavelmente tem aqui no Brasil. Pedi ao meu advogado, que está entrando no gabinete do ministro Fachin, para que tenha acesso ao autos. Quero ser investigado, não tô dando nota, estou dando a cara aqui porque não devo nada para ninguém. Quero que você confie e continue confiando. Sei de meus procedimentos. Nunca estive na sede da Odebrecht, nunca pedi dinheiro para Odebrecht... Não devo e não temo."
Yeda Crusius
Em rede social publicou: "A todos os que buscam minha manifestação: o Ministro Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, ofereceu hoje listas de centenas de pessoas indicadas pelo PGR Rodrigo Janot para abertura de inquérito. Numa delas consta meu nome. Transparência é fundamental, e aguardamos ainda o levantamento do sigilo das delações que embasaram a decisão do Procurador Janot e do Ministro Fachin. Embora desconhecendo ainda as razões que o levaram a elaborar estas listas, considero fundamental tanto a Lava Jato quanto o trabalho do Supremo para que os inquéritos hoje autorizados sejam feitos e concluídos com a celeridade requerida por mim e por toda a população brasileira, separando o joio do trigo e promovendo a Justiça de que tanto o país precisa. Caso contrário cria-se a imagem de que todos os políticos são iguais. E não somos".
Humberto Kasper
Por meio de assessoria disse que não conhece o assunto e não sabe do que se trata. Por isso, não tem como se pronunciar.
Marco Arildo Prates da Cunha
Por meio de assessoria informou que não são verdadeiros os fatos relatados em delação premiada, por executivos da Odebrecht, sobre suposta solicitação de recursos escusos para qualquer fim.